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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Pinacoteca Pessoal 161


Alemão de origem judia, o pintor Felix Nussbaum (1904-1944) chegou a ter grande sucesso público nos anos 20 e início dos 30 do século passado, até que a ascensão do nazismo, em 1933, determinou a sua fuga, com a mulher, pela Itália, Bélgica e França. Vindo a ser preso pelas autoridades de Vichy.


A fase inicial da sua obra, entre o expressionismo e o surrealismo, parece incorporar ténues influências de Chagall e Chirico, para gradualmente vir a assumir uma personalidade própria que culmina na tensão dramática dos seus últimos quadros, pintados no campo de concentração de Auschwitz, onde veio a ser assassinado em Agosto de 1944.



O auto-retrato, em imagem inicial, é de 1943 e representa o pintor exibindo o seu bilhete de identidade de judeu. A penúltima tela (Triunfo da Morte) e a final, com uma cena de Auschwitz, são quadros pintados no último ano da sua vida (1944).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Não só, mas também


O lado mais popular, e efémero, da visita breve do papa Francisco a Fátima, fez esquecer e obscureceu alguns aspectos secundários que foram propiciados por essa visita, e cuja importância ainda se pode avaliar e fruir.
Falou-se pouco, ou quase nada, das obras de arte que acompanharam a visita pontifícia, vindas dos Museus do Vaticano, e que enobrecem, temporária mas grandemente, duas exposições de Lisboa, que ainda podem ser vistas. Uma, de que aqui já falámos, na galeria de exposições da Igreja de S. Roque, a propósito do pentacentenário do Compromisso da Misericórdia (1516); outra, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), sob o título ou temática: Madonna.
Visitámos, hoje, esta última mostra. E se a surpresa de encontrar um pequeno Chagall inesperado, vindo dos Museus do Vaticano, me deslumbrou, não fiquei indiferente à cópia da Pietá de Miguel Ângelo, ou às pequenas tábuas de Rafael. E pude assim rever, também, o único Da Vinci, nas terras portuguesas, esse, vindo do Porto, da sua Faculdade de Belas-Artes, que muito raramente é exposto, por razões óbvias. E que, se calhar, muito pouca gente conhece...


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Algumas pequenas curiosidades a propósito de Chagall


Dizem os estudiosos que, na obra de Marc Chagall (1887-1995), há pelo menos duas fases distintas: até à sua partida para Paris, em que predominam tons mais escuros e cores mais sombrias, e, depois, na Cidade da Luz, com o uso de cores mais vivas e claras, que ganham mais espaço nas suas telas.
Dele, dizia Picasso: "Não sei de onde ele tira aquelas imagens... Deve ter um anjo na cabeça." Descendente de uma família judaica, o lado visionário da pintura de Chagall parece originar-se numa natureza mística, explicação que, de algum modo, é corroborada pelo próprio Artista que referiu várias vezes ter visões, chegando a descrevê-las... Aliás, como Kafka, também ele judeu.
Em abono da curiosidade e da astrologia, registe-se que ambos (Kafka e Chagall) tinham outra coisa em comum: eram os dois do signo do Caranguejo (ou Cancer) e, até, do mesmo decanato. Kafka nasceu a 3 de Julho (1883) e Chagall a 7 de Julho (1887).

Nota: o primeiro quadro, em imagem, intitula-se "Anunciação" e o segundo: "Introdução ao Teatro Judaico". Foram ambos pintados, ainda, na Rússia e pertencem, assim, à dita primeira fase da obra de Marc Chagall.

domingo, 13 de maio de 2012

David McNeill, filho de Chagall

Não fora eu ter sabido que era um filho de Marc Chagall (1887-1985) e talvez não ouvisse a música e letras que compôs, para si próprio, e outros. Como Yves Montand, por exemplo, através da canção "Hollywood". Refiro-me a David McNeill (1946), filho do pintor Marc Chagall, que, segundo o "Obs...", editou recentemente um livro de memórias: 28, boulevard des Capucines. Como intérprete, nunca teve excessivo sucesso, mas algumas das suas canções foram êxitos conhecidos, na voz de outros cantores franceses. 
No vídeo, recolhido do Olympia, em 1997, David McNeill canta em parceria com alguns dos seus copains.

para MR, comme il faut...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Retratos (4) : José J. C. G.


