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domingo, 20 de julho de 2025

Toponímia

 

O tempo acaba quase sempre por destruir a realidade ou, ao menos, por desfazer a associação que ligou, com lógica, de início, o motivo e o local. Hoje, não há alecrim, na rua homónima de Lisboa, nem flores senão nas varandas da dita estreita artéria. Mais distante porém, e enigmático, seria como foi chamado Pote das Almas, ao que é hoje o nome limpo lisboeta de rua Nova do Almada.

sábado, 31 de agosto de 2013

Discretear sobre patronímica, com algumas implicações governativas


Nem sempre os nomes e apelidos são felizes. Alguns são ferretes e labéus insólitos que se colam a pessoas, para toda a vida. Há quem, muito justamente, se crisme ou registe em adulto, de outro modo, para escapar a classificações injustas e infamantes, outros...habituam-se. Até dos lugares, vilas ou cidades, há quem se liberte, razoavelmente: os naturais da antiga Porcalhota, transformaram-na na asséptica Amadora, os de Punhete adoptaram o sossegado nome de Constância. Mas se, com os nomes de terras, a resolução do problema é facil, com os nomes e apelidos de família, os casos fiam mais fino.
Atente-se no apelido Futre que significa: bandalho, homem desprezível, sovina. Ou no Cristas que talvez se aplicasse bem a um, ou uma, gerente de aviário; ou até Rosalino, com as suas conotações silvestres e florais, que se poderia aplicar lindamente a um pastor de cabras ou a um jardineiro profissional... Como é que um bebé, uma inocente criança fica logo, desde tenra meninice, marcado por esta irrisão para toda a vida? É, no mínimo, uma injustiça e uma crueldade patronímica.
Além disso, há expressões populares, criadas não se sabe bem como, que desaconselham em absoluto alguns nomes, para baptismo. Lembro-me de três casos, e aqui os deixo para reflexão, a quem goste desses nomes que, sendo ditos, provocam logo sorrisos:
- Isto não é da Joana!
- Ó Barnabé, toca tangos!
- Chamar pelo Gregório.
E haverá mais, decerto...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Microclimas e toponímia


Em apodar, eu penso que os portugueses são mesmo originais e criativos.
Deste lado do Tejo, habituado, já não me admiro nem estranho ao passar pela placa toponímica que nos indica: Alcaniça (mesquita, informa Houaiss). O sol ia ralo, quando passamos pelo local, e as nuvens ameaçavam, de cinzentas. Vento, quase nenhum.
O sol abriu, mais um pouco, sobre Lisboa e começou um vento brando, mas ligeiro. No rio, tão liso como um espelho, com manchas alternadas de verde alface e verde azul, barcos deslizavam suavemente. Depois, para não nos perdermos, o percurso era restrito e obrigatório: Vila Verde, Terrugem (Houaiss, não refere), Godigana (não consta, também) e Carne Assada - estas duas últimas, inesquecíveis patronímicos. Mas, logo em Vila Verde, cerrou-se um capacete de nuvens e começou a molha-tolos. Saímos para comprar morangos e batatas, e ficamos como pintos...
Poder-se-ia concluir que andámos de microclima em microclima porque, quando regressamos à zona outrabandista, o sol voltou a receber-nos, radioso e amigo.
Falta dizer que não almoçamos carne assada. A massa tinha ficado a levedar. E a pizza, doméstica e boa, levava salame, cenoura e salsichão, mais um molhinho muito especial. E um tinto leveiro, a acompanhar.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Curiosidades 48 : em volta da patronímia


É sabido que, no antigamente, muitos dos escravos (forros ou não) tomavam, por baptismo, o nome dos seus senhores. Também é conhecido que muitos apelidos indiciam a paternidade. Assim Bentes era filho de Bento, Henriques descendente de Henrique ou Soares que seria filho de Soeiro. Alguns pintores, cuja biografia era exígua ou, até, desconhecida, para serem distinguidos de outros e para melhor serem identificados, era-lhes acrescentado o nome do local de nascimento ou do sítio onde trabalharam. Por exemplo, Álvaro Pires de Évora. Outros, ainda, talvez por afecto saudoso à terra natal, usaram para pseudónimo e apelido o local onde nasceram, como é o caso de José de Guimarães.
Mas também nos bichos, alguma coisa de parecido também acontece. Um dos casos com que deparei, recentemente, é o dos insectos nocivos às plantas e frutos. Aqui vão três exemplos: o burgo dos montados, a processionária dos pinheiros e a mosca da azeitona. Esta última vai, em imagem, a encimar este poste.