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sexta-feira, 19 de maio de 2023

Bibliofilia 205



É dificil avaliarmos hoje o que se vai perdendo pela ausência de correspondência escrita de artistas, para uma melhor e aprofundada compreensão da sua obra. A internet, com as suas virtualidades, se trouxe algumas ligeiras utilidades, rasurou em definitivo outras perspectivas importantes e talvez essenciais, nos últimos tempos. Este terceiro volume de correspondência da escritora neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1923) para o seu marido John Middleton Murray (1889-1957), que editou a obra em 1951, exemplifica o que se ganhou com a impressão e existência física e intelectual deste oaristo publicado.



O livro (704 páginas) usado foi comprado, por mim, no inicio do século XXI por um preço acessível, e tenho-o vindo a ler intermitentemente, com interesse. Tem a curiosidade de, com grande probabilidade, ter sido uma oferta, pela dedicatória escrita afectuosa, entre um casal. Aqui fica a sua reprodução.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Correspondência, intimidade e ética


"Meu querido mais querido,
Acabei de tomar o pequeno almoço - um grande copo de leite quente e uma bem pequena e medíocre laranja - mas ainda não me vesti ou lavei como uma menina bem comportada, e quero escrever-te..."
Este é o início de uma carta de 19 de Março de 1915, endereçada de Paris, por Katherine Mansfield (1888-1923), para o marido, John Middleton Murray (1889-1957). Esta e muitas outras cartas foram publicadas pelo escritor, num grosso volume de cerca de 700 páginas, em 1951 (London, Constable & Co LTD). Embora eu goste, normalmente, de ler correspondência de artistas, políticos e escritores, importa-me sobretudo que tenham relação directa com a actividade ou arte que praticaram. Porque o resto é, um pouco, a tal "coscuvilhice nobre" de que falei, há dias, neste blogue.
Por outro lado, não posso ignorar que, a publicação de 3 cartas de Rodrigues Lobo (1580-1622), a rondar o fescenino, dirigidas a damas de vida livre (editadas em meados do século passado), mostram uma outra faceta do escritor português. Que estavamos habituados a encarar como pastor "bem comportado" do mavioso lirismo português... Assim, encararmos a publicação destas cartas íntimas da escritora neo-zelandeza, como mero acto mercantil do marido, para ganhar dinheiro e destaque, talvez seja exagerado e injusto. Há que ver, com atenção e cuidado, caso a caso. E, depois, avaliar.