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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Da leitura (16)


                                                                                                                                              3 de Março
Cidades construídas em colinas à borda de água vi eu muitas. Por diferentes que sejam Marselha, Argel, Lisboa, Nápoles, todas elas têm um traço comum: as suas colinas foram utilizadas como elemento arquitectónico; as ruas adaptam-se-lhes às curvas, trepam em espirais, de modo que quase de toda a parte se vê o mar; o plano, complicado nos mapas, apresenta-se na realidade como natural e simples. (...)

Simone de Beauvoir, in A América dia a dia (pg. 139).

sábado, 2 de março de 2013

Bibliofilia 77 : Aquilino Ribeiro


É sabido que, de Aquilino Ribeiro (1885-1963), algumas das obras menos frequentes e difíceis de adquirir são: a edição original da monografia "Oeiras" e "Leal da Câmara: vida e obra". Também as tiragens especiais, com ilustrações de pintores portugueses (de Pomar a Hogan...), editadas pela Livraria Bertrand, não aparecem muito à venda. Bem como alguns livros que Aquilino escreveu para crianças.
Esta obrinha, em imagem, "Os Olhos Deslumbrados", em papel de jornal, frágil, também não é frequente estar disponível em alfarrabistas, ou constar de leilões de livros. Editada pelo jornal Diário de Lisboa, em 1955, era um brinde-oferta de Natal, aos leitores. Com 64 páginas, inclui a novela homónima, que constava, inicialmente, do livro "Filhas de Babilónia", de 1914. A capa tem um desenho original de Carlos Botelho.
Comprei o meu exemplar nos anos 80 do século passado, por Esc. 150$00, em Lisboa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Inventário sucinto de Lisboa, ao começo da tarde


a) as ninfetas afro desciam barulhentas, entrançadas e ágeis as escadas rolantes do Metro. Eu subi-as, a suar. Ao inverso das idades: eu é que me vou aproximando da terra.
b) um pobre tolo laureado percorria, interminavelmente, um espaço marcado e reduzido na Rua do Crucifixo. Sempre para cá e para lá. A coroa, que arranjou algures, não tinha diamantes nem safiras, mas encaixes dourados e folhas de louro artificiais. Um Vergilio enlouquecido?
c) depois do almoço, não resisto a uma ginginha, nas Portas de Santo Antão. Pedi-a fresca e "com elas" - há mais de trinta anos que não fazia isto. Estarei a reverdecer, com este Verão de S. Martinho? Mas soube-me muito bem, o resto pouco importa.
d) novas oportunidades no Rossio: de leste para oeste. Na esplanada do antigo Café Gelo, um romani entoa, ao som de uma pandeireta, um canto ininteligível bárbaro e silvestre: ttrrriii-ti, tam-tam, trriuuu.... Estará a dizer alguma coisa importante? Não faço a menor ideia. Mas os surrealistas, se ainda por cá andassem, haviam de gostar. Os grisalhos turistas de paquete, pela cara, não estavam a apreciar...
e) na antiga Rua Velha do Tesouro, vislumbro um perfil que poderia ser o do Pretendente. Iria para o escritório régio? Ou estaria a fazer uma romagem de saudade pela calçada dos antigos duques? Também não sei, mas pareceu-me cansado, e ia cabisbaixo e decadente.