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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Curiosidades 115

 

É conhecido o gosto malsão que Marguerite Duras (1914-1996) tinha em disparar sobre colegas de Letras, mais ainda se fossem potenciais rivais. Uma das visadas era Marguerite Yourcenar (1903-1987), de cuja obra ela dizia: " Les Mémoires d'Hadrien são um grande livro: o resto, a partir dos Archives du Nord, parece-me ilegível." Entretanto, vingança do tempo, enquanto Yourcenar foi a primeira escritora a entrar na Academia Francesa, a Marguerite Duras foi-lhe sempre recusado o acesso por não ser "conveniente"...



segunda-feira, 13 de maio de 2024

Divagações 193


 
Ao atingirmos aquilo que pensamos ser o ápice de preferência na obra de um escritor, pontualmente, não conseguimos imaginar que possa vir a aparecer ainda um livro maior que venha a destronar esse inicial que tanto nos tinha agradado. São acasos felizes que, por sinal, já me aconteceram com dois escritores de língua francesa: Albert Camus (1913-1960) e Marguerite Yourcenar (1903-1987).
Se O Estrangeiro (1942) editado na colecção Miniatura (nº 48) me fora um livro marcante, A Queda (1956), que na mesma colecção (nº 76) viria depois a ser publicado, veio a ganhar as minhas preferências no conjunto da obra de Albert Camus.
Simultaneamente, também Memórias de Adriano (1951), que tinha sido uma boa surpresa na leitura, viria a ser suplantado, no meu gosto, por A Obra ao Negro (1968) da escritora belga, alguns anos mais tarde.
Estas duas experiências constituíram acontecimentos muito agradáveis e inesperados para mim.



terça-feira, 10 de outubro de 2023

Do que fui lendo por aí... 60

 

Amar um escritor, é querer que ele nunca pare de escrever. Assim, depois da sua morte, antes de nos prepararmos para nunca mais, senão relê-lo, passámos a pente fino dossiês e papéis dispersos, na esperança muitas vezes desiludida de descobrir um inédito maior, um diário íntimo surpreendente, uma correspondência desconhecida. Quando esgotamos todas estas pistas, só nos resta aquilo que os amadores chamam «curiosidades» ou «documentos» - que os contemporâneos se apressam a designar como "fundos de gaveta". É certo que a fronteira entre eles é frágil. Ela passa pela estima que dedicamos ao escritor em questão. E pelo desejo de compreensão tão amplo quanto possível dum percurso literário. Portanto, de uma vida.

Josyane Savigneau (1951), em prefácio a Conte bleau..., de Marguerite Yourcenar (1903-1987).

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Citações CDXXXIII



Eu creio que é preciso sempre um rasgo de loucura para construir um destino.

Marguerite Yourcenar (1903-1987), in Les Yeux Ouverts (1980).

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Divagações 170



Por desfastio, colhi das estantes da sala o De Olhos Abertos, livro de Marguerite Yourcenar (1903-1987), e logo, ao reler as primeiras frases da escritora, a empatia  e o interesse se me reacenderam. Raramente, isto me acontece. Três exemplos me vêm ao espírito, de desencontros notórios, de autores ainda que estimáveis, mas cujos textos se me tornam enfadonhos e cuja leitura, quase sempre, não consigo acabar. São eles: Guilherme de Oliveira Martins que, no JL, escreve com alguma frequência; no mesmo jornal cultural e na Revista do Expresso, as crónicas de Gonçalo M. Tavares cujas glosas literárias me cansam imenso. E, finalmente, os textos no jornal Público, do político António Barreto, que, por princípio, nunca diz ou escreve nada de novo...

