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sábado, 14 de janeiro de 2012

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XVI : post-scriptum 2



Dentro de uma semana (21/1/2012, sábado) iniciar-se-ão em Guimarães os acontecimentos de abertura da Cidade Europeia Capital de Cultura, na cidade. O jornal "Público", através do seu suplemento Fugas de hoje (14/1/2012), dedica 16 páginas ao facto, com informações úteis que não só contemplam a referência cronológica aos acontecimentos culturais mais importantes, como também inclui dados sobre alojamento, gastronomia, etc..
Aqui fica a informação para quem planeie visitar Guimarães, proximamente. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XV : post-scriptum 1



A revista Visão (passe a publicidade), de 29/12/2011, traz consigo no suplemento Vidas & Viagens, um programa detalhado (que recomendo) sobre os acontecimentos culturais mais relevantes, e respectivas datas, que vão ocorrer a partir de 21 de Janeiro de 2012, em Guimarães. Bem como informam sobre os locais a visitar, onde comer, comprar e dormir. Um mapa essencial da cidade acompanha as cerca de 50 páginas informativas.
O programa oficial editado pela autarquia, ao que me disseram, esgotou-se rapidamente, mas vai ser reeditado, em breve. Tenho pessoas amigas, em campo, para me conseguirem um exemplar. Dele darei notícia, se for mais completo, e oportuno fazê-lo. O dinamismo em Guimarães é grande, referiram-me. Mas eu não esperava outra coisa dos vimaranenses. E, também me dizem, que a cidade está mais bonita.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XIV : fora de portas




Não ficaria de bem comigo, ao acabar esta rubrica, se não alertasse o eventual visitante de Guimarães, no próximo ano de 2012, em que será Capital Europeia de Cultura, para dois locais que, não estando integrados na cidade, lhe estão próximos e, por várias razões, também associados. Refiro-me à Montanha da Penha (cerca de 650 metros, acima do mar) com fauna e flora próprias, um sóbrio Santuário mariano, várias grutas interessantes e dois simbólicos monumentos: ao papa Pio IX e, outro, em homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A Penha é um lugar ameníssimo, nos quentes dias de Verão, e tem um teleférico recente e moderno que transporta, rápidamente, os visitantes até ao cimo da montanha. Por outro lado, a cerca de 15 quilómetros de Guimarães, e pouco depois das Taipas, a Citânia de Briteiros, restos, reconstituídos em parte, do que foi um povoado primitivo (provavelmente datado de 200 ou 300 anos a. c.) que é o prolongamento prático do Museu Martins Sarmento. Foi, aliás, este arqueólogo vimaranense que descobriu a Citânia, e começou a pô-la a descoberto, em 1875. E os objectos, lá encontrados, constituem grande parte do acervo do Museu. Destaque para a estela funerária a que deram o nome de "Pedra Formosa", que é o ex-libris do Museu Martins Sarmento.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XIII : alguns monumentos e casas



Foram dois os principais núcleos irradiantes à volta dos quais cresceu e se desenvolveu a antiga Guimarães: o Castelo e a Colegiada ou Igreja de N. Sra. da Oliveira. Embora de fundação mais antiga, a sua traça deve a forma de base a Mumadona Dias que os reformulou no séc. X. O Castelo virá a ter o desenvolvimento de muralhas, circulando a Vila, nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I, de que restam alguns vestígios (o principal, na primeira imagem). No perímetro do Castelo, situa-se a pequena Igreja de S. Miguel e, no séc. XV, viriam a construir-se os Paços dos Duques de Bragança. Junto à Colegiada, existiu em tempos remotos, a Igreja dos francos, companheiros do Conde D. Henrique, sob a invocação de S. Tiago, na praça que, hoje, tem o seu nome. No adro da Colegiada, o Padrão do Salado celebra a batalha em que D. Afonso IV tomou parte. A partir destes dois focos monumentais, cresceu Guimarães.
São inúmeras as Igrejas e Capelas dispersas pela cidade e seria ocioso nomeá-las a todas. Destaco apenas, para além da Igreja de N. Sra. da Oliveira, a Igreja de S. Francisco, cuja construção se iniciou no séc. XIV e que conta, no seu acervo, com uma bela imagem de N. Sra. das Dores da autoria de Soares dos Reis. De moradias, devo realçar a dita mas improvável casa de Egas Moniz (embora medieval, e na segunda imagem deste poste), situada na Rua Nova. A casa dos Carvalhos, no Largo João Franco, com a sua torre singular, onde funcionou a poética Academia Vimaranense, no séc. XVIII, sob o patrocínio do fidalgo Afonso Lourenço de Carvalho. Mais tarde, foi moradia da família Mota Prego. E, ainda, a casa dos Lobos Machados, na Rua da Raínha (D. Maria II). E, finalmente, o palacete Vila Flor pertença, hoje, da Universidade do Minho. Mas o melhor será passear, sem bússola e sem guia, pelo Centro histórico de Guimarães, porque há muita coisa para ver e descobrir, por exemplo, na Rua de Sta. Maria...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses X: doçaria natalícia


