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domingo, 10 de junho de 2018

Passeios 7: Impressões da Invicta


Embora julgando ter um razoável sentido de orientação no espaço, há cidades portuguesas que me enervam e nas quais evito conduzir. Uma delas é o Porto. Saindo da Avenida da Boavista, tudo se complica.

Com efeito, depois da chegada arrumei o carro numa garagem de amigos e passei a usar o “andante” ou as próprias “patinhas”.

Da zona da Foz, reproduzida acima, apanhei a carreira 207. Uma maravilha ! Foram 40 minutos bem passados, podendo observar do pobre ao rico, num giro pela cidade sem a ansiedade do trânsito. Apreciei tudo, até as “mulheres da vida”, a secar umas “leggings” num banco do Jardim de S. Lázaro após uma carga de água, que também apanhei a caminho da Biblioteca Pública.

De tarde, e com o tempo melhor, ainda deu para descer a Rua de Diu, olhando para o edificado e o Mar ao fundo.


É sempre com enorme gosto que caminho por certas zonas da Invicta, olhando para casas e “casinhas” tão diferentes do Sul. Parece tudo mais “mossiço”, janelas e portas com madeiras maciças e que casam com pormenores de acabamento que encantam.

Resulta, no entanto, dessa junção, certamente ditada pelo tempo e o uso, um objecto sólido que não dispensa o encanto da beleza.


Post de HMJ, dedicado a I.A.M e A.A.M

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

As pequenas esperanças


Quase no final deste annus horribilis português de 2012, em que até os burlões mais nefandos (BPN) se podem dar ao luxo de passear, alegremente, pelas avenidas ensonadas (para não dizer complacentes ou, mesmo, cúmplices) da Justiça (?) lusa, há uma ou outra "pequenina luz bruxuleante" (Jorge de Sena) que não nos faz desesperar de todo.
É notícia, hoje, nos jornais, a tomada de responsabilidade da Câmara Municipal do Porto, sobre o espólio da Fundação Eugénio de Andrade, extinta em 2011, em parceria com a Biblioteca Pública da cidade. Atitude louvável e nobre de uma instituição, num país em que os bons exemplos escasseiam e onde a Cultura é mandada para as urtigas, por grande parte dos políticos.
Mas também é preciso dizê-lo, o duelo do protagonismo à custa do alheio, de uns, e a cupidez material, de outros, foram maioritariamente responsáveis pela liquidação da Fundação Eugénio de Andrade. Gentinha chula que se quis apoderar e viver à custa de um Nome.
A reedição da obra do Poeta pela Assírio e Alvim (grupo Porto Editora) é, também para mim, um motivo de júbilo e a garantia isenta da continuidade daquilo que, de bom, grande e nobre, Eugénio de Andrade nos deixou, para sempre.