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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Da leitura 62


Por aqui se hão-de ver algumas diferenças de dois celebrados realizadores do cinema italiano:

 


" A 9 de Maio de 1962 iniciam-se em Roma as filmagens de 8 e 1/2 de Federico Fellini (1929 -1993). Cinco dias mais tarde começam na Sicília as de O Leopardo, de Luchino Visconti (1906-1976). Ambos os filmes se acabam em Outubro desse ano. (...) Visconti programou tudo. Fellini deixa-se levar pelas circunstâncias. Tudo opõe Luchino Visconti e Federico Fellini. (...) No cenário de Fellini reina a confusão. Sem ruido este último perde a sua calma e a sua inspiração. Com Visconti, o silêncio é de rigor, e a sua equipa vive no temor de o pertubar."

Samuel Blumenfeld, in En 1962, l'apogée du cinema italien (Le Monde, 11 de Julho de 2025).

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Antologia 26

 

Se porventura eu tivesse de escolher apenas um filme dos que se seguiram à fase do neo-realismo cinematográfico italiano, não hesitaria em optar por Una Vita Difficile (1961), realizado exemplarmente por Dino Risi (1916-2008). Muito bem acompanhado pelos desempenhos de Alberto Sordi (1920-2003) e Lea Massari (1931-2025), artista discreta que trabalhou com os maiores realizadores italianos e franceses. E que eu acabo de saber que faleceu recentemente (23/6), em Roma.

sábado, 16 de dezembro de 2023

domingo, 19 de novembro de 2023

Um terceto italiano em versão portuguesa



Despedida  

Vós o sabeis, meus amigos, e eu sei.
Também os versos são quase bolas de sabão:
umas sobem, outras não.


Umberto Saba (1883-1957), in Cose leggere e vaganti, 1920.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Poema de Giuseppe Ungaretti (1888-1970), em versão portuguesa

 

Agonia

Morrer como as cotovias sequiosas
sobre a miragem próxima

Ou como a codorniz
ultrapassado o mar
e já sobre os primeiros arbustos
não deseja mais voar

Não viver mais no lamento
como um pintassilgo cego

sábado, 28 de maio de 2022

Citações CDXXXIV

 


A Itália é apenas uma expressão geográfica.

Príncipe de Metternich (1773-1859), em Carta de 19/11/1849.

quarta-feira, 23 de março de 2022

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Adagiário CCCXVII

 

Inglese italianizzato diavolo incarnato.


(Provérbio italiano.)

domingo, 15 de março de 2020

terça-feira, 6 de agosto de 2019

História e diplomacia


Tenho vindo a ler ( a princípio, imaginei que fosse fastidiosa...), com crescente curiosidade e interesse, a correspondência diplomática de J. F. Borges de Castro (1825-1887), representante português na corte de Turim, endereçada para as Necessidades, durante os anos sessenta do século XIX. Esta correspondência diplomática, publicada, termina em 4/10/1870. É uma época crucial para a mini-Itália recém criada, que ainda não tinha englobado o Veneto (pertença ainda do império austro-húngaro) nem os territórios pontifícios de Pio IX. Mas já Garibaldi e os seus guerrilheiros ameaçavam estes últimos.
A correspondência foi coligida e seleccionada por Eduardo Brazão (1907-1987), para a revista Biblos (vol. XXXVIII, 1962), com cuidadosa inteligência. E ocupa 534 páginas da publicação da FLUC.
É também por esta altura (1862) que se começa a tratar do casamento de Maria Pia, filha de Vitor Emanuel II (1814-1878), com o nosso rei D. Luís. E a Itália, apesar de muitíssimo endividada (como hoje, aliás...), ainda ajusta um dote de valor considerável para a nossa futura rainha. Procurando insistentemente o apoio da Prússia e de Bismarck, para equilibrar a defesa aguerrida que Napoleão III, da França, faz do Papa e seus territórios, Vitor Emanuel II desenvolve, cumulativamente, uma rede de contactos com a Rússia e a Inglaterra.
Os relatórios e correspondência de Borges de Castro são de uma meridiana clareza, em todos os aspectos, definindo até as individualidades italianas que deveriam ser agraciadas com comendas portuguesas, por altura do casório régio (dantes como agora, muitas...). E ainda mais umas quantas, quando, 2 anos depois, os reis portugueses vão a Itália mostrar ao avô Emanuel, o seu neto Carlos de Bragança, nosso futuro rei.
Mas o que mais me surpreendeu, foi o retrato que Borges de Castro traça de Garibaldi (1807-1882). Um autêntico antecessor de Che Guevara e já incómodo, na sua irrequietude belicosa, para os políticos conservadores italianos. Um pouco como depois Guevara terá sido, algo incómodo, para Fidel... A história repete-se, com algumas semelhanças, nos comportamentos humanos.