Dentro do espírito natalício, lembrei-me do pequeno livrinho [145 x 105 mm] reproduzido abaixo. Tem 20 páginas, dedicadas aO Natal na Cozinha, publicação editada pelo Museu Alberto Sampaio, a propósito de uma exposição sobre o mesmo tema, em 1984, na cidade de Guimarães. Infelizmente, nunca mais encontrei este livrinho em visitas posteriores ao Museu.

Nas primeiras oito páginas fala-se da evolução dos hábitos alimentares para, de seguida, apresentar as várias receitas de doçaria natalícia: aletria, bacalhau doce, mexidos (com 6 variantes de receitas] e rabanadas (com 5 receitas).
Ora, é exactamente dos mexidos que escolhi receitas para reproduzir. Na imagem acima, uma variante publicada no Comércio de Guimarães que, aliás, anualmente e durante a época natalícia, costumava incluir receitas para a consoada. Outras variantes, que se seguem na imagem, foram tiradas do livrinho em epígrafe:


As receitas originais de Mexidos falam em pão de Padronelo que, mais a sul, se tem que substituir por pão de forma. Quanto ao resto, está tudo explicado nas receitas e confesso que é uma papinha doce, enriquecida com o melhor do campo: ovos, manteiga, mel, pinhões, nozes e vinho do Porto, muito apropriada para enfeitar a farta mesa natalícia, ao lado de rabanadas e de outras iguarias.

Post de HMJ

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses IX : pequena história (2)



Nestes nossos tempos de "apagada e vil tristeza" (Camões dixit) da nova usurpação estrangeira (agora por via económica) é importante recordar a Restauração de que, amanhã, passa mais um aniversário e que, provavelmente, será pela última vez feriado nacional. Até porque, actualmente, há muitos Miguéis de Vasconcelos, sobretudo entre os economistas portugueses...
Em Guimarães, a dominação filipina e castelhana nunca foi bem aceite. Já em 1580, o povo vimaranense tomou partido por D. António, Prior do Crato, que a arráia-miúda conhecia, por ele ter frequentado a Universidade da Costa. Muito embora o alcaide da Vila, Fernão Coutinho, fosse afecto aos castelhanos. Venceu, entretanto, a força, a cobiça e o dinheiro.
Por essa altura e desde há muito que já havia a comemoração tradicional da vitória de Aljubarrota, celebrada todos os anos a 14 de Agosto, com uma procissão de N. Sra. da Oliveira, uma missa de acção de graças e um sermão sobre essa motivo patriótico. A missa era dita no exterior da Colegiada, junto ao Padrão do Salado, onde eram exibidos o loudel (colete alongado e acolchoado que se vestia por baixo da armadura) ou pelote e a lança pessoal que D. João I oferecera, em preito de gratidão, à imagem da Virgem da Oliveira. Ora, em 1638, presidia aos destinos da Colegiada o D. Prior Bernardo de Ataíde, o pregador sagrado escolhido foi o franciscano Fr. Luís da Natividade que era o Superior do Convento de S. Francisco, em Guimarães. Este franciscano era um patriota de alma e coração, e aproveitou a oportunidade para apelar aos sentimentos nacionais e à revolta. Olhando para o loudel, ia dizendo: "... Vejo-vos, pelote, velho e roto: vejo-vos atravessado com a vossa própria lança (...) Só me resta a consolação de ver-vos diante desta Virgem da Oliveira, que se uma vez vos livrou da morte, vos pode ainda ressuscitar a nova vida." E disse mais ainda: "...O Reino que nessa roupa o invicto Senhor D. João nosso rei dedicou e sujeitou à Virgem da Oliveira, quando o vedes em tal estado, nele vedes também qual esteja o Reino."
Menos de 2 anos e 4 meses, depois, foi a Restauração. 

