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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (124)


Todo o movimento tem ritmos. Acelerações e pausas. Os ideais também esbarram muitas vezes com prosaicas realidades não previstas, que podem vir a ser caricaturas dos sonhos iniciais ou, pelo menos, esboços inacabados do possível. Talvez, no fundo, a miragem fosse grande demais para o país e os homens excessivamente pequenos para levar a cabo a tarefa. Cansaram-se, pelo caminho...
A esta foto-metáfora, de Alfredo Cunha (1953), eu daria o título de: o repouso do guerreiro. Há 3 apelidos que gostaria de juntar: Maia, Antunes e Cardoso. O militar, o ideólogo e o político que mitificam, para mim, o 25 de Abril. Depois, há mais 6 ou 7 nomes modestos ou anónimos que nem sequer chegaram à História, mas permanecem na minha memória.
Evito a ladainha das canções que, por esta altura se repetem, numa cacofonia babélica e as palavras grandiloquentes que é habitual virem à tona, neste dia. Não há, por aqui, pessimismo, mas a realidade de um país possível, de que falava Ruy Belo (1933-1978), em livro homónimo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Divagações 32


Um artista, quer ele seja romancista ou poeta, pintor ou escultor, músico que seja, terá de ter, naturalmente, algumas obsessões, sem as quais não alcançará um estilo, uma personalidade e uma coerência. Já em relação à res publica, Lopes Cardoso dizia que "um político que não se repete, não é coerente".
E é esse estilo, esse motivo ou tema que permite a um amador, mas fiel observador, reconhecer no poema, na tela, no exercício público, um desígnio e uma matriz essencial, que denuncia a mão do seu autor. Através de um mimetismo de sinais, de traços ou palavras que, paralela e cronologicamente, se vão repetindo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Divagações 5



"Sempre acreditei que o desejo de ser constante comigo mesmo implicava muitas vezes o risco da insinceridade" escreveu André Gide (1869-1951) em Retour de l'U.R.S.S. (1936). Lembro-me, em simultâneo, de uma frase de António Lopes Cardoso (1933-2000), deputado que foi, também, ministro da Agricultura. Dizia ele que "um político que é coerente, repete-se". Estas duas frases, ambas com implicações políticas, revelam uma preocupação de autenticidade, uma ética e noção de princípios que, hoje em dia, importam a poucos. Gide, ao publicar o livro referido acima, foi duramente criticado por ter, no fundo e apenas, uma visão desassombrada e algo crítica sobre a U.R.S.S. de Estaline, onde tinha estado em visita, pouco antes. É sempre perigoso ter razão antes do tempo. Lopes Cardoso acabou por abandonar o PS e é, hoje, um homem quase esquecido. Era um homem que fazia política por convicções. Mas a memória é curta em relação à coerência e privilegia mais tudo aquilo que é politicamente correcto, e ordenado pelos cânones dominantes. O tempo acabou por dar razão a André Gide mas, entretanto, o escritor francês, que teve o Nobel da Literatura em 1947, já tinha morrido.

sábado, 24 de abril de 2010

3 Figuras para o 25 de Abril




1. Fernando José Salgueiro Maia (1944-1992), o operacional do Movimento.

2. Ernesto Augusto Melo Antunes (1933-1999), o teórico da Revolução.

3. António Lopes Cardoso (1933-2000), o político solidário.