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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Divagações 24


Não sei o nome da planta, mas a N. C. ofereceu-ma há muito, e ela todos os anos floresce, pela Primavera. Por breves dias, porém, apesar da sua magnificência, num esplendor triangular que rompe das sólidas e duras folhas verdes. Das três florações deste Maio, apenas uma sobrevive, no calor que se faz sentir, na varanda a leste. Vou olhando para ela, a intervalos, por entre a leitura do "Diário Remendado, 1971-1975", de Luiz Pacheco, que já vai quase no fim. Mais dois ou três dias: para a flor e para o livro.
A planta retomará a sua hibernação de beleza e o seu silêncio, apenas verde. Para, talvez dentro de um ano, voltar a florir. Não muito a propósito repesco, não sabendo de todo porquê, o poema de Denise Levertov  (1923-1997) que li de manhã, para o traduzir:

o poeta, a sua presença
de urso afectuoso, deslocando o seu peso na cadeira demasiado pequena para ele,
tranquilo diz, timidamente: « O Poeta
                                           não deve perder nunca o desespero.»