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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A força das imagens



Sempre que o espadarte me vem à mesa, na refeição, lembro-me da hábil Mirandolina que, vinda de Belas pela manhãzinha, os expunha, pendurados, na sua pequena banca de Oeiras e, depois, já com mais espaço, no hipermercado de Cascais. Talentosa vendedora, ao fim do dia, já não havia nenhum resto do peixe.
Há imagens que marcam, definitivamente, as situações reais ou de ficção.
Embora na novela "O Velho e o Mar" traduzida de forma exemplar, para português, por Jorge de Sena, nunca se diga de que peixe gigantesco se tratava, aquele que o velho pescador tentava trazer para terra, o elegante desenho de Bernardo Marques, na capa da edição dos Livros do Brasil, sempre me pareceu de um espadarte. E para mim assim o será, em definitivo.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Fernando Guimarães (1928-2025)

 

Decano dos grandes poetas portugueses, ainda vivo, e portuense, calou-se ontem para sempre a sua voz singular. Ensaísta arguto e crítico também de poesia, além de tradutor de qualidade, com extensa obra.



Por outro lado, pertencia por direito próprio àquele grupo raro de poetas portugueses pensantes que engloba Sá de Miranda, F. Manuel de Melo e Jorge de Sena, entre os mais destacados.
Citémo-lo, a propósito:

A morte está cansada e assim encontra
no teu corpo a nudez, lugar de outro repouso.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

T. S. Eliot

 

É um dos últimos TLS (nº 6356) que dá a boa notícia de que a editora Faber and Faber publicou, em 4 volumes, The Collected Prose, de T. S. Eliot (1888-1965), num total de 3.536 páginas. É a primeira vez que tal acontece, de forma completa, quanto aos ensaios do notável pensador.
Na minha opinião, com Paul Valéry (1871-1945), Eliot foi o mais capacitado estudioso de poesia e que dela falou com mais propriedade intelectual, até ao momento. Por cá, só talvez Jorge de Sena (1919-1978) se aproximou mais na abordagem  desta difícil temática literária.

domingo, 2 de março de 2025

Antologia 23



"... O primeiro poema de Nemésio que conheci foi o dos alciões*. Ouvi-o da boca de Manuela Porto, há muitos anos, juntamente com outros que esqueci. Só os alciões, que regressavam cansados da viagem, me ficaram na memória. E nunca nenhuns outros versos do autor de La Voyelle Promise me surpreenderam tanto, me abriram tanta janela para a aventura sempre nova da poesia. Muito diferente daquele sortilégio é A Águia, de Jorge de Sena, escrito em 1970 e publicado postumamente. É um poema de linguagem rigorosa, implacável, dura, a linguagem de grande prosa, mas que serve também a grande poesia:

No olhar verde e vazio de pupilas raiadas
pelo sangue a escorrer do bico para as penas sujas
pardas e grisalhas de um pó excrtementício
que as grossas patas cobre como lama sua...  "

Eugénio de Andrade (1923-2005), in Prosa (pg. 151), Ed. Modo de Ler (2011).


* para quem desconhecer o poema referido, poderá lê-lo no Arpose (20/2/2010): Favoritos IX: Vitorino Nemésio.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Esquecidos (18)

 

Soube, há pouco tempo, que um colégio lisboeta de referência, em relação à literatura portuguesa do século XIX, incluia no seu programa escolar apenas o estudo de Eça de Queiroz. Quanto ao século XX são contemplados unicamente Pessoa e Saramago. O panorama  público de ensino não será muito diferente... Perde-se assim um enquadramento e contexto temporal e cronológico de autores, bem como se soterram no esquecimento a maioria dos escritores nacionais. Mas creio que também Teixeira de Pascoaes (1877-1952), um mal-amado, nunca pertenceu ao cânone português das escolas. Muito embora tivesse merecido importantes estudos de Jacinto do Prado Coelho, Jorge de Sena, Mário Martins, Alfredo Margarido, entre outros ensaístas.
Prado Coelho refere a infância como sendo o tema central na sua obra poética, eu optaria antes pela temática da morte como omnipresente nos seus versos. Não sendo um modernista, a poesia de Pascoaes retém acentos de algum romantismo e, sobretudo, sinais de um simbolismo original e panteísta que difere muito do estilo da obra excessivamente marcada e artificiosa de Eugénio de Castro (1869-1944).
Como contributo de lembrança, aqui deixo um poema de Terra Proibida (1899):