sábado, 26 de novembro de 2011

Aditamento (sonoro) ao poste sobre as Festas Nicolinas

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VIII : Festas Nicolinas



Das festas mais importantes de Guimarães, destacam-se pela singularidade: as Gualterianas e as Nicolinas. Ambas se acolhem à protecção de santos: S. Gualter, patrono de Guimarães, e S. Nicolau, dos estudantes. As Festas Gualterianas têm lugar em finais de Julho e prolongam-se até aos primeiros dias de Agosto, tendo um objectivo económico e turístico. As Festas Nicolinas começam sempre a 29 de Novembro e terminam a 6 de Dezembro e têm sobretudo um carácter lúdico, pois são feitas por e para os estudantes. O figurino na sua versão actual data dos finais do séc. XIX, mas os festejos estudantis já aconteciam, em Guimarães, no séc. XVII, embora numa versão mais incipiente, e muito dependente, ainda, da Igreja. Havia aliás uma capela de S. Nicolau que foi demolida nos anos 30 do século passado.
Por esta altura de Novembro, na cidade, já se ouve o rufar dos bombos e caixas num ruído cavo que se propaga pelas ruas, de manhã, no intervalo das aulas depois do almoço, e à tardinha. É o afinar dos toques, antes do início das festas. Os nós dos dedos sangram, por vezes, mas o rufar continua; e também acontece que o bombo fica "inutilizado", tal foi a força das baquetas que a pele rebentou. Mas tudo isto é antes do princípio, porque a verdadeira festa começa a 29 de Novembro, à noite, quando o Pinheiro (oferecido, tradicionalmente, pelo chefe da comissão das Festas Nicolinas) entra na cidade, puxado por carros de bois e trazido dos arrabaldes. O cortejo, acompanhado de estudantes tocando caixas e bombos, em ritmo compassado, terminará no Campo da Feira, onde a árvore (enorme, habitualmente) será enterrada, sem raízes, e aí ficará, até ao final das Nicolinas. A madeira será depois vendida para custear despesas. No entretanto haverá as "Posses" (ofertas de particulares aos estudantes, muitas vezes, em viandas), o "Magusto" (com castanhas assadas e líquidos à discrição...), a  noite da "Roubalheira" (em que os nicolinos mudam os pertences exteriores dos particulares para sítios insólitos. Vasos, roupa a secar, tudo que esteja à vista ou à mão é levado para locais improváveis e distantes.). Antes do cortejo final das Maçãzinhas, a 6 de Dezembro, haverá ainda a leitura do "Pregão" (pequena epopeia herói-cómica, habitualmente, em decassílabos marotos e de crítica a Guimarães e ao Mundo), declamação que é feita junto à Câmara Municipal, junto à casa que foi da Sra. Aninhas (chamada a Madrinha dos estudantes), e noutros locais da tradição Nicolina. A 6 de Dezembro, o ponto mais alto, com o cortejo de estudantes mascarados que oferecem da rua, às jovens raparigas nas janelas e varandas das casas, maçãzinhas na ponta de uma lança. E recebem delas, em retorno, pequenas ofertas que podem ir de colheres de pau até pequenas garrafinhas de Vinho do Porto. Quando as pequenas maçãs acabam, o estudante oferece a lança (de metal ou latão), adornada com fitas de diversas cores, à eleita do seu coração. Ou, então e manhosamente, só a dá, depois, no baile nocturno que encerra as festividades, para tirar maior "proveito" da oferenda...
Vale a pena ir ver as Festas Nicolinas, a Guimarães.

Nota: nas imagens, Nicolinos, prontos para começar o cortejo das "Maçãzinhas. Reproduz-se ainda uma parte do "Pregão" de 1985.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VII : pequena história (1)



