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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Retratos de Isabel de Portugal, mulher de Carlos V



 A imperatriz, três anos mais nova do que Carlos, era esbelta e airosa, ruiva e de pele levemente rosada, como a sua avó, e sua homónima Isabel; mas era mais feminina e, a julgar pelos retratos de Ticiano, Coello e outros, muito mais bela. Os seus olhos eram azúis como os do seu marido, mas muito mais escuros; as suas sobrancelhas largas, desenhadas com uma leve irregularidade encantadora; a sua fronte, lisa e fina, de ampla curva que traduzia uma personalidade harmoniosa e equilibrada; o seu lábio inferior era um pouco grosso, ainda que menos do que o do seu marido, Habsburgo; o superior era como um arco divino de amor; o seu abundante cabelo, dourado. Era em suma de um tipo bem mais nórdico do que do Sul e, segundo a opinião de todos, a mulher mais digna de ser amada na terra.

William Thomas Walsh, in Felipe II (Espasa-Calpe, 1968).



domingo, 13 de dezembro de 2015

Para a iconografia de Isabel de Portugal


Da casa real portuguesa, Isabel de Portugal (1503-1539), filha de D. Manuel I e D. Maria de Aragão, é porventura uma das figuras mais retratadas ou, ao menos, cujo retrato foi feito por pintores de maior qualidade. Culta, piedosa e de rara beleza, Isabel casou, em 1526, com Carlos V (1500-1558), tendo morrido de parto ao dar à luz o quinto filho, que nasceu morto. Três filhos lhe sobreviveram, sendo que o mais velho, Filipe II de Espanha, viria a ser rei de Portugal.
O seu retrato mais conhecido é, provavelmente, o que foi pintado por Ticiano, e que encima este poste. O casal régio foi também pintado por Peter Paul Rubens, e a tela pertence ao acervo dos duques de Alba. O terceiro retrato, do pintor inglês William Scrots, está num museu da Polónia. Há quem duvide que o quadro represente Isabel de Portugal. A tela, na minha opinião, acusa influências de Lucas Cranach, não deixando de ser uma bela obra.


domingo, 7 de outubro de 2012

Sophia, e um poema seu de título incorrecto


Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia Andresen, in Mar Novo (1958).

Nota: como se explica no poste contíguo "Pequena história (15)", o título deste poema, de acordo com a verdade histórica deveria ser: "Meditação de S. João de Ávila...". Não deixa, por esse facto, de ser um dos grandes poemas de Sophia Andresen, e de toda a Poesia portuguesa.

Pequena história (15)

É frequente que figuras célebres polarizem e concentrem em si, sendo-lhe atribuídos, ditos espirituosos e frases que outros, menos conhecidos, pronunciaram. Um dos casos mais curiosos ( e até Sophia Andresen caíu na esparrela) é a célebre frase: "Nunca mais servirei senhor que possa morrer". Que corre atribuída a Francisco de Borja e Aragão (1510-1572), hoje santo, Superior dos Jesuítas, que a teria pronunciado, ao ver morta Isabel de Portugal. O poema de Sophia intitula-se "Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal", e é, para mim, um dos mais belos poemas da escritora. Mas a frase não é de S. Francisco de Borja. Foi dita por S. João de Ávila, integrada na oração fúnebre das exéquias da filha de D. Manuel I, esposa de Carlos V.
Saíu recentemente, na Inglaterra, a obra "Churchill in His own words" que, a propósito de citações, indevidamente atribuídas ao grande estadista, consagra um capítulo a "False attributions", onde vêm referidas 2 histórias que, pelos vistos, não terão acontecido com Winston Churchill. Na primeira o PM inglês teria dito, a propósito do político Arthur Balfour: "If you wanted nothing done, Balfour was the man for the task!" (ou seja: "Se se quisesse que nada fosse feito, Balfour seria o homem indicado para o trabalho"). A segunda história, falsamente atribuída a Churchill, teria ocorrido durante um jantar em Blenheim, em 1913, com a participação de Nancy Astor. Esta teria dito ao grande estadista: "Sir, if I were married to you I'd put poison in your coffee." Ao que Winston Churchill, quase de imediato, terá retorquido, imperturbável: "Madam, if I were married to you, I'd drink it."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A importância das trombetas


"...Quando a terceira esposa de Filipe o Bom, Isabel de Portugal, chegou a Bruges em 1429, havia mais trombetas e menestréis aguardando-a que nunca dantes se vira; havia «pelo menos cento e vinte trombetas de prata» acompanhando a comitiva e mais setenta e seis à entrada do palácio ducal, «faziam tanto barulho que se ouvia em toda a cidade». Quanto mais terrífico era o barulho mais valor tinha - até os instrumentos relativamente mais suaves dos princípios do século XV faziam muito mais barulho que os seus sucessores da Renascença."
Alec Robertson e Denis Stevens, in "História da Música", 1963.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Isabel de Portugal e Borgonha


Saído recentemente (Junho de 2010) dos prelos da Editorial Presença, o livro "Isabel de Portugal - Duquesa de Borgonha", de Daniel Lacerda, não perseguindo altas ambições, é uma biografia com ampla informação e bibliografia, simpática de ler, sobre a filha do nosso rei D. João I e Filipa de Lencastre, e que foi esposa de Filipe, o Bom, Duque de Borgonha.
Daniel Lacerda conta-nos o gosto que Isabel de Portugal (1397-1474) tinha por aves e a prenda pré-nupcial, que Filipe III lhe fez, de dois cisnes; também se fica a saber a origem da ordem do Tosão de Ouro, criada em 1429, para celebrar o casamento ducal, onde também se bebeu o "doce moscatel trazido de Portugal".
Não sendo muito habitual, no Arpose, falar-se de livros recentes abre-se uma excepção a este volume histórico-biográfico de leitura muito agradável.