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Da leitura 33


Os pequenos prazeres. Não é todos os dias que, na mesa, se nos oferecem à leitura dois autores dilectos, em edições bonitas, apetecíveis de ler.
Cavafy (1863-1933), com a sua obra quase completa, em tradução inglesa que irei alinhar com a francesa, de M. Yourcenar, a espanhola e a versão portuguesa de Jorge de Sena.
René Char (1907-1988), com Retour Amont (1966), livro de uma fase de crise, surgida depois de uma ameaça cardíaca, em que o poeta deixou de fumar. Desábito que lhe teria provocada um vazio de criação.

agradecimentos cordiais a H. N..

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aditamento : ainda no rescaldo de leitura da correspondência Camus / Casarès


Muitos dos nossos ódios de estimação são difíceis de explicar. Viscerais e, muitas vezes, puramente instintivos, sem fundamento concreto e racional, para os outros.
Na troca de correspondência entre Camus e Casarès, ressaltam várias antipatias expressas. Maria Casarès refere várias vezes a escrita pretensiosa de Margarite Yourcenar e o tédio que está a sentir, bem como a dificuldade que está ter com a leitura de Memórias de Adriano. Curiosamente, já René Char, grande amigo de Camus, antipatizava muito com o estilo literário da escritora belga...
Quanto a Albert Camus, ele expressa, depreciativamente, a pobreza dos diálogos de Georges Simenon.
Para memória futura, aqui ficam estes dados e sentimentos negativos que me parecem injustos. E meramente emocionais.

domingo, 31 de dezembro de 2017

O que fica do que foi


Ao passear a vista pelos desaparecidos em 2017, no jornal de hoje, fiquei surpreendido por algumas figuras que pareciam ter morrido há muito mais tempo. Se o falecimento de Johnny Hallyday ainda me estava presente, na memória, por recente, a morte de Helmut Kohl (em Junho de 2017) parecia-me ter ocorrido há muito, num passado distante já muito obscurecido.
Nem tudo se pode arrumar na cave, fechando o saco, ou no poräo, se preferirmos a metáfora marítima. E, por outro lado, ninguém adivinha quem vai subsistir, verdadeiramente, por influencia, memória e imagem tutelar, nas nossas vidas, daqueles que väo desaparecendo. Como dizia Marguerite Yourcenar, só "o tempo, esse grande escultor" ditará os nomes que nos väo acompanhar, até um dia...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Arquivos, espólios, cartas, fotografias, recortes...


Nem sempre os espólios passam de ser vivo para ser vivo. Naturalmente, a trasladação passa de pessoas desaparecidas para sobreviventes ou herdeiros, ou, noutros casos, para instituições capazes de cuidar desses papéis, de forma técnica e apropriada. Essas heranças dão-se, muitas vezes, por razões de espaço a ganhar, em casas particulares sem grandes dimensões, nem capacidade de armazenamento físico. Noutras ocasiões, os donos desses espólios, por questões práticas, resolvem doar em vida ou vender, a instituições culturais ou regionais, o excedente supérfluo para poderem conservar o essencial, em sua casa.
Passei, recentemente, cerca de 4 dias a desbastar cerca de uma centena de envelopes, que me tinham sido confiados ad eternum, por um Amigo. E, isto, porque eu próprio também estava a necessitar de espaço em minha casa. Ordenado alfabeticamente, o espólio tinha servido de suporte a uma publicação cultural que, já há largos anos, tinha deixado de existir. Nos envelopes, havia de tudo: fotocópias, cartas, recortes de jornais, revistas, fotografias, cartões de visita, C. V., bibliografias... Uma grande parte documental perdera, entretanto e completamente, a actualidade e/ou interesse do que fora, em tempos (15/30 anos, atrás), acontecimento notabilíssimo. A lei do tempo que, como disse Yourcenar, é um grande escultor.
De tudo isso conservei apenas cerca de um quinto do acervo inicial.

para A. de A. M., afectuosamente.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Últimas aquisições