sábado, 18 de novembro de 2017

Revivalismo Ligeiro CCLXXIV

Um sucesso dos anos 30 italianos, interpretado por Carlo Buti (1902-1962), que eu  me fartei de ouvir nos anos 50/60, e que Pavarotti ainda interpretou nos anos 90, com agrado do público, em Nova Iorque.
Mas que bela voz tinha Carlo Buti!...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

As gentilezas da democracia


Teve pouca divulgação mediática, pelo menos por cá, e ainda menos repercussão comentada, a notícia de que as autoridades italianas tinham decidido mandar tapar uma parte das estátuas de nus, em Roma. Este pudor gentil e amorável, muito caridoso e cristão, destinava-se a não chocar S. Eminência, o presidente do Irão, na sua visita à capital italiana, quando passasse por esses locais.
O incauto e não informado turista, que por lá andasse, haveria de pensar que se tratava de mais uma instalação ou intervenção do artista búlgaro Christo (1935) que, no passado, já tinha embrulhado o Reichstag, em Berlim, e a Pont-Neuf, em Paris. Porque, se estivesse ao corrente das verdadeiras razões, teria de concluir que o ditado "Em Roma, sê romano!" deixara de fazer qualquer sentido. Graças às gentilezas italianas da democracia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Pinacoteca Pessoal 106



Não sendo eu grande apreciador da temática Natureza Morta, em pintura, abro sempre uma ou outra excepção para artistas ou obra singular de pintores cuja técnica e qualidade estética me surpreendem e maravilham.
Destaco hoje dois nomes que atestam a evolução da temática, em Itália. As duas primeiras imagens são da autoria da pintora Giovanna Garzoni (1600-1670), que foi também aguarelista celebrada. As suas obras eram muito disputadas e alcançavam altos preços, pelo menos, enquanto foi viva.
A última tela foi executada por volta de 1700 e é obra de Cristoforo Munari (1667-1720), incluído normalmente na escola do Barroco tardio, notável perfeccionista e considerado um dos maiores pintores de naturezas mortas, em Itália. A obra tentaria expressar os cinco sentidos do corpo humano, sendo que o relógio, dominante, chamava a atenção para a fugacidade da vida.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um debate


A propósito do crescimento exponencial da extrema-direita na Europa, e particularmente em França, o último L'Obs (nº. 2609) transcreve o diálogo de um debate, que promoveu, entre dois historiadores, estudiosos do fascismo: o israelita Zeev Sternhell (1935) e o francês Serge Berstein (1934). Divergentes quanto ao berço (França? Itália?) dessa doutrina e prática política, os historiadores não tiram uma conclusão definitiva. Mas houve uma pergunta retórica de Berstein que eu sublinhei e retive: A partir de 1926-1927, une question se pose avec force: que peut-on proposer à un pays qui ne retrouvera jamais la prosperité et la joie de vivre de la Belle Epoque?

segunda-feira, 17 de março de 2014

Versão portuguesa de um poema de Luigi di Ruscio (1930-2011)


8.
Por um inverno inteiro uma vespa
foi o nosso único animal doméstico
e para alimentá-la nos bastou
uma pequena gota de água e açúcar semanal
com a primavera ela foi-se para sempre
para se acomodar numa refinaria infinita
e hoje se quiser sair da sombra até à luz
um breve bater de asas será suficiente


Luigi di Ruscio, in L'iddio ridente.

domingo, 9 de março de 2014

Marcadores 19


Inesperadamente, este marcador surgiu-me no meio de uma pilha de livros, e aqui fica. Insólito, e de formato pouco canónico, não deixaria de ser útil e apropriado para livros de cozinha ou sobre gastronomia. A mim, lembra-me a Rita Pavone...

sábado, 12 de outubro de 2013

Pequena história (25)


A informação colhi-a no TLS (nº 5765), a propósito da tradução dum livro (Italian Identity in the Kitchen) de Massimo Montanari. E, se a primeira informação peca por demasiado generalista, a história sequente é, pelo menos, interessante.
Assim, o articulista refere que a gastronomia tradicional italiana tem dois contribuintes primitivos e maiores: os romanos, com o pão, o vinho e o azeite; e os bárbaros, que trouxeram a carne, o leite, a manteiga e o toucinho.
A historieta também é simples. Conta-se que Cavour (1810-1861), aquando da reunificação de Itália, ao ser tomada a Sicília - grande produtor de laranjas -, mas faltando ocupar e conquistar Nápoles (pátria regional do macarrão), terá dito para os seus companheiros: "As laranjas já estão na mesa, já podemos comê-las. Quanto ao macarrão, temos de esperar mais um pouco, porque ainda não está cozinhado..."

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Marcadores (10)


De fina execução estética, os dois marcadores, em presença, vieram de Itália. Ambos reproduzem iluminuras. Um deles, representando S. Francisco, veio da Assis, oferta das Edizioni Daca. O outro, com simbologia do signo astrológico de Peixes, é um detalhe dum Livro de Horas do séc. XV, da Toscânia. E veio de Florença.

quarta-feira, 12 de junho de 2013