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domingo, 8 de outubro de 2023

Divagações 189



Entre a fama e o apagamento dos lugares, o mais difícil é o gradual equilíbrio intermédio da passagem.
No primeiro capítulo do Viagens, livro focado anteriormente, aqui no Arpose, Stefan Zweig (1881-1942) escreve sobre a praia belga de Ostende, em 1902, então no seu esplendor turístico e veraneante. Também eu ouvira falar dela, ainda em meados do século XX, como praia estrangeira de moda. Mas quando por lá passei, em finais dos anos 90, a sua decadência era já notória e deprimente. Melhor estava, ou parecia estar, Blankenberge que sempre fora modesta ou pouca ambiciosa na sua projecção de destino turístico de Verão, guardada, muitas vezes, para mutilados da II Grande Guerra e famílias mais humildes ou de poucas posses.
O declínio de Ostende no final do século, fez-me lembrar a portuguesa praia da Granja, a norte, que também fora famosa, mas se encaminhara para a ruína turística, com os seus palacetes abandonados e jardins descuidados. Entretanto, e no sentido contrário, a Póvoa de Varzim que fora, nos anos 50/70, de arquitectura harmoniosa, à beira-mar, crescera depois, de forma desmesurada e selvática, para mal de nós.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Vem tarde


Às vezes, as coisas chegam um pouco tarde, mas também acontecem convergências felizes, tantas vezes inesperadas. Ostende não é a minha praia do Mar do Norte, ou da sempre simpática Flandres que, curiosamente, sempre foi acolhedora para com os portugueses. Da Bélgica, retenho de memória Blankenberge e um frio cortante, em Agosto.
Depois da magnífica canção de Léo Ferré, esta imagem de Ostende fazia todo o sentido. Virá tarde, mas sempre a tempo de a acompanhar, de perto, no Blogue.

com agradecimento fraterno ao António.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O clima e a memória


Tenho a profunda convicção que a memória não retém, com grande rigor, recordações climáticas extremas ou muito adversas. No meu caso particular é pacífica e certa a recordação da neve: aos 7, aos 14 e aos 20 anos, sempre no Norte. O maior frio que senti, foi num Janeiro de Lisboa, no local onde hoje se erguem (nessa altura ainda não existiam) as Torres das Amoreiras, no princípio dos anos 80. Mas o vento mais gelado que me "atravessou", aconteceu nos anos 90, Agosto, em Blankenberge, praia do Mar do Norte, e à noite. Maior calor de sempre: uma chegada ao Algarve, Agosto de 1976 - mal se conseguia respirar.
Ultimamente, passamos 2/3 dias de "algodão", com nevoeiro a cercar-nos por todos os lados, qualquer coisa entre Bergman e Londres, criando situações que pareciam irreais. E recordei-me de uma noite memorável de Janeiro (ou Fevereiro) de 1977 (?). Vinhamos cinco pessoas, do Porto, e jantamos num pequeno restaurante que ficava junto do local, a norte, onde acabava a Pateira de Fermentelos. Saímos do restaurante, cerca das 22,00 horas. Entre S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis, o nevoeiro era tão cerrado que o condutor do automóvel vinha com o rosto colado ao vidro da frente, tentando adivinhar o caminho. O parceiro do lado, vinha de cabeça de fora, dando indicações sucessivas. Os três que vinhamos atrás viviamos um constante sobressalto, inclinados para a frente. Quando chegamos a Lisboa já passava das 5,00 horas da manhã. Famílias, entretanto, preocupadíssimas...ainda não havia telemóveis.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Recomendado : Três - George Steiner


"É bem possível que a erudição mais elevada seja tão rara como a grande arte ou a grande poesia. Alguns dos dotes e qualidades que exige são óbvios: uma capacidade de concentração excepcional, uma memória poderosa mas minuciosamente precisa, finura e uma espécie de cepticismo piedoso a manejar a demonstração e as fontes, clareza na apresentação. ..."
(George Steiner, in "George Steiner em The New Yorker", pg. 271)

Eu gosto do vento. Acho que sempre gostei do vento, mesmo quando ele é agreste, como numa noite de Agosto, em Blankenberge que, de tão frio, me chegou aos ossos. Perdôo-lhe essa algidez tão intensa, que quase me pareceu mortal: precisa, certeira, no limite. Sem agasalho nenhum, nessa praia do Mar do Norte.
O pensamento de George Steiner (1929) é, também, preciso e certeiro no seu objectivo, mas não será final. Se E. M. Cioran, depois de Camus, foi meu guia (até por oposição) desde meados dos anos 60, Steiner continua a ser, felizmente ainda vivo, o meu mestre de ideias, de itinerário, de aviso, nesta viagem que se acaba com a morte. Porque transmite a sua lucidez de espírito que se vai reflectir no leitor, mas também essa alegria, juvenil ou madura (pouco importa) de viver. Aconselho, por isso, vivamente o livro "George Steiner em The New Yorker", da Gradiva, com excelente tradução de Miguel Serras Pereira e Joana Pedroso Correia, saído em Junho deste ano da graça de 2010.

sábado, 28 de novembro de 2009

BLANKENBERGE


Um rosto
tem sempre uma paisagem
nele inscrita.