Quase poderia dizer que, nos últimos anos, são raros os livros novos que compro. Tirando Steiner, Magris, Manguel e 3 ou 4 poetas portugueses de que acompanho a obra, que adquiro quando são editados, as restantes compras são de livros usados, que a oferta é boa e muita...
Na rua Anchieta, e ao que parece, os Alfarrabistas lisboetas montaram feira ininterrupta (até ao Natal?) e há muito por onde escolher.
Os três livros usados, em muito bom estado, que recentemente adquiri, bastou a nota mais pequena (5 euros) para os comprar. Para quê tentarmo-nos com as capas berrantes de autores foleiros, na montra da Bertrand, ao Chiado? Ou pelos clandestinos Blogues, que pululam na net, encomendados e pagos por Editoras (?), a fazerem publicidade encapotada de obras indigentes...mesmo que best-sellers?...


sábado, 20 de dezembro de 2014

Palavras de sabedoria


"Ler Marguerite Yourcenar, hoje, não é exumar um repositório de boas maneiras, mas explorar, para lá de uma obra singular pelo seu pensamento e plural pela sua forma, todo um acervo de modernidade literária irredutível aos ícones e ao imaginário comum."

Bruno Blanckeman, in Le Magazine Littéraire (nº 550, Dezembro de 2014).

domingo, 20 de abril de 2014

Arte e estados de alma


Dizia Pessoa que a metafísica era uma consequência de estar mal disposto; e eu acrescentaria que uma forte constipação em nada contribui para o optimismo humano.
Que tom, ou atmosfera, ressuma das grandes obras de arte? Não, decerto, o da felicidade, embora por vezes o ver e o ler, por um certo mimetismo de experiências, tenham quase o sabor grato do encontro, onde, se não há alegria, ao menos se pode respirar e retirar tranquilidade, num equilíbrio paralelo de entendimento entre os humanos.
Quando saturado de leituras, faço uma pausa, é quase sempre por Simenon que recomeço. E, tirando dois ou três romances, os seus livros têm habitualmente um pano de fundo sombrio, um determinismo fatal, donde raras personagens se libertam. Mas, para mim, estas leituras funcionam como um antídoto - libertam as minhas defesas naturais. Tal como as reflexões pessimistas de Cioran.
Nem a poesia é a arte da alegria. A menos, que de versinhos se trate, ou quadras populares postas a circular por almas cândidas e leves. Mas tenho de conceder que há pinturas que me fazem feliz: algum Dufy, Renoir, Matisse... Da claridade da escrita de Yourcenar à ingenuidade sem culpa de algumas personagens de Guimarães Rosa - quanto à prosa - há que ir por aí...

sábado, 8 de junho de 2013

Há 110 anos, Marguerite Yourcenar passou a existir


"...Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Pelo contrário, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros. ..."

Marguerite Yourcenar (1903-1987), in Adriano (pg. 23).

sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre o Porto


Se aqui há um mês mo tivessem perguntado, eu diria: - Sim, sim, já li tudo o que Eugénio escreveu. E acrescentaria, talvez: - Excepto "Narciso", que ele renegou, e que publicou muito jovem, ainda.
Mas estava enganado. Por desfastio comprei, num alfarrabista, o volume "À Sombra da Memória" (1993), que reúne textos em prosa de Eugénio de Andrade. Evocações, palavras de agradecimento aquando de homenagens, reflexões sobre poesia. Cerca de metade dos textos não os conhecia eu. E li-os deliciado. Prosa enxuta, simples, da melhor que se escreveu no séc. XX português. Ora, atente-se no início de "A Cidade e a Poesia", em que ele fala do Porto:
"As cidades são como as pessoas, têm os seus segredos, e às vezes guardam-nos bem guardados. Há quem goste muito do Porto e há quem o deteste. Queria falar desta cidade «tão masculina» sem nenhum peso de erudição, que é coisa tão inimiga da poesia, que só Borges, que eu saiba, lhe conseguiu arrancar alguns versos dignos da sua prosa. Também não me parece leal contrapor-lhe outras cidades, e menos ainda Veneza. Toda a gente sabe que se Veneza não cheirasse a água podre seria incomparável, mas cheiro por cheiro antes o de Marraquexe. Marraquexe cheira a cavalos, que é cheiro de homens. Há quem goste do Porto, dizia eu; Marguerite Yourcenar - ninguém sabe, porque foi a mim que o disse - andou por aqui fascinada com a Ribeira e as encostas da Sé. Isto de gostar não tem explicação fácil. O mais simples é, se nos pedem razões, dizê-lo com as palavras de Montaigne: Parce que c'était lui, parce que c'était moi. Mas não só o amor tem estranhos mecanismos, os do ódio não lhe ficam atrás. ..."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Citações CII : Yourcenar