Quando re-acordei do traumatismo, no Santa Maria, a 1 de Novembro de 1973, cerca da meia-noite, o José J. C. G. (1937-1988) estava a meu lado, deitado numa maca térrea, o rosto ensanguentado, e a gritar: "- Tirem-me daqui!" A mim, o nariz doía-me terrivelmente, tinha partido a cana e, quando me assoei, o lenço ficou rubro. Tentei reconstituir tudo e foi difícil: só me lembrava, no automóvel, ao entrarmos no túnel do Campo Grande, de dizer: "- Começou a chover...", para o H. S. que ia ao volante e para o José, que ia sentado no banco de trás; eu ia no lugar do morto. Mas quem sofreu mais foi o meu Amigo da rectaguarda que foi projectado para fora da viatura, aquando do choque, e rojou vários metros pelo solo, até bater numa árvore. Mas, na altura do hospital, o tempo intermédio desvanecera-se por completo na cabeça, e uma branca nebulosa ocupara esse espaço. Só algum tempo depois, os três conseguimos reconstituir o acidente, como um puzzle difícil a que faltavam, para sempre, algumas peças. José teve duas fracturas expostas e só 3 meses depois voltou à empresa.
Eu tinha-o conhecido em 1972, já ele tinha 2 dedos a menos na mão direita - acidente da Guerra Colonial. Mas era folgazão, caloroso e solidário. O pai morrera-lhe cedo e José crescera e fizera-se homem, com um padrasto de nacionalidade italiana de quem herdara, provavelmente e por mimetismo, um gesticular frequente e um concentrado amor a Florença. Como eu, também gostava de vinhos velhos (lembro-me de um "Grantom", da Real Companhia Velha, anoso, que ele abriu e estava um espanto!) que compartilhava com alegria e generosidade. Mas depois desse segundo acidente do José, que eu partilhara, ficou-me um pressentimento irracional de que o meu Amigo tinha uma estrela maléfica a pesar-lhe no destino.
Depois da "Viradeira" de 76/77, o José, que assumira posições políticas no PREC, foi "emprateleirado", e resolveu sair da empresa. Fomo-nos encontrando, espaçadamente, para jantar. E eu sabia que ele estava com dificuldades financeiras. Falava-me de ir para Angola, para se aguentar melhor. Na última vez que jantei com ele, no "Rio Grande", veio acompanhado por uma Senhora jovem, a María de J., que conhecera em Cádiz, e por quem se apaixonara, perdidamente, rompendo um casamento de mais de 20 anos, e de que tivera  um casal de filhos. Quando me veio trazer a casa, de carro e na Ponte 25 de Abril, como vinhamos só os dois, sei que lhe disse: "- Não peças demais à María de J.!" Ele sorriu, e sei que andava feliz.
Acabou por ir para Moçambique, com a nova Mulher. E íamos trocando correspondência regular.
Uma noite do início de Outubro de 1988, a primeira mulher do José telefonou-me a dizer que o meu Amigo morrera e que a urna chegava no dia seguinte a Portugal. Tinha falecido na África do Sul, para onde fora de urgência, vindo de Moçambique, por lhe ter rebentado uma úlcera no estômago, fragorosamente. Os operadores já não o puderam salvar. Tinha pouco mais de 50 anos.
Cerca de dez dias depois, nascia no Maputo, um filho póstumo do meu Amigo, a quem María de J. pôs o nome de José J. C. G., Júnior. María de J. morreria cerca de 12 anos depois, em Cádiz. Nunca cheguei a conhecer o Júnior, mas sei que vive em Espanha.