Hora Final

Aí vem a noite... Sente-se crescer...
E um silêncio de estrelas aparece.
Quem é, quem é, meu Deus, que empalidece
E se cobre de cinzas, no meu ser?
Alma que se desprende numa prece...
Que suave e divino entardecer!
Como seria bom assim morrer...
Morrer, como a paisagem desfalece,
Morrer quase a sorrir, devagarinho.
Ser ainda do mundo pobrezinho
E já pairar, sonhando, além dos céus,
Morrer, cair nos braços da ternura;
Morrer, fugir, enfim, à morte escura,
Sermos, enfim, na eterna paz de Deus!

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Marcadores 31

 


Nem de propósito e na véspera dos 50 anos sobre a passagem do grande dia da Democracia portuguesa, chegou-nos de uma boa Amiga um conjunto temático de marcadores com motivos alusivos ao 25 de Abril.
Com alguma dificuldade, fiz uma escolha de apenas alguns que mais me diziam para pôr em imagem.
Um bem haja à gentil Amiga, que se lembrou de nós e da efeméride a celebrar amanhã.





sexta-feira, 12 de abril de 2024

Últimas aquisições (51)



A política de aquisições, cá por casa e nestes últimos meses, tem sofrido uma desacelaração saudável, felizmente, até porque o espaço para colocação de novos livros é já muito exíguo e nem sempre o mais apropriado. As novas leituras têm sido feitas dos volumes em reserva, que ainda são bastantes.
Mas há obras a que não se pode faltar. Em Novembro do ano que passou, centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978), a Universidade do Minho organizou o XXI Colóquio de Outono dedicado ao escritor português, tendo convidado vários docentes universitários nacionais e brasileiros para participar.
Algumas das colaborações vieram a integrar este livro Sena Hoje (Edições Colibri, 2023). Destaque para o estudo de abertura da obra, da autoria do catedrático Vítor Aguiar e Silva (1939-2022), no que terá sido, provavelmente, o seu último trabalho de investigação e ensaio - "Jorge de Sena e o conhecimento científico do texto literário".

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Lembrete 74


O romance de Hemingway, O Velho e o Mar (em português na versão de Jorge de Sena, de 1956), teve duas adaptações ao cinema. A última, de 1990, com interpretação de Anthony Quinn. Prefiro porém a primeira cinematização (1958), com um desempenho notável de Spencer Tracy, música de Dimitri Tiomkin e realização honesta de John Sturges. É esta versão que passa hoje na Fox Movies, às 17h49. A quem queira aproveitar, aqui fica o aviso... 





Dois em um, e para quem tiver o livro, sugiro o folhear e/ou reler a versão de Sena, da Livros do Brtasil, com bonitas ilustrações de Bernardo Marques, que também traduziu de forma primorosa, em 1954, The sun also Rises (Fiesta) de Ernest Hemingway.

Nota pessoal: na minha perspectiva, e para quem saiba ou consiga ir um pouco mais além, esta obra é uma exemplar metáfora sobre a vida humana... só comparável a um excerto genial do Macbeth de William Shakespeare.

quarta-feira, 1 de março de 2023

Da leitura (50)



A cerca de 1/3 da leitura, do livro Correspondência Fernando Lemos e Jorge de Sena (Documenta, 2022), não posso dizer que o andamento e assuntos me levem entusiasmado. Os interlocutores, na altura, Jorge de Sena (1919-1978), em Portugal,  e Fernando Lemos (1926-2019), no Brasil, teriam cerca de trinta anos e é bem possível que o tom mais ligeiro do segundo tenha contagiado o estilo mais solto do poeta de As Evidências.

