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domingo, 20 de julho de 2025

Toponímia

 

O tempo acaba quase sempre por destruir a realidade ou, ao menos, por desfazer a associação que ligou, com lógica, de início, o motivo e o local. Hoje, não há alecrim, na rua homónima de Lisboa, nem flores senão nas varandas da dita estreita artéria. Mais distante porém, e enigmático, seria como foi chamado Pote das Almas, ao que é hoje o nome limpo lisboeta de rua Nova do Almada.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Da rua Tenente Valadim, na Póvoa, à rua do Alecrim, em Lisboa

Já aqui falei dela (16 de Junho de 2010), desta obra extensíssima, creio que com 51 volumes pequenos, editada pela Typografia Rollandiana, intitulada O Viajante Universal... De uma temática que as universidades classificariam hoje, imediatamente, de literatura de viagens. Iniciei-me na obra, no princípio dos anos 70, na Póvoa de Varzim, na Livraria Académica, donde trouxe cerca de 40 voluminhos.

Ora o meu estimado Bernardo Trindade, à rua do Alecrim 44, tinha a sua loja, há dias, abundante de livros, sobretudo modernos, mas também ostentava na vitrine, próxima da sua mesa, uma rara primeira edição (1644) da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, que fez questão de mostrar-me, e os Cuidados Literários..., de Cenáculo.

 


Soltos, havia três pequenos volumes do Sr. De Laporte, em muito bom estado. Sem ilusões, fui confrontá-los com a minha lista de faltas. E não é que, miraculosamente, dois deles me serviam (o XII e o XIX)? Tinha ganho o dia! Agradeci ao Bernardo e vim feliz para casa.
Ficaram a faltar-me apenas 6 livrinhos: XX, XXIX, XXXIII, IXL, XLIV e L, para a obra ficar completa.



domingo, 3 de maio de 2020

Afortunadamente


Às vezes, considero um milagre feliz que, por entre tanta gente ilustre e a multidão de celebridades fátuas, ao longo dos tempos, muitas delas hoje totalmente esquecidas ou já quase sem qualquer significado ou importância, algumas ruas lisboetas tenham mantido (Deus os conserve!) a beleza e o lirismo simples toponímico de alguns nomes, como, por exemplo: a rua do Alecrim, a travessa da Água Flor ou a rua da Rosa.
Muito mais do que os homens, a Natureza parece ser eterna. Até ver...

domingo, 29 de março de 2020

Mécia de Sena (1920-2020)


Irmã de Óscar Lopes e esposa de Jorge de Sena, Mécia de Sena faleceu ontem, poucos dias depois de completar cem anos de vivíssima existência. Mulher simples, mas de convicções, prolongou incansavelmente a memória do Marido, defendendo a sua obra sempre que foi necessário. Quase não valeria a pena referir o sabido: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
Tive o prazer de me cartear com ela, a propósito de assuntos que não vêm ao caso, mas que constam do registo do Arpose, e ainda mais afortunadamente me ter dado a conhecer, ao vê-la, por mero acaso, uma tarde na rua do Alecrim, nos anos noventa
É desse encontro que ela fala no cartão de Boas-Festas, datado de Dezembro de 1993, que reproduzo abaixo. E que, modestamente, aqui deixo a recordar a grande Mulher que ela foi.


sábado, 4 de maio de 2019

Contorcionismos


Em tempos de canícula, tenho por costume, às vezes, depois de subir a rua do Alecrim, virando para o Chiado, fazer um pausa e entrar na Igreja da Encarnação. O seu interior é amplo, fresco e silencioso. Os bancos de madeira, embora não sendo muito confortáveis, dão para descansar, sem grandes incómodos, durante uns 5 ou 10 minutos, até voltar a seguir viagem. Por outro lado evito, momentaneamente, as hordas  ruidosas dos turistas low cost que preferem tirar fotos sentados ao lado do Fernando Pessoa, de Lagoa Henriques ou, então, entrar na Igreja do Loreto, que fica defronte à da Encarnação. Sobretudo os turistas italianos, por razões patrióticas e óbvias, naturalmente.
Ora, há dias, lá retomei o hábito e entrei no Templo. Havia apenas uma mulher rezando, silenciosamente e de pé, frente a um dos altares do lado esquerdo da Igreja. Eu sentei-me no último banco do lado direito. Não se teriam passado 5 minutos, entraram duas jovens japonesas resmoneando alto, que também se sentaram, bastante mais à frente e continuaram na sua ladainha nipónica. Pouco depois, chegou um japonês magro e desengonçado, que deveria ser o pai delas, pela idade. Disse-lhes qualquer coisa e desatou logo a fotografar a torto e a direito, todos os altares e cantos da igreja. Não satisfeito, deitou-se de costas ao comprido, no corredor central, para tirar 2 fotografias ao tecto pintado do templo...
Eu iria apostar que, sobre a história da Igreja da Encarnação e seus aspectos culturais, ele nada saberia, nem se terá documentado, porventura. Depois disso, seguiu, tipo ratazana coleante, para a sacristia, em passos lépidos e coscuvilheiros, de máquina em punho.
Incomodado, levantei-me e saí...
Deus também já não se livra destes turistas de meia tigela.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Lisboa embrulhada


Até parece que Christo (1935) andou por aqui...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Soma e segue (2)


A notícia é de hoje, no Público.
E, nos casos referidos, a causa continua a ter origem no abusivo aumento de rendas.
Como diz um meu amigo, qualquer dia, nas zonas nobres das cidades portuguesas, os turistas irão cruzar-se apenas com turistas. E com hotéis, acrescento eu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bibliofilia 125


Quando eu pousei sobre a mesa o "Manual Político do Cidadão Portuguez" (2ª edição, 1908), de Trindade Coelho, o telefone tocou. F., o empregado do alfarrabista, atendeu pressuroso e eu continuei a volta pelas estantes da livraria, mas ia ouvindo : "...não, não, só trabalhamos com livros antigos..." Do outro lado, deviam insistir, porque F. continuava, gentilmente, a escusar-se ao telefone.
Terminada a minha volta, trouxe ainda para a mesa as "Notícias Históricas de Lisboa na Época da Restauração" (1971), que estava a bom preço (3 euros), quando F. desligou e rompeu às gargalhadas. De tal modo, que se sentiu na obrigação de me explicar o seu riso desbragado: "Sabe, a senhora queria convencer-me a todo o custo, para vender-me os livros. No seu último argumento, disse-me: são livros modernos, mas dos melhores autores portugueses, como o José Rodrigues dos Santos..."
A minha boca abriu-se, também, num sorriso cúmplice e compreensivo.