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sábado, 23 de março de 2019

Mercearias Finas 144


Pão de Rala, Encharcada, Sericaia, Rançoso de Mourão. Estes nomes enchem-me de doçura a memória gustativa, não preciso de ir ao estrangeiro para me babar de sobremesas finas. E são todas originais do Alentejo, terra que sempre pensámos pobre e amarga.
Doçaria conventual, convenhamos, que não era do povo, que labutava de sol a sol. Esse fazia uso inteligente até das ervinhas que cresciam nos campos, como as beldroegas, para a sua essencial e parca alimentação de todos os dias difíceis.
Perguntarão porque falo, hoje e aqui, destas sobremesas tão finas.
É simples a resposta: porque, na passada Quinta-feira (21/3/2019), provei, num modesto e improvável restaurante de Évora, a melhor Encharcada de toda a minha vida.
Juro!

sábado, 31 de outubro de 2015

Regimes


Porque ontem iniciámos a saison do Bolo-rei, cá em casa, me dei a pensar na singularidade de, nas pastelarias antigas, ele se começar a fazer no feriado da República, 5 de Outubro. A produção intensifica-se na segunda quinzena de Dezembro, atingindo o paroxismo na noite de 23 para 24, em que os pasteleiros, muitas vezes, fazem uma directa, para que no estabelecimento não falte o bolo tradicional das festas natalícias, para todos os fregueses. Depois, e a partir de Janeiro, o fabrico vai diminuindo até cessar por alturas do Carnaval. Para recomeçar a nova época, cerca de 7 meses depois, em Outubro seguinte.
Ah! também já provámos as Broas Castelar. As que comemos, recomendam-se.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Produtos Nacionais 20


Em matéria de bolos, o meu gosto é sazonal, nunca fui compulsivo. Nem me colo às montras das pastelarias, de olhos esbugalhados, em transe de baba e gula...
Mas, este fim-de-semana, lá comprei e comi um Jesuíta. Não dos originais (Confeitaria Moura - Santo Tirso): este, que comprei, era desnaturadamente alfacinha, pobrezinho, embora até tivesse amêndoa laminada torrada, por cima, desvirtuando a receita tradicional, mais sóbria, de massa folhada, com cobertura de açúcar e claras, estratificada e acastanhada, quebradiça.
A sua origem, no norte de Portugal, é recente. Parece que de finais do século XIX, e terá sido criação de um pasteleiro (de Bilbau?) espanhol, que se fixou em Santo Tirso, e lá abriu loja. Inspirando-se, talvez, nos Jesuítas do celebrado Colégio das Caldinhas, ali bem perto, e nos seus antigos chapéus, deu aos bolos o formato singular, que ainda hoje conhecemos e os identifica.
Sobre a excelência deste bolo, quando original, uma pequena história comprovativa. Há cerca de 2 anos, em viagem de Guimarães para o Porto, eu e um amigo, parámos em Santo Tirso, para tomar um café. Eu quis comprar dúzia e meia de Jesuítas, para oferecer à dona de casa, que me aboletava, por uns dias, na Invicta. O meu amigo dissuadiu-me, dizendo, que os três não conseguiríamos dar conta de tanto bolo, lá em casa. Acabei por comprar apenas 6. Que desapareceram, até à noite, nesse mesmo dia...