Duas transcrições darão o tom, ou andamento. De Lemos, em carta de 1954: "...Todos os dias acontecem ocupações. Bailados, teatro, exposições, jantar em casa de um, almoçar em casa de outro; eu sei lá! É cansativo, claro, mas dá gosto e vibra-se com tanta gente ao mesmo tempo, ansiosa de novidades e acontecimentos. A quantidade e qualidade de mulheres, faz o eixo ao fim de contas de toda esta movimentação. Nada se faz sem elas e sem ser por elas. Aparecem em todo o lado aos cardumes, sempre com um ar disponível, mesmo quando casadas, morenas, loiras alemãs, e outras meio japonesas. Tenho feito os maiores escândalos, e o Casais (Monteiro) sempre que me pode ajuda-me na luta pela mentira..."



Quanto à carta de Sena, de Lisbos e datada de 1955: "...Creio que nunca cheguei a dizer-lhe (pois se não respondi à carta) como achei admirável o seu poema «Que me importam as entradas e saídas dos barcos?», como o achei verdade. Por estas e por outras é que me repugna a «independência de capelista" dos seus ex-confrades e novos ex-confrades, quando proclamam as grandezas dos Cesarinys e outros Margaridos mais ou menos Euricos da Costa. Tudo isto meu caro, passe a vaidade, é uma merda que cada vez menos nos merece, a menos que, parafraseando o Casais, não se foda e, portanto, queira ser salva. Mas tenho para mim que não quer. ..."

Que cada um ajuíze da qualidade, após leitura da obra, e do seu interesse geral.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Do que fui lendo por aí... 55



Do Rio de Janeiro, em carta de 18 de Abril de 1954, de Fernando Lemos (1926-2019) para Jorge de Sena (1919-1978), em Lisboa, passo a transcrever um pequeno excerto da missiva:

"Estou a ler As memórias do cárcere (1953), do Graciliano Ramos. Gostaria que o lesse, mas não sei se já entrou em Portugal. Mande-me dizer se conhece, porque se assim não for, eu arranjarei maneira de lho mandar (são quatro volumes que, diga-se de passagem, cabiam apenas num, mas...). Vou ainda no primeiro volume, que achei chato, mas estou informado que é o pior dos quatro."


Nota pessoal: a obra acima referida, de Graciliano Ramos (1892-1953), veio a sair editada pela Portugália, em Setembro de 1970. Eu teria dificuldade em subscrever a apreciação radical de FL, e imagino que há por aqui uma certa confusão entre densidade e chateza. Admito porém que o livro de Graciliano Ramos não é de leitura fácil. Nem divertida... Que é o que muita gente procura.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Lembrete 71



O livro saiu em Setembro de 2022, mas só agora dei por ele. A correspondência abrange cerca de 25 anos. Da parte de Fernando Lemos, numa linguagem mais desatada; Sena, mais literário e contido.
A leitura promete, pelo pouco que já avancei.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Divagações 177 (seguidas de uma curtíssima antologia)

 

Não se pode dizer que eu seja um entusiasta de prefácios, a livros. Mas aprecio imenso um bom prefácio e que tenha a qualidade adaptada ao conteúdo, enriquecendo-o. Como é o caso da maior parte dos prólogos de Jorge de Sena. Ou de alguns saborosos prefácios camilianos, como esta introdução de A Brasileira de Prazins, com que me cruzei, há pouco. E aqui vai o seu início:

Entre as diversas moléstias significativas da minha vèlhice, o amor aos livros antigos - a mais dispendiosa - leva-me o dinheiro que me sobra da botica, onde os outros achaques me obrigam a fazer grandes orgias de pílulas e tizanas. E, quando cuido que me curo com as drogas e me ilustro com os arcaísmos, arruíno o estômago e enferrujo o cérebro em uma caturrice académica.
Constou-me aqui há dias que a snr.ª Joaquina de Vilalva tinha um gigo de livros vélhos entre duas pipas na adega, e que as pipas, em vez de malhais de pau, assentavam sobre missais. O meu informador denomina "missais" todos os livros grandes; aos pequenos chama "cartilhas". Mandei perguntar à snr.ª Joaquina se dava licença que eu visse os livros. Não só mos deixou ver, mas até mos deu todos - que escolhesse, que levasse. Examinei-os com alvoroço de bibliómano. Eles, gordurosos, húmidos, empoeirados, pareciam-me sedutores como ao leitor delicadamente sensual se lhe figura a face da mulher querida, oleosa de cold-cream, pulverisada de bismuto. (...)


domingo, 8 de agosto de 2021

Pensar - 1

 

Embora gostando de algumas palavras pelo efeito sonoro, como é tagarelar, não aprecio, no caso em apreço, o sentido do termo pelo facto de se enquadrar, na perfeição, neste mundo oco e pouco dado a exercícios mentais mais consistentes.

