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domingo, 29 de agosto de 2010

Favoritos XXXIV : Alan Brownjohn


Já aqui falei do poeta inglês Alan Brownjohn (1931), e lhe traduzi um poema, no Arpose, em 26/5/2010. Na poesia britânica do séc. XX, é um dos meus predilectos. Os seus poemas ilustram bem esse lado descritivo ou narrativo, característico em grande parte da poesia inglesa do último século. Esse registo realista não exclui, porém, outras suprarrealidades. O real é muitas vezes um ponto de partida irradiante. Como neste poema, "The Situation", que passo a traduzir.

Ora aconteceu que as primas não vieram
E assim nunca soubemos como eram.
Nunca iniciaram o passeio que havia de trazê-las
Até aqui, para junto da fonte impetuosa, ou
Para que segurassem a cerca nas suas mãos adultas.
Este jardim não pode ser lembrado sem o seu riso,
Por isso elas são ainda uma possibilidade:
Depois de nos desiludirmos dos homens,
Dos cães e das viagens, da própria imobilidade,
Das nossas cadeiras de braços viremos a saber
Que nos restam as primas; que, nesse dia, deviam
Ter vindo e não vieram, mas que estão lá ainda.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Alan Brownjohn : palavras simples



Não sendo dos mais conhecidos poetas ingleses, vivos, Alan Brownjohn (1931) é , seguramente, um dos mais originais pelas suas palavras simples e pelos seus temas minimalistas, muito atentos ao essencial. Crítico e novelista, colaborador do "Times Literary Supplement", ""Encounter" e "Sunday Times", sobre poesia disse, numa entrevista: "Não vejo a linguagem poética como um veículo para a experimentação - mas como um meio de compreender o mundo e as coisas existentes nele." Brownjohn exerceu a profissão de professor até 1979, altura em que passou a dedicar-se apenas à escrita. Os seus temas mais recorrentes, em poesia, são o Tempo naquilo que tem de irremediável, mas também nas hipóteses virtuais do que poderia ter sido, e não foi.
O sagrado, em sentido lato, é outra das questões mais abordadas pelo Poeta. Aparentemente lineares, os seus poemas ganham com releituras, ou como disse Alan Brownjohn: "Sempre tentei que a força dos (meus) poemas - quando a tem - emergisse, não da primeira vez que são lidos, mas à segunda ou terceira leitura." Passo a traduzir e transcrever "Balance":

A cerimoniosa posição das mãos
No ar tranquilo da benção, da oração,
Em momentos íntimos de amor,

Possui a paz mais exacta. A sua calma retém
Um equilíbrio sagrado: cada acto perfeito
Um instintivo respeito e segurança.

Elas sabem que não devem vacilar nem trair
O que fica sob o seu domínio. Usam a sabedoria
Para evitar os gestos discordantes.

E assim, por alguns momentos, não deslizam
Da cerimónia para a realidade: ficam
A pairar; conduzem-se de modo a não mostrar

Que a benção muitas vezes condescende,
A oração se ergue da miséria onde se forja
E as mãos do amor podem ter fins diferentes.

P. S. : para Alexandra e manu, pela gentil surpresa. E pelo mistério...