Da primeira metade (1420?) do séc. XV até 1744, a cidade de Barcelos estava obrigada a enviar alguns homens para varrerem, em datas festivas, "a Praça Maior, o Padrão (do Salado) e os açougues" da cidade de Guimarães. O rei D. João V, a pedido dos barcelenses, concretamente dos habitantes das freguesias de Cunha e Ruilhe, revogou esta disposição régia de D. João I, libertando-os da servidão que eles consideravam humilhante.
Não há, conhecido, o suporte documental de origem que fundamente esta obrigação. Mas há vários autores (Padre Torquato de Azevedo, António da Costa Miranda, Fr. Rafael de Jesus) que referem esta disposição régia.
A causa desta obrigação de Barcelos foi objecto de acesa polémica entre J. Mancelos Sampaio (A servidão de Barcelos a Guimarães, 1943)  e A. L. de Carvalho (Guimarães em Ceuta, 1954). Ao que parece, em 1419, os árabes tentaram reconquistar Ceuta, na posse dos portugueses desde 1415. Um troço das muralhas exteriores da cidade africana era defendido por tropas de naturais de Barcelos e, ao lado, os muros contíguos eram apoiados por soldados de origem vimaranense. Acontece que os mouros lançaram um ataque fortíssimo sobre o perímetro defendido pelos barcelenses e estes recuaram, e começaram a fugir. Ao ver isto, o grupo de Guimarães dividiu-se em dois e, um deles, foi cobrir a posição desguarnecida das muralhas de Ceuta, conseguindo deter a invasão mourisca.
A partir de então, por provisão de D. João I, a cidade de Barcelos terá sido castigada e obrigada a mandar alguns homens varrer alguns locais de Guimarães, em datas festivas e com traje caricato: "com barrete vermelho na cabeça, banda vermelha ao ombro, espada à cinta, um pé calçado e outro descalço" - segundo refere o Padre Torquato de Azevedo. Até que D. João V, magnânimo, revogou este castigo, em Fevereiro de 1744.  

domingo, 13 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VI : itinerário mínimo



Imagine-se que o ilustre visitante tem dois a três dias para visitar Guimarães e assistir a algumas manifestações culturais, na urbe. Como os acontecimentos de cultura são, normalmente, ao fim da tarde ou à noite, disporá de algum tempo para respirar a atmosfera da cidade. Sendo assim, agrupei 4 núcleos mínimos que, pela proximidade, poderão ser visitados em outras tantas quatro etapas (2 manhãs e 2 tardes), como se segue (sendo a sequência arbitrária):
1. - Castelo de Guimarães, Igrejinha de S. Miguel e Paços dos Duques de Bragança.
2. - Igreja de N. Sra. da Oliveira (Colegiada), Padrão do Salado e Museu Alberto Sampaio.
3. - Igreja de S. Francisco, Largo do Toural e Museu Martins Sarmento.
4. - Passear a pé pela Rua da Raínha, Rua de Santa Maria e Praça de Santiago.
Não sendo tudo o que a cidade tem para oferecer ao turista, com este programa o visitante ficará com uma ideia razoável e suficiente sobre Guimarães.

Nota: as telas representadas são de autoria do pintor naïf vimaranense J. M. Silva.

à memória de M. da L. S. e de L. R. Teixeira.

sábado, 5 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses V : Gastronomia



Para ser rigoroso e exacto, não posso afirmar que haja muitos pratos genuinamente vimaranenses. Papas de sarrabulho, bacalhau recheado, rojões, também os há noutras localidades nortenhas e minhotas, e as diferenças não serão muitas. Retintamente vimaranense, há apenas o Arroz de bucho recheado, que eu saiba. Mas, de uma forma geral, come-se bem e com abundância, na cidade.
Ao mítico Restaurante Jordão, hoje fechado, onde nos podíamos deliciar com uns filetes de pescada, fresquíssimos, ou uns bifinhos de vitela, tenríssimos, a esse mítico "templo" de bem comer, outros lhe sucederam, honrando os pergaminhos da urbe. Não os cito, para não fazer publicidade.
Agora, quanto a doçaria, já a situação é outra. Se o pão-de-ló de Margaride, como o próprio nome indica, não é bem da cidade, também lá se faz e, com particular intensidade, na Páscoa. Bem como as cavacas. Mas os "ex-libris" serão, sempre: as tortas (com amêndoa, gemas de ovos, doce de chila ...) e o toucinho do céu. Ambos, ao que parece, vindos das receitas das Clarissas, do convento que já foi Liceu e é hoje a Câmara Municipal - Convento de Sta. Clara.
Nos anos 70 e 80, em Guimarães, só as irmãs "Costinhas" (assim lhes chamavam) sabiam e faziam tortas. E era preciso encomendá-las com 2 semanas de antecedência, tal era a procura. Mas hoje, felizmente, podemos encontrá-las nas principais confeitarias da cidade. São caras, valendo no entanto a pena prová-las, porque são deliciosas. Ficam no goto e memória gustativa, para sempre, as tortas de Guimarães. E são únicas, em toda a doçaria nacional.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses IV : Provérbios e dizeres