Assim, e querendo registar – porventura para memória futura – alguns pensamentos que se me vão surgindo nas leituras, escolhi a palavra pensar que, no seu sentido infinitivo, se afasta cada vez mais da nossa vida quotidiana. Infelizmente.

 Lembrei-me logo do livro Pensar, de Vergílio Ferreira, a propósito da minha escolha do tema para registar, oportunamente, algumas máximas ou pensamentos estimulantes. Do autor citado, segue uma frase com que abre o seu livro: “Não se pode pensar, fora das possibilidades da língua em que se pensa.”

Acrescento meu: dominando várias línguas, aumentam, sem dúvida, as possibilidades e variantes de pensamento.

 Para o início desta secção dos meus contributos no Arpose, encontrei uma observação de Jorge de Sena, sobre o Romantismo e o Modernismo Brasileiro que não queria perder. Aqui vai:

 “Os modernistas (...) apelavam para uma quebra de todas as tradições e para uma renovação com algo mais fundo e mais verdadeiro para com a vida do que qualquer tradição. É esta a essência do espírito modernista. E devo apontar que só à primeira vista é possível achar que o Romantismo pode ser definido quase nos mesmos termos. A diferença está na qualidade: o Romantismo era tudo isto como maneira de ser: o Modernismo não foi nunca uma maneira de ser mas uma maneira de entender o nosso ser.”

[sublinhado meu da máxima que tirei do artigo de Jorge de Sena, com o título, «Modernismo Brasileiro: 1922 e Hoje», in Estudos de Cultura e Literatura Brasileira, Lisboa, Edições 70, 1988]

 HMJ

sábado, 1 de maio de 2021

Bibliofilia 187



Não sendo embora do meu grupo de poetas mais próximos, ou mais familiares, sempre me intrigou que Jorge de Sena não tivesse incluído nas suas Líricas Portuguesas - 3ª série (Portugália Editora, 1958), o nome e uma selecção de poemas de Natália Correia (1923-1993), escritora já suficientemente conhecida e publicada, por essa altura. E que viria a editar quase duas dezenas de livros de poesia, até à sua morte.



No próprio ano da publicação (1966) foi-me oferecido um exemplar de O Vinho e a Lira, numa edição bonita de Fernando Ribeiro de Mello. O livro foi, pouco depois, apreendido pela Censura, pelo que não é muito frequente aparecer à venda. A Livraria Manuel Ferreira (Porto) vendeu um por 75 euros e a Castro e Silva (Lisboa) tinha outro à venda, por 80 euros. Como não mais foi reeditado, aproveito para lembrar que O Vinho e a Lira, no próximo dia 7/5/2021, sexta-feira, será republicado pelo jornal Público, e acompanha o diário ao preço de 6,90 euros. Será uma boa oportunidade para o adquirir...

domingo, 7 de março de 2021

Para uma bibliografia exaustiva de Jorge de Sena (2)

 


Há sempre coisas que ficam pelo caminho, sobretudo para quem muito produziu. Creio que terá sido o caso deste poema de Jorge de Sena (1919-1978), incluído na revista Vértice (66), de Fevereiro de 1949, fez há pouco 72 anos. Os versos não reaparecem na Poesia I (Morais, 1961) nem posteriormente em qualquer outro livro publicado por Sena.



É minha ideia que, muitas vezes, a colaboração que se envia para revistas literárias ou outras, no que diz respeito, principalmente, a poesia, não será de primeira água e pode vir a ser mais tarde rejeitada pelos autores, no conjunto da obra. Com mais probabilidade ainda se for da juventude. Seja como for, aqui deixo reproduzido o poema que saíu na Vértice.