"...e penso que o hábito da solidão é um bem infinito. Ensina-nos, até certo ponto apenas, a passarmos bem sem as pessoas. Ensina-nos, também, a gostar mais dos seres humanos. ..."
Marguerite Yourcenar (1903-1987), in Les Yeux Ouverts.


Nota: passa, hoje, mais um aniversário sobre o nascimento de Marguerite Yourcenar.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Osmose (27)


Não perguntes, espera. Que ela diga, desse tempo a sós que teve, o que quiser dizer. Desse regresso, depois, ou concentração mais íntima com as coisas mais fundas da terra e da carne.
Os afectos não se podem dizer, nem comparar. Muito menos medir as amizades. Só dos factos concretos e reais, poderemos talvez avaliar os danos, tentar equilibrar os efeitos, medir porventura a força dos sentimentos.
Na perda, também o tempo, como diria Yourcenar, é o grande escultor.

terça-feira, 26 de julho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Yourcenar


No aniversário do nascimento de Marguerite Yourcenar, transcreve-se o final de "Memórias de Adriano", na limpa tradução de Maria Lamas:
"...Almazinha, alma terna e flutuante, companheira do meu corpo, de que foste hóspede, vais descer àqueles lugares pálidos, duros e nus onde terás que renunciar aos jogos de outrora. Contemplemos juntos, um instante ainda, as praias familiares, os objectos que certamente nunca mais veremos... Procuremos entrar na morte de olhos abertos..."

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Adriano, imperador romano


Alma minha, brandinha, vagabunda,
do corpo acompanhante e moradora,
a que paragens vais subir agora,
assim lívida, e rígida, e tão nua?

Deixarás de gozar o que hoje gozas.

Adriano (76-138), em tradução de David Mourão-Ferreira.


Nota pessoal: o primeiro verso do poema, musicalíssimo no latim original ("Animula, vagula, blandula..."), serviu de epígrafe a Marguerite Yourcenar, em "Mémoires d'Adrien".

terça-feira, 8 de junho de 2010

Maguerite Yourcenar


Marguerite Yourcenar nasceu a 8 de Junho de 1893, na Bélgica, e veio a falecer nos Estados Unidos em 17 de Dezembro de 1987. Da sua obra, não muito vasta, destacaria, pessoalmente, "Golpe de Misericórdia", "A Obra ao Negro" e "Memórias de Adriano". No final deste último livro, Yourcenar inclui uma adenda intitulada "Apontamentos sobre as Memórias de Adriano" de que passo a citar um pequeno excerto:
"Tudo nos escapa, e todos, e nós mesmos. A vida do meu pai é-me mais desconhecida que a de Adriano. A minha própria existência, se eu quisesse escrevê-la, seria reconstituída por mim, de fora, penosamente, como a de outra pessoa; teria que recorrer a cartas, a lembranças de outrem, para fixar essas flutuantes memórias. Nunca são mais que paredes desmoronadas, divisórias de sombra. Conseguir que as lacunas dos nossos textos, no que se refere à vida de Adriano, coincidam com o que teriam sido os seus próprios esquecimentos."