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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Bibliofilia 219

 


A temática sebástica sempre despertou interesse entre os portugueses. E a bibliofilia sobre o rei D. Sebastião (1554-1578) sempre teve grande procura por parte dos leitores nacionais, em leilões e alfarrabistas especializados em livros antigos.
Esta Elegiada, do portuense Luís Pereira Brandão (1540?-1590?), teve a sua edição original impressa por Manuel de Lyra em 1588. O autor, padre jesuita, participou na batalha de Alcácer Quibir (1578), sendo por isso testemunha presencial da morte do rei. O seu poema épico compreende 18 cantos.
Esta segunda edição (1785), cópia da edição primeira, é considerada rara, e comprei-a em finais do século XX, por Esc. 6.800$00, em Lisboa. Em Março de 1898, num leilão Silva's/Pedro Azevedo, foi vendido um exemplar por Esc. 11.000$00. A leiloeira Cabral Moncada, recentemente, cobrou 400 euros por outro livro desta mesma segunda impressão.



domingo, 17 de setembro de 2023

Retratos (30)



É frequente os historiadores e pintores darem dos reis e retratados imagens que os favoreçam ou, ao menos, lhes diminuam as imperfeições físicas. Há dias, em leitura da obra Algumas notas para a história da alimentação em Portugal (2008), de José Pedro de Lima-Reis (1942), dei por um retrato desapiedado e realista de D. Sebastião (1554-1578), ao contrário do que é habitual, que eu faço aqui acompanhar também de um quadro de Alonso Sanches Coelho (1531-1588) que, em 1562, pintou o rei ainda jovem. Coincidem, creio.
Segue, da página 127, um extracto da obra referida acima:

"Não por culpa da diabetes paterna (D. João de Portugal), mas talvez pela consanguinidade dos progenitores terá D. Sebastião nascido com alguns desarranjos morfológicos que os mestres pintores da época não representaram para não cair em desgraça. (...) Entre eles o rei teria o lábio superior grosso, o braço, a perna e o pé direitos de dimensões superiores aos seus homólogos do lado esquerdo - o que o obrigava a coxear - pés pequenos, cavos, com os dedos iguais - mais um supranumerário no mínimo do pé direito - pernas arqueadas e, como se não bastasse, o tronco tão curto «que o seu gibão não pode servir a outra pessoa mesmo que da sua estatura.»"

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Impérios...



De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), a páginas 193, cite-se:

"Foi o que sucedeu, estancadas as fontes asiáticas de opulência. Longe de conformar-se com uma viuvez honesta, de nação decaída como mais tarde a Holanda, que depois de senhora de vasto império se entregou ao fabrico do queijo e da manteiga -, continuou Portugal, após Alcácer Quibir, a supor-se o Portugal opulento de D. Sebastião vivo. A alimentar-se da fama adquirida nas conquistas do ultramar. A iludir-se de uma mística imperialista já sem base. A envenenar-se da mania de grandeza."
...

Nota pessoal: é minha convicção que a estratégia educacional estadonovista contribuiu para reforçar esta ideia epopeica, de forma manifesta.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

João Cutileiro (1937-2021)

 


A beleza não morre. Ainda que o tempo a possa destruir, a memória humana há-de sempre lembrá-la.




sábado, 23 de março de 2019

A evitar, absolutamente (4)


Se há coisa de que eu gosto, desde que me conheço, é de História. E da de Portugal, em particular.
Diz-se, e eu acreditava, que o Expresso era um jornal de referência. No meio de tantos pasquins que se publicam, em Portugal, não seria difícil dar crédito a tal afirmação que implica seriedade, primeiro, algum rigor, e solidez naquilo que se publica. A ilusão mirífica apagou-se-me, há dias.
Acontece que, na minha banca de jornais, o dono do quiosque tinha, sobrante e vendável, a colecção completa dos volumes de O Essencial dos Reis de Portugal, publicada em anexo-bónus ao Expresso, ao longo de várias semanas anteriores. Comprei, assim, a colecção das 8 pequenas obras.
Cada um dos livrinhos, tinha um prefácio de Henrique Monteiro (1956), sujeito que já tinha sido, até Janeiro de 2011, director desse hebdomadário e escreve (ou preenche), recentemente, a penúltima página do jornal. Sempre o achei um cómico bem disposto, não estava era à espera, logo no primeiro prefácio (pg. 5), de um erro dele clamoroso e desta natureza (ver sublinhado a lápis):


