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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Leilão de Primavera


No próximo dia 18 de Abril, segunda-feira, José Manuel Rodrigues (Livraria Antiquária do Calhariz) levará a cabo, na Casa da Imprensa (R. da Horta Seca, 20, Lisboa), mais um leilão de livros que terá início, às 21 hrs.. Os 404 lotes são, maioritariamente, de edições do séc. XX. Um destaque para três lotes de livros infantis, da autoria de Ana de Castro Osório, que não é muito frequente aparecerem à venda. O primeiro (lote 259), "Contos, Fábulas, Facécias e Exemplos...", tem uma base de licitação de 40,00 euros. Boa sorte a quem lá for!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Florilégio de poetas, a propósito de Jazente



O livro Poesias, do Abade de Jazente (1719-1789), como se poderá ver pelas imagens, pertenceu a Alberto Osório de Castro (1868-1946) pela marca de posse manuscrita no frontispício, e pelo ex-libris na segunda página. Este poeta era irmão de Ana de Castro Osório (1872-1935), e amigo de Camilo Pessanha. Foi juíz na Índia, Angola e Timor. Teve vida política activa, tendo sido Ministro da Justiça no breve consulado de Sidónio Pais.
Mas era de Paulino António Cabral, Abade de Jazente, sobretudo que eu queria falar, hoje, que o andei a reler, em circunstância, por esta pequena edição rollandiana de 1837, e que A. Osório de Castro terá comprado, em Lisboa, a 29 de Abril de 1924.
De entre a abstrusa poesia portuguesa do séc. XVIII, Jazente é uma boa excepção e um dos meus poetas predilectos. Pelo seu tom despido de artifício, suas paixões (apesar de padre), pelo realismo da vida campesina que retrata, onde cabem perdizes, um catapereiro (pereira brava) ou o afecto que dedicava aos cães ( Tejo e Diamante) que o acompanhavam. Pelo sol e a chuva que entram nos seus versos. Ou até pelas insónias que deixa impressas num soneto:

O galo já três vezes tem cantado,
Mugido o Boi, tossido a Ovelha, e a Aurora
Já lá vem, com lágrimas que chora,
Regando a relva mole ao verde prado.

Já detrás do Marão o Sol dourado
A frente principia a lançar fora:
Enfim é manhã clara, e inda até'gora
O sono aos olhos meus não tem chegado.

Ele às vezes quer vir, e a noite inteira
Me rodeia a cabana, e espreme lento
O suco sobre mim da dormideira.

Mas se entra nela algum feliz momento,
Que se me encontra à cabeceira
Logo dela retira o meu tormento.


Nota: procedi a pontuais actualizações ortográficas.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bibliofilia 14 : Camilo Pessanha




Há noventa anos (1920) publicou-se, pela primeira vez, "Clepsydra" de Camilo Pessanha (1867-1926), na Casa Editora Lusitania, graças ao patrocínio de Ana de Castro Osório. A segunda edição viria a sair em 1945, também com o apoio da Família Osório com quem o Poeta tinha privado, de perto. Pessanha ficou satisfeito com a publicação de 1920, como o prova uma carta de Macau, de 1921, enviada a Ana de Castro Osório. Mas, também, nunca fizera qualquer tentiva ou esforço, além da publicação de alguns poemas seus em jornais, para reunir em livro a sua obra.
O meu exemplar da 1ª edição de "Clepsidra", com encadernação assinada, foi comprado, a 5 de Outubro de 1994, na Feira do Livro Antigo/Museu da Electricidade, por Esc. 20.000$00 (cca. euros 100,00). Está em bom estado e não é muito frequente aparecer à venda. Em Maio de 2001, no leilão da biblioteca de José Blanc de Portugal, promovido pela Dinastia, o mesmo livro, também encadernado (lote 1465), tinha uma estimativa de venda entre 20.000$00 e 40.000$00 escudos. Em Janeiro de 2003, no leilão da Biblioteca Vieira Monteiro, efectuado pelo Correio Velho, a primeira edição de "Clepsydra" (lote 820), mas desta vez não encadernada, apontava para uma venda de euros 150-300,00.