terça-feira, 8 de novembro de 2022
Recuperado de um moleskine (41)
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Recuperado de um moleskine (36)
O romancista inglês L. P. Hartley (1895-1972) tem, para o seu conhecido romance The Go-Between (1953), um início soberbo: The past is a foreign country; they do things differently there. Ocorre-me uma variante banal, mas para mim verdadeira, que uso, com frequência, intimamente: o passado está quase sempre muito bem arrumado, o presente é que não. Se as gavetas de infância albergam muitas vezes uma parafernália insólita e já inútil, esse conjunto não deixa de fazer um sentido afectuoso, na memória intocada (?). E, se o presente, muitas vezes, precisa do futuro para se reorganizar, é do passado que vem uma paz resolvida e tranquila. Ruas e casas onde se instalaram os jogos felizes, os amigos fiéis, os livros inesquecíveis, os resumos fáceis e concordes, as palavras certas e amorosas de outrora. Que pareciam, agora à distância, estarem certas, harmoniosamente. Ainda que elas possam ser piedosas mentiras da memória já míope ou cansada, por lutas desgastantes e inúteis.