Agora, pela amostra, imaginem-se os dislates que não irão ocorrer ao longo dos restantes sete prefácios do sr. Monteiro!...
Eu, pelo menos, irei continuar a considerar o rei D. Sebastião (1524-1578) como filho do infante D. João Manuel, este sim, filho de D. João III. E aconselho os colaboradores do jornal a frequentarem, rapidamente, um curso intensivo de História portuguesa. Porque isto pode ser contagioso.
Assim, esta excrescência que apareceu com o jornal Expresso deve ser de evitar, absolutamente!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Bibliofilia 164


O livro, cuja primeira edição (1629) é rara, e cara se a quisermos adquirir, tem um título do tamanho da légua da Póvoa (como se costuma, popularmente, dizer). Para que conste, aqui vai: Miscelânea do Sítio de Nossa Senhora da Luz de Pedrógão Grande: aparecimento da sua imagem, fundação do seu Convento e da Sé de Lisboa, com muitas curiosidades e poesias diversas. O seu autor, Miguel Leitão de Andrade (1553-1630), escreveu a obra e publicou-a no final da vida.


O livro, cuja segunda edição (1867) possuo, é de leitura agradável e proveitosa. Dividido em vinte capítulos abordando os mais diversos assuntos, a obra traz uma descrição minuciosa da batalha de Alcácer Quibir (1578), de que Miguel Leitão de Andrade foi testemunha presencial, e em que morreu o rei D. Sebastião.
Comprado o volume, por volta de 1990, em Lisboa, dei por ele Esc. 8.800$00. Encadernado em meia-francesa, o livro está em muito bom estado de conservação. Em 1993, a IN/CM publicou, em edição fac-similada, a terceira edição desta obra.

domingo, 24 de junho de 2018

Nevoeiros


Ainda não vai há muito tempo... E este Domingo está um pouco nebuloso.
Para além disso, este anúncio de 1997 está na boa companhia e vizinhança do de Mestre Sane, o que só o dignifica na linhagem... Será que D. Sebastião também terá ido ao Castelo de Marvão?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Bibliografia sebastiânica


O TLS (nº 5744) noticia, de forma positiva, a saída de The Baker who pretend to be king of Portugal, de Ruth MacKay, editado recentemente pela University of Chicago Press. Detalhado e fundamentado estudo, de 300 páginas, historiando a figura de Gabriel de Espinosa (?-1595), mais conhecido por Pasteleiro de Madrigal, que se fez passar por D. Sebastião, depois de Alcácer Quibir. A corrente sebastiânica, pelos vistos, também terá os seus cultores estrangeiros e motiva a investigação. A recensão ao livro anota mais duas obras estrangeiras sobre o Desejado: de Mary Brooks, A King for Portugal: The Madrigal Conspiracy (1964) e Le Roi caché (1990), de Yves-Marie Bercé.
Registe-se que a tramóia de Espinosa só foi possível através do apoio crédulo de Ana de Áustria, filha ilegítima de D. Juan de Áustria, e de um capelão português de apelido Santos. Bem como do incentivo dos inimigos de Castela, interessados em pôr em causa a legitimidade de Filipe II, ao trono português. O caso foi tratado drasticamente pela corte espanhola, e o ambicioso pasteleiro acabou por ser enforcado.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vale o que vale...


O retrato, em imagem, é uma projecção do que poderia ter sido, no final do séc. XVI ou início do séc. XVII (data provável da pintura), D. Sebastião, não tivesse ele morrido, em 1578, a combater em África.
O quadro vai hoje a leilão, em Lisboa - segundo o jornal "Público" -, tendo uma base estimada de licitação de 30.000,00 euros. O retrato era pertença de condes italianos e terá ido a leilão, algures na Europa, aqui há quatro. Apesar de legenda (Sebastianus I Lusitanor ), foi arrematado como sendo de um nobre cavaleiro italiano, e atribuída a obra a um pintor desconhecido, espanhol ou italiano.
A obra poderá excitar os ânimos dos sebastianistas...mas, infelizmente, a usurpação em Portugal já re-começou, há uns tempos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma pausa com Aldana (?)