De provérbios com referência a Guimarães, conheço apenas três; dois deles com sugestões à indústria de cutelaria, florescente em meados dos anos 50 do século passado, mas que hoje já não terá muita força no tecido económico da cidade. A concentração destas pequenas fábricas era em Creixomil, a cerca de 2 quilómetros da urbe. Seguem os anexins:
1. - Guimarães, a cada porta sete cães.
2. - Guimarães, perna torta, pai dos cães.
3. - Guimarães esfola gatos e mata cães.
Os cães, como se pode ver, são recorrentes, mas creio que apenas servem para rimar com o nome da cidade. O esfolar será uma alusão indirecta à indústria de cortumes, hoje decadente ou quase inexistente. Quanto aos dizeres, o mais interessante é, para mim, este: "Guimarães tem uma sé sem bispo, um palácio sem rei, uma ponte sem rio". A "sé" refere-se à Colegiada ou Igreja de Nª. Sra. da Oliveira que tinha apenas direito a um Dom Prior que era, também, Monsenhor. O "palácio" é obviamente os Paços dos Duques de Bragança, junto ao Castelo. A "ponte" existia (existe?) no lugar de Sta. Luzia e passava por cima de um pequeno ribeiro que as gentes de Guimarães chamavam, pomposamente: Rio de Selho. E que, no Verão, secava e deixava de se ver.
Outro dos ditos era: "Se fores a Guimarães, tem cuidado com as canelas". Mais uma alusão à indústria de cutelaria que utilizava o osso dos animais (ou os cornos dos bovinos) para cabos de facas e de garfos. O último dos dizeres tem mais que se lhe diga. Refere: "Os de Guimarães têm duas caras." E era, liminarmente, rejeitado pelos vimaranenses, como sendo um insulto à sua dignidade. A origem terá sido uma estátua (nas imagens) que encimava um edifício, sediado próximo da Colegiada, e que serviu de Paços do Concelho (ou Câmara), para depois vir a ser, até há pouco tempo, o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. A estátua, que é provavelmente do séc. XVIII, representa um guerreiro. Começaram a chamar-lhe "o Guimarães". E como a armadura tem representada, no lugar da barriga, um rosto, a estátua teria 2 caras. Daí o dito referido.

domingo, 23 de outubro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses III : Homens ilustres



Não serão muitos os varões vimaranenses que, "por obras valorosas", tenham ganho fama e cuja celebridade tenha ultrapassado os limites regionais da cidade e concelho. Dos tempos da possível Araduca, e ainda não chamada Guimarães, há que referir o papa S. Dâmaso (305-384) que lá terá nascido; nos tempos antigos, Mumadona (ou Dona Muma), fundadora de um mosteiro dúplice que, mais tarde, daria origem à Colegiada e, pouco depois, nos alvores da nacionalidade aí nasceu o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques (1109?-1185). É discutível que Gil Vicente (1465-1536?) seja de lá natural, mas há quem isso defenda. Frei Rafael de Jesus (1614-1693), cronista e religioso, era vimaranense. Depois há um grande espaço até ao séc. XIX, até se poder referir Francisco Martins Sarmento (1833-1899) inspirado arqueólogo que pôs a descoberto a Citânia de Briteiros, e Alberto Sampaio, conscencioso historiador. E ainda Abel Salazar (1875-1941), médico e pintor estimável. Bem como Francisco Leite de Faria (1910-1995), frade capuchinho e grande bibliófilo. Finalmente, vivos e no presente, são vimaranenses o pintor José de Guimarães (1939), de nome próprio: José Maria Fernandes Marques; e a soprano Elisabete Matos. Seria injusto não referir o nome de Raul Brandão (1867-1930) que, tendo embora nascido na Foz (Porto), casou com uma Senhora de Guimarães, e era um vimaranense por adopção.
Queria destacar, também, o nome de três historiadores regionais que, sendo pouco conhecidos no exterior, têm apreciável e importante bibliografia sobre a região vimaranense. São eles, cronologicamente:
- João Gomes de Oliveira Guimarães (1853-1912), mais conhecido como Abade de Tagilde, que organizou a colectânea "Vimaranis Monumenta Historica", bem como várias obras sobre história religiosa.
- António Lopes de Carvalho (1881-?), que editava as suas obras sob o nome de A. L. de Carvalho, autor do livro "O S. Nicolau dos Estudantes" sobre as Festas Nicolinas, e do monumental "Os Mesteres de Guimarães", em 7 volumes.
- Manuel Alves de Oliveira (1902-1990) que foi director do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta e que publicou importantes estudos sobre Guimarães, na revista Boletim de Trabalhos Históricos.

