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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Algaravias (11)


Desta vez, seguem-se, penúltimos, alguns regionalismos iniciados por s e t, seleccionados da obra Dicionário do falar algarvio, da autoria de Eduardo Brazão Gonçalves.

1. Sagorro - casmurro, bicho-de-mato; pessoa de maneiras pouco polidas; zorro.
2. Salapica - termo utilizado para designar as pessoas ruivas com sardas.
3. Salso - embirrento; maçador.
4. Sementão - animal de cobrição.
5. Sògueiro - sonso; que pratica actos que não seriam de esperar; manhoso.
6. Talamoncada - pancada forte.
7. Tàpiço - avental.
8. Toira - tacho.
9. Traçana - o que gosta de criticar, de dizer mal dos outros.
10. Triosga - bebedeira.

sábado, 2 de março de 2019

Algaravias (3)


Se uma língua se renova constantemente e, muitas vezes no presente, por força de neologismos oriundos das novas tecnologias, também não é menos verdade que muitas palavras se vão perdendo, na memória dos povos. Daí serem úteis as monografias de regionalismos locais, como este Dicionário do Falar Algarvio, de Eduardo Brazão Gonçalves, donde retiramos, hoje, algumas palavras iniciadas por c:

1. Cabaço de azinho - pessoa pouco inteligente.
2. Caçapos - dedos gordos.
3. Cagolho - pessoa pequena.
4. Calão - barco empregado especialmente na pesca do atum.
5. Caneiras - pernas magras.
6. Carrinho de molas - designação dada ao gesto obsceno que se faz encolhendo os dedos indicador e anelar ao mesmo tempo que se deixa o dedo médio bem esticado.
7. Chalão - grosseiro, arruaceiro; da beira-mar.
8. Charrinho alimado - diz-se de pessoa magra e débil.
9. Chorrilho - almece; nome do soro que escorre do queijo quando apertado no cincho.
10. Condelipa - designação para conquilha, na região de Lagos. *

* esta palavra deriva, por corruptela, de Conde de Lippe (1724-1777). Já abordei o assunto, aqui no Arpose, a 31 de Março de 2017, em Curiosidades 63.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

No reino dos Algarves


Do Algarve, província portuguesa que não aprecio particularmente, guardo no entanto boas recordações de Lagos e de Vila Real de Santo António. Lagos não se descaracterizou demasiado e o seu "D. Sebastião", de Cutileiro, é das esculturas portuguesas que mais gosto e que nunca me canso de rever. Quanto a Vila Real de Santo António, o seu geométrico traçado pombalino ordenou-a para sempre (?) em patamares até ao rio, de uma forma estética admirável. Onde me sinto bem.
Faço por esquecer Faro e o desordenado Portimão, que me parecem um Cacém ou Reboleira, mais cosmopolita. Dizem que foram os Patos Bravos que estragaram a paisagem algarvia. Talvez.
Mas agora, segundo notícias visuais do meu amigo A. de A. M., parece que um escultor português também contribuiu com um mamarracho de pedra mármore para desfear a zona ribeirinha da Vila Real do Sul. E nada menos que o mesmo escultor do magnífico "D. Sebastião", de Lagos - pois é, o mesmo João Cutileiro (1936). Ele há horas infelizes...
Esta senhora, poetisa ao que dizem, chamava-se Lutgarda Guimarães de Caires (1873-1935) e há-de vir a assombrar (para sempre?) as margens de Vila Real de Santo António. Juntando-se ao Sá Carneiro guilhotinado do Areeiro (Lisboa) e ao Bispo do Porto, anão de pernas curtas, no Jardim da Cordoaria. Fica completo, assim, o trio de horrores da escultura portuguesa moderna...


com agradecimentos a A. de A. M..

sábado, 28 de março de 2015

Retro (67)


Mais um folheto publicitário do ex-SNI, desta vez destinado a publicitar, turisticamente, a bonita cidade de Lagos, uma das poucas urbes algarvias de que guardo gratas recordações.
No entanto, a sua bela e grande baía, nos finais do século XVI, foi ponto de partida para duas tragédias ibéricas. Em 1578, de lá partiu com barcos portugueses, D. Sebastião com destino à morte, em Alcácer Quibir. Dez anos mais tarde (1588), lá estadiou a Invencível Armada, vinda de Cádiz, antes de se dirigir rumo à Inglaterra. Uma forte tempestade, haveria de destruí-la, antes de conseguir o seu objectivo bélico.
Infaustos acontecimentos que hoje não ensombram, senão de memória, a sua beleza.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

D. Afonso I



À falta de uma, Guimarães tem duas estátuas do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques. Próximo do Castelo a clássica e conhecida, de Soares dos Reis, que já esteve no Toural e de que existe cópia em Lisboa. Mais recente, existe outra da autoria de João Cutileiro num dos largos da cidade, próximo da chamada "Porta da Vila". Não sendo tão feliz, na minha modesta opinião, como a de D. Sebastião, em Lagos, tem no entanto vulto e dignidade. E não desmerece o local onde foi colocada.
Para JAD.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Primavera no Largo



A tarde primaveril e amena convidava à dispersão pela calçada portuguesa. Falou-se da Foz, do Algarve, da Praia do Meco. Por ordem inversa, na contiguidade: Francisco Sousa Tavares, Cândido Guerreiro (sem lhe dizer o nome) e Sophia. De provocação, generosidade e heroísmo. E, eu tinha defronte o chafariz - que, de útil, passou a monumento seco -, onde um rosto imóvel de pedra me fitava e uma boca aberta que já não era fonte. À noite, em casa, vieram as palavras:

...e a sede foi secando pelas fontes
onde as bocas sorveram o vazio.

Daí veio o Juan Ramón Jimenez. Depois o comentário. Eugénio e Sophia para fechar o rectângulo do Largo soalheiro ("...estes dados reunem-se sempre para formar uma nova coerência.", T. S. Eliot). Também o meu interlocutor dissera: "Estamo-nos a atropelar na conversa...", e eu pensara: tal é a força da Primavera e da amizade. Ficou-me também uma zoada de italiano e espanhol na esplanada, mas o mais forte foi o riso que rimos e o bem que estavamos falando de coisas tão dispersas que iam de Lagos a Matosinhos, depois dos filetes de linguado com arroz de pimentos vermelhos. Com um Evel branco, muito fresco. Do passado ao futuro que ia acordando, imperceptível, da morte do presente. A Primavera no Largo...

P. S. : para "c. a. ", em diagonal.