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terça-feira, 31 de maio de 2022

Humor negro (17)

 

Cascos de Rolha

A mulher andava à procura do seu homem há três dias. Um amigo dos copos disse-lhe que ele estava em cascos de rolha. Ela não acreditou.
Foi encontrá-lo morto na adega.


Pedro Monteiro (1969), in Galáxia de Berlindes - Textos Ultrabreves, 2012 (pg. 41).

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Comic Relief (151)


Últimas três graças, que seleccionei, do esfuziante livrinho Galáxia de Berlindes (2012), do jurista e diplomata Pedro Monteiro (1969). Obra imaginosa que me deu momentos de muito boa disposição, e que aqui venho partilhar, gostosamente.


Diagnóstico Idiomático

O paciente informou que tinha dor de cotovelo. O ortopedista concluiu que teria dado o braço a torcer.

Racista en Herbe

Já em pequeno gostava de enforcar no bonsai da irmã os pequenos índios de plástico com que brincava.

O Anjo

O anjo Rafael espezinhou a coroa de espinhos de Cristo, insultou a Nossa Senhora, roubou a lança a um soldado romano e espetou São Pedro no traseiro.
O padre Bento tirou-lhe as asas e escorraçou-o da procissão.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Em prol da cultura alfacinha


No Bairro Popular

Embora apoucada, o Costa do Castelo e a Júlia Florista nunca deixaram de amar com alegria a sua filha, conhecida no bairro popular como a Maluquinha de Arroios. 

Pedro Monteiro (1969), in Galáxia de Berlindes (pg. 67).

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Comic Relief (150)


Casaquinho

A ursa polar fez uma promessa à filha: se tirasse boas notas, oferecia-lhe um casaquinho de pele de menina para as noites mais frescas de verão.

Caçador de Estrelas

Há meses que o miúdo tentava, em vão, alvejar estrelas com uma pressão-de-ar.
Preparava-se para desistir quando, após um novo tiro pouco convicto, uma estrela cadente riscou o céu.

Pedro Monteiro (1969), in Galáxia de Berlindes (2012).

sábado, 6 de julho de 2019

Pedro Monteiro (1969)


Pouco posso dizer sobre Pedro Monteiro, que nasceu algures em Portugal (Coimbra? Manteigas? Bragança?), a 4 de Julho de 1969. Com formação jurídica, dedicou-se desde cedo à diplomacia, cumprindo missões, pelo menos, em 3 continentes. Deslocações quotidianas em Paris, entre a sua casa e a embaixada, deram-lhe matéria, nas viagens de metro, para breves reflexões.


Que vieram a integrar um voluminho (Galáxia de Berlindes, 2012) de 128 páginas, em edição de autor, discreta, mas de muito bom gosto, com grafismo e capa de Rui Cardoso.
Os textos, por entre o aforismo e a greguería (à Gómez de la Serna), uma ou outra vez sugerem um haikai ligeiramente poético para que as palavras tendem, imperceptivelmente. Mas também se temperam de um humor muito original, que nos ajuda a viver melhor, pela riqueza da imaginação.
Deixo três exemplos da primeira página deste pequeno-grande livrinho de Pedro Monteiro.