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quarta-feira, 12 de abril de 2023

Os juízinhos portugueses


Os nossos inefáveis agentes de justiça (à portuguesa) vão dar início, agora, ao julgamento do caso, ocorrido na ilha da Madeira, da queda de uma árvore, em 2017, e que provocou vários mortos. São meticulosíssimos no seu trabalho estes nossos juízes e comandita...
Dentro da sua ociosidade, produtividade e profissionalismo incomparáveis, de quantos mais anos vão eles precisar para deixar prescrever o caso BES, o de Sócrates, Bava e Granadeiro e a grande maioria dos seus processos mais importantes?...

domingo, 15 de janeiro de 2023

Divagações 184



O jornal Público de hoje titula na primeira página assim: Há juízes que usam o Supremo para se jubilarem com mais 250 euros por mês. E de imediato me lembrei do médico Ribeiro Sanches (1699-1783) que escreveu: Dificuldades que tem um Reino Velho para emendar-se. Porque isto, quanto a justiça à portuguesa, já vem de longe nos abusos à pala da independência dos poderes. Lembremos o Abade de Jazente (1719-1789), Paulino Cabral, que também pôs o dedo na ferida, com particular evidência poética. Ora, aqui vai o soneto do eclesiástico, em linguagem indisciplinada e castiça da época:

Citado o Réo, a Acção distribuída,
Offréce-se o Libello na Audiencia;
Entra logo uma cota, huma incidencia,
Apenas em déz annos discutída.

Contraría-se tarde; ou recebída
Huma Excepção, faz nova dependencia:
Crescem as dilações, e a paciencia
Huma das Partes perde, ou perde a vída.

Habilita-se hum Filho, outro demóra;
E de novos artigos na dispúta,
Mais se dilata a causa, ou se empeóra.

Cõ tudo pôem-se em prova, ou circundúta,
Em caza do Escrivão bem tempo móra,
E se há sentença em fim, não se execúta. *


Donde se vê que os agentes de justiça, em Portugal, gozam muitos deles, de há muito, de uma total impunidade quanto à sua preguiça profissional, à sua capacidade, e mesmo à sua postura cívica. Eticamente, alguns quase parecem uns marginais sem vergonha.


* o soneta vem na página 127, do tomo I das Poesias de Paulino Cabral... (Porto, 1786).