Nota tardia (15/4/2021): através de Índices da Poesia (Cotovia, 1990), de Mécia de Sena, foi possível localizar este poema no livro Pedra Filosofal (1950). Não era, por isso, um poema omisso.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Citações CDXLII


... Posto isto, continua aquilo a ser o belíssimo país (Portugal) que amamos, cheio de um povo doce e amável quando não esfaqueia a gente por uma questão de águas ou de vinho. Mas o nosso amor é um amor infeliz e mal pago. Acontece que não temos outro. ...

De carta de Jorge de Sena a Sarmento Pimentel, datada de 3/1/1972.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Recomendado : oitenta e sete


O já lido (316 de 496 páginas) permite-me algumas conclusões: é das correspondências publicadas de Jorge de Sena (1919-1978), aquela em que mais afloram as questões políticas, embora as de ordem literária também abundem. João Sarmento Pimentel (1888-1987) era um velho exilado republicano, no Brasil. E deste livro se depreende que foi um grande amigo de Jorge de Sena, bem como este correspondeu, da mesma forma ao velho capitão honrado. Muito haveria a destacar, mas para não ser excessivo limito-me a referir a carta de Sena (de 14 de Dezembro de 1965) ao chegar aos E. U. A., para Sarmento Pimentel, e que, não sendo a Nova do achamento de Vaz de Caminha, é um grande momento, de sempre, de toda a epistolografia portuguesa conhecida.
Ora, nesta silly season lusitana, em vez de nos dedicarmos a tantas miudezas inúteis, que por aí se publicam, mais valia lermos esta prosa límpida  de dois portugueses de lei e condição.
Que, naturalmente, recomendo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Divagações 162


São como as cerejas, as palavras - diz-se. E assim foram, para mim, contagiosas. De Agustina (O Susto), passei para Pascoaes (Regresso ao Paraíso) que, curiosa e poeticamente, nunca me contagiou muito; e ao ensaio e antologia escolhida por Sena (Brasília Editora) sobre o poeta de S. João de Gatão. Poupei-me a reler Os Afluentes do Silêncio, em que Eugénio traça um belo e comovido retrato de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), real e não ficcionado como o de Bessa-Luís.


Pela biografia de René Char (Tempus, 2013) ando eu, há meses, mergulhado em leituras do maravilhoso texto de Laurent Greilsamer. Até que fui dar com umas palavras sobre o pintor russo Nicolas de Staël (1914-1955), amigos que eles foram, que me fez ir à estante buscar o livro de Antoine Tudal (Le Musée du Poche, 1958). Sucinto de escrita, como convém à biografia de um suicida, mas bastante. E de competente iconografia.
Fiquemos por aqui!

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Divagações 160


Dou-me bem de vez em quando a reler obras que já foram de minha estimação, até para tomar depois a temperatura da minha perspectiva actualizada e do valor que hoje lhes dou, concretamente.
Calhou esta tarde a vez a Ramos Rosa, Almeida Mattos e Gedeão. O primeiro poeta quase me deixou indiferente, soube-me muito bem reencontrar as palavras do meu amigo António (Conjuntivo Presente, Afrontamento, 1991) e gostei de ler o início da introdução de Jorge de Sena à obra poética de António Gedeão, no volume da Portugália (1964).
Não resisto a transcrever um pequeníssimo excerto do texto de Sena:
[...] Um homem não começa a publicar livros aos cinquenta anos, para brincar de poeta consigo mesmo, mas porque rompeu os muros de timidez e de orgulho, que o inibiam de mostrar-se o poeta que era. Nem toda a poesia deste mundo nasce dos apetites juvenis de ser-se notável pelo menos para algumas páginas literárias e alguns críticos atenciosos. [...] (pg. XII)

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Em tempo


Induzido por um sempre bem-vindo comentário de Maria Franco, vou às estantes procurar Arte de Música (1968), de Jorge de Sena. E logo um exergo me chama a atenção. É de Manuel de Falla (1876-1946), e diz: Creo que el arte se aprende, pero no se enseña.
Eu acrescentaria: bem como a estética do bom gosto, assim como o sentido crítico.

para Maria Franco, particularmente.