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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Não só, mas também


O lado mais popular, e efémero, da visita breve do papa Francisco a Fátima, fez esquecer e obscureceu alguns aspectos secundários que foram propiciados por essa visita, e cuja importância ainda se pode avaliar e fruir.
Falou-se pouco, ou quase nada, das obras de arte que acompanharam a visita pontifícia, vindas dos Museus do Vaticano, e que enobrecem, temporária mas grandemente, duas exposições de Lisboa, que ainda podem ser vistas. Uma, de que aqui já falámos, na galeria de exposições da Igreja de S. Roque, a propósito do pentacentenário do Compromisso da Misericórdia (1516); outra, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), sob o título ou temática: Madonna.
Visitámos, hoje, esta última mostra. E se a surpresa de encontrar um pequeno Chagall inesperado, vindo dos Museus do Vaticano, me deslumbrou, não fiquei indiferente à cópia da Pietá de Miguel Ângelo, ou às pequenas tábuas de Rafael Sanzio. E pude assim rever, também, o único Da Vinci, nas terras portuguesas, esse, vindo do Porto, da sua Faculdade de Belas-Artes, que muito raramente é exposto, por razões óbvias. E que, se calhar, muito pouca gente conhece...


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Exposição : Compromisso da Misericórdia


Não será do interesse geral, mas de alguns. E poderá despertar, em outros, a curiosidade de saber mais e melhor.
Para celebrar o pentacentenário da primeira edição impressa (1516) do Compromisso da Misericórdia, a Santa Casa de Lisboa inaugurou uma interessantíssima exposição, anexa à Igreja de S. Roque, que estará patente ao público até 10 de Setembro de 2017. O catálogo é precioso, pelos textos especializados e qualidade da iconografia temática. Desta última, destacaria duas obras quatrocentistas: uma que veio do Vaticano e outra de Teruel, sendo que esta última, em imagem, acompanha (parcialmente) a frente do magnífico catálogo. Mas há também um quadro atribuído a Gregório Lopes, numa das salas, que merece ser visto.
A não perder, portanto.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Balanço das terras interiores


Arrumadas as impressões mais vivas e passadas as sensações pelo crivo analítico dos dias que, entretanto, foram decorrendo, havia que extrair uma suma destas errâncias que, tirando Faro com mar à vista, foram todas pelas terras do interior.
A primeira palavra que me ocorre é afabilidade, das gentes, e a compostura agradável das vilas e cidades. Mais uma vez Faro é excepção, na sua desarrumação quase caótica. A juventude do ar de Évora (a Universidade ajuda...) surpreendeu-me, muito embora o Fundão, que também tem um pólo de ensino superior, me tenha parecido sonolento e envelhecido. Destaque para a vivacidade dinâmica de Viseu, apesar das suas dezenas de rotundas absurdas. Confirmei o meu gosto por Evoramonte, apesar de adormecida no tempo. Como entorpecidos, e menos belos, me pareceram Fronteira, Ourique, Cabeço de Vide ou, até, Montemor-o-Novo.
E como o nosso percurso tivesse objectivos muito precisos (ver os Compromissos da Misericórdia, na sua impressão de 1516, de Valentim Fernandes  e Hermão de Campos), tive a noção real de quanto esta Instituição (Misericórdia) é importante, e a sua função é nobilíssima, para estas terras interiores tão carecidas de infra-estruturas sociais de apoio às populações mais desfavorecidas. Destaque, mais uma vez, para Evoramonte, cuja Misericórdia me pareceu funcionar em moldes de grande profissionalismo.
Respira-se, no entanto, um ar parado por estas regiões, que parecem sem futuro, na maior parte das zonas visitadas. Uma última palavra simpática para a gastronomia regional que, mesmo em restaurantes modestos e despretensiosos, era de muito boa qualidade e paladares.