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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Bibliofilia 202



Recebi recentemente um catálogo de Natal de um livreiro alfarrabista de Lisboa, promovendo a venda de alguns livros interessantes. De uma forma geral apercebi-me que havia uma acentuada quebra de preços, muito embora, por outro lado, algumas obras mais procuradas e raras se tinham estabilizado ou até, nalguns poucos casos, subido de valor. No primeiro caso, estava a Antologia de Poesia Erótica e Satírica, na sua contrafacção do Rio de Janeiro, sem as ilustrações de Cruzeiro Seixas, que se vendia por 30 euros; ora a mais próxima venda anterior tinha alcançado os 68 euros, segundo os meus apontamentos. Da Artis, vinha proposta a venda, da colecção de as mais belas poesias trovadorescas, da écloga Crisfal, a 25 euros. Esta colecção é de grande qualidade estética, e foi editada durante parte dos anos 50/ 60.



As obras, de cada um dos autores, numeradas, tiveram orientação e escolha de José Régio, tendo sido ilustradas pelos melhores pintores portugueses da altura. Nomeadamente: João Abel Manta, Alice Jorge, Rogério Ribeiro, Júlio Pomar, Lima de Freitas...



Fui ver o que tinha: os números 7, 10 e 12. Respectivamente, de Sá de Miranda, Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz. Pois todos eles tinham sido comprados (em muito bom estado) por apenas 6 euros, cada um.

Ora, de 25 para 6 euros, de há uns anos atrás, sempre é uma diferença de tomo muito significativa.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma louvável iniciativa (15)


Há autarquias que têm, na sua agenda, uma contínua preocupação cultural. Outras que lhe preferem preocupações desportivas ou pedestres, como a idolatria do futebol, com as suas adjacências compensadoras; ainda outras, privilegiam automóveis antigos, rotundas redundantes, para enganar o pagode, ou fazer o gosto ao dedo da construção civil e suas octópodes prebendas. A cultura, convenhamos, é um nicho pequeno e raramente dá lucros significativos. Mas dar importância à cultura, em detrimento do ópio futebolístico, sempre me pareceu um acto corajoso, desinteressado e nobre. E uma louvável iniciativa.
A Câmara de Almada resolveu, para celebrar o Dia da Mulher, inaugurar uma exposição colectiva (Autorrepresentações de Mulheres) de pintoras (7 artistas), que se manterá aberta até 20 de Abril. Mas, já antes, anunciara uma mostra dedicada ao pintor Rogério Ribeiro (1930-2008), na Casa da Cerca. Pode, eventualmente, discutir-se o gosto estético e oportunidade das escolhas, mas o facto, em si, para mim, é significativo e, a todos os títulos, louvável.