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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

As palavras do dia (51)



Caridade e ganância de mãos dadas, ou os extremos tocam-se, muitas vezes. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Exposição : Compromisso da Misericórdia


Não será do interesse geral, mas de alguns. E poderá despertar, em outros, a curiosidade de saber mais e melhor.
Para celebrar o pentacentenário da primeira edição impressa (1516) do Compromisso da Misericórdia, a Santa Casa de Lisboa inaugurou uma interessantíssima exposição, anexa à Igreja de S. Roque, que estará patente ao público até 10 de Setembro de 2017. O catálogo é precioso, pelos textos especializados e qualidade da iconografia temática. Desta última, destacaria duas obras quatrocentistas: uma que veio do Vaticano e outra de Teruel, sendo que esta última, em imagem, acompanha (parcialmente) a frente do magnífico catálogo. Mas há também um quadro atribuído a Gregório Lopes, numa das salas, que merece ser visto.
A não perder, portanto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Suburbanidades


Entre as raspadinhas e a "Caras", o coração dos séniores divide-se, na tabacaria onde compro o jornal. Mas há também os indefectíveis do euromilhões, e os já muito raros compradores da lotaria nacional. O jogo e os sonhos róseos fazem sempre parte do cenário das crises e a Santa Casa registou, em 2012, um novo recorde de vendas.
Cá fora já há brotos de mimosas e o amarelo das azedas ultrapassa, em extensão, as flores brancas do frio, a caminho da Primavera. Um dos dois cães vadios, desta zona outrabandista, envelheceu muito, agora que o vejo, desde a última vez. Corpulento, ficou mais desengonçado e trôpego. O outro é pequenino, branco sujo das vadiagens, videirinho e lulu. Tem um andar apressado, como se tivesse sempre qualquer coisa a fazer.
O cão velho parece mais reflectido e minucioso. Qualquer coisa que se levante do chão, merece-lhe cheiro ou faro, talvez para medir e marcar o seu espaço, mas nada conspurca, enquanto o vejo. De olhar piedoso, mas resignado, por três vezes sobe o degrau para o café Avenida, mas não chega a entrar. Abana a cauda, talvez pelo ar aquecido que sente, fareja as portas de metal, e retrocede, cabisbaixo. Só levanta a cabeça, numa esperança mole, para quem entra. E não ladra. Provavelmente, já se habituou à crise e esqueceu, decerto sem rancor, quem o abandonou.