domingo, 16 de outubro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses II : Guias de Turismo


Visitar uma cidade, no caso vertente, Guimarães que será, em 2012, Capital de Cultura Europeia, pressupõe normalmente alguma preparação logística, informativa e cultural. Embora a cidade não seja grande, é sempre vantajoso ter um Guia à mão, para nos orientarmos devidamente, fazer opções nas visitas e escolher os melhores percursos. É provável que haja guias turísticos da Cidade, anteriores a 1940, mas eu não os conheço. Assim, começarei cronologicamente pelo que foi editado por alturas do duplo centenário da Fundação e Restauração de Portugal. Como se segue:
1. "Roteiro da Cidade de Guimarães" (48 pgs. num.), de Jerónimo de Almeida. Guimarães, Esc. Ofic. de S. José, 1940.
2. "Guimarães - Guia de Turismo" (212 pgs.), de Alfredo Guimarães. Tipografia Porto Médico, Lda., Porto, 1953 (2ª edição).
3. "Guia de Portugal - Entre Douro e Minho - II Minho" (4º volume, com colaboração diversa, e com as páginas de 1134 a 1233, dedicadas a Guimarães). Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1965.
4. "Guimarães - roteiro turístico" (120 pgs.), de Barroso da Fonte. Editora Correio do Minho/SM - Braga, 1991.
5. "Guimarães - Roteiro Turístico" (208 pgs.), de Armindo Cachada. Ideal-Artes Gráficas, s/l, 1992.
Todas estas publicações tiveram o apoio da Câmara Municipal de Guimarães e desconheço se, para o acontecimento do próximo ano, a Autarquia irá editar algum novo Guia, ou reeditar algum dos mais antigos, aqui referidos. Seja como for, dos 5 Guias, penso que os mais interessantes e completos são os nº 2 e 3, pelo mais amplo enquadramento que fazem dos factores históricos, geográficos e culturais. Os dois últimos são, no entanto, mais portáteis.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses I


Guimarães será, em 2012, Capital Europeia de Cultura. Não sendo isento, eu diria: mais que merecidamente. Porque tem, em si, um património histórico, cultural, urbanístico e social invejável e muito bem cuidado - mérito de gerações e gerações vimaranenses que dele trataram com afecto e, também, souberam restaurar, genuína e condignamente. Há que confessá-lo, não sendo a terra onde nasci, Guimarães é a minha pátria adoptiva e estimo-a muito.
Por isso projectei, a partir deste mês de Outubro, ir dando conta paulatinamente de alguns factos de que tenho conhecimento, de algumas particularidades mais anódinas, ou úteis informações que possam interessar a quem visite a cidade, no próximo ano. Mas também de algumas obras ou livros importantes que possam contribuir para melhor conhecer a história de Guimarães.
Começarei por dar conta das monografias mais significativas sobre a cidade. O primeiro Alguém que falou, monograficamente, sobre Guimarães, terá sido André Afonso Peixoto que nasceu e viveu na cidade, tendo morrido a 15 de Abril de 1642. Mas não se lhe  conhece nem manuscrito, nem livro sobre o assunto. O segundo, citado por Barbosa Machado, foi Luís da Gama que também não deixou vestígios escritos, localizáveis. Na sequência cronológica, mas já documentados, aparecem as:
- "Memórias da Resuscitadas da Antiga Guimarães" (sic), obra escrita em 1692, pelo Padre Torcato Peixoto de Azevedo (1622-1705), mas só editadas em 1845. O livro teve uma 2ª edição em Abril de 2000.
- "Guimarães: apontamentos para a sua história" do Padre António José Ferreira Caldas (1843-1884). O livro foi publicado, em 2 volumes, no ano de 1881. Teve uma segunda edição, em 1996, promovida pela Sociedade Martins Sarmento e pela Câmara Municipal da cidade-berço.
- "Monografia de Guimarães e seu Termo", de António Lino (1914-1996), publicada em Lisboa, no ano de 1984.