"[...]Com muita dificuldade
pode o homem prometer
firmeza em sua vontade,
porque todo o humano ser
está sujeito à variedade.

E não só o bem e o mal
está sujeito à fortuna
porque há mudança na lua
que é matéria celestial
ao terrestre dano, alheia[...]"

Nota: não é, absolutamente, seguro que este fragmento poético seja de Francisco de Aldana (1537?-1578). Mas é-lhe atribuído. Aldana morreu em Alcácer Quibir, combatendo ao lado de D. Sebastião.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Favoritos L : D. Pedro I



Chamaram-lhe o cru ou o justiceiro, consoante a perspectiva. D. Pedro I, que nasceu a 8 de Abril de 1320, foi um rei controverso. Partilha com D. Sebastião a popularidade mítica das lendas. No caso de D. Pedro, a do amor (por Inês de Castro) para além da morte, que inspirou vários escritores, desde António Ferreira ("A Castro") a Henry de Montherlant ("La Reine Morte"). Mas o rei, que deixou os cofres da Nação a abarrotar - e que seu filho, D. Fernando, se apressou a desbaratar em guerras inúteis e dispendiosas -, D. Pedro I, dizia eu, era também um homem inquieto. Parece que era dado a fúrias repentinas (aliás, na boa tradição dos nativos astrológicos de Áries ou Carneiro) e atreito a frequentes insónias. Nessas alturas, vinha para a rua, alta noite ou de madrugada, dançar, comer e beber com o Povo, à luz das tochas. Mas demos a palavra a Fernão Lopes que, assim, lhe esboça os contornos de retrato:


"Este rei Dom Pedro era muito gago. E foi sempre grande caçador e monteiro, sendo infante e depois que foi rei, trazendo grande casa de caçadores e moços de monte e de aves e cães de todas maneiras que para tais jogos eram pertencentes. Ele era muito viandeiro, sem ser comedor mais que outro homem, que suas salas eram de praça em todos os lugares por onde andava, fartas de vianda em grande abastança. (...) E el-rei Dom Pedro era em dar mui ledo, tanto que muitas vezes dizia que lhe afrouxassem a cinta - que então usavam não muito apertada -, por que se lhe alargasse o corpo por mais espaçadamente poder dar, dizendo que o dia que o rei não dava, não devia ser havido por rei. Era ainda de bom desembargo aos que lhe requeriam bem e mercê; e tal ordenança tinha nisto que nenhum era detido em sua casa por cousa que lhe requeresse. ..."

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Donizetti e Portugal


A última ópera composta por Gaetano Donizetti (1797-1848) foi "Dom Sébastien, Roi de Portugal", estreada em Novembro de 1843. Embora o libreto de Scribe contenha muitas inverdades ( o Cardeal-Rei, que fica como regente, é D. António, por exemplo) aqui fica um excerto, cantado por Stephen Powell. A título de curiosidade, registe-se que uma das personagens da ópera é Luís de Camões.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

D. Afonso I



À falta de uma, Guimarães tem duas estátuas do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques. Próximo do Castelo a clássica e conhecida, de Soares dos Reis, que já esteve no Toural e de que existe cópia em Lisboa. Mais recente, existe outra da autoria de João Cutileiro num dos largos da cidade, próximo da chamada "Porta da Vila". Não sendo tão feliz, na minha modesta opinião, como a de D. Sebastião, em Lagos, tem no entanto vulto e dignidade. E não desmerece o local onde foi colocada.
Para JAD.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

D.Sebastião, o Desejado, (20/1/1554 - 4/8/1578)



O "Sebastianismo" é uma das diagonais mais profundas da mitologia portuguesa. Chame-se, ou tenha-se chamado: "saudosismo", fado, "Nova Renascença", Sidónio Pais, Salazar, iberismo... Mas esta espera por um milagre que se atrasa, ou não se cumpre inteiramente, é ,porventura, também origem de uma qualidade imperfeita que nos define enquanto portugueses: o "desenrascanço". As soluções de improviso de quem espera até ao limite e tem, no último momento, de arranjar uma saída para o problema ou crise que não se resolveu por si, nem por alheios factores,nem com o tempo.