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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Últimas aquisições (30)

 


No local próprio foram estas, literalmente, as últimas aquisições (com mais um livro de Unamuno e outro sobre os marechais, em francês, do tempo de Napoleão Bonaparte), que fiz, ontem, na rua do Alecrim, nº 44. Bernardo Trindade fechou as portas da sua singular loja de alfarrabista. As razões não será necessário explicá-las. A legislação sobre as rendas, de uma antiga ministra abonecada, foi só o começo...
Durante cerca de 40 anos, primeiro com o pai (Tarcísio Trindade, alcobacense ilustre) à frente do negócio, e nos últimos anos com o filho dirigindo a loja, o local era um sítio de eleição e, muitas vezes, de encantamento para mim. Uma boa parte dos melhores e mais interessantes livros da minha biblioteca foi lá adquirida e a preços justos.
Ao Bernardo Trindade, o meu abraço cordial de amiga solidariedade.







quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Livro raro?


De uma informal conversa  do novel ficcionista com a Revista Estante (FNAC), fiquei a saber que ele não frequenta alfarrabistas. Está no seu pleníssimo direito, evidentemente. Mas diz que tem uma obra particularmente rara na sua biblioteca: um D. Quixote de La Mancha, dos anos 60, escrito em espanhol.
Mais de 350 anos depois da edição original (1605-1615) do livro de Cervantes, em castelhano, que edição será esta, assim rara? Fac-similada? Luxuosamente ilustrada, e por quem? Com tiragem numerada de poucos exemplares?
Fiquei curiosíssimo...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Benéficos morcegos


Será, provavelmente, caso único no mundo, mas que, em Portugal, acontece em dois locais diferentes: Mafra e Coimbra. Duas colónias de morcegos, à noite, entram para a Biblioteca Joanina (Coimbra) e para a Biblioteca do Convento de Mafra, para se alimentarem de insectos, nomeadamente, xilófagos, que tanto mal causam aos livros. O ecossistema funciona assim, naturalmente, sem intervenção humana, e evitando a utilização de produtos químicos de desinfestação, que causariam, decerto, alguns danos colaterais nos ricos acervos destas duas bibliotecas portuguesas. Há que rever, por isso, a nossa perspectiva, normalmente, negativa sobre estes mamíferos voadores.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Leilões antigos / Velhos catálogos


Não é com absoluta indiferença que folheio velhos catálogos de leilões de livros, onde alguém, com mão emotiva e talvez nervosa, anotou a lápis, os preços finais de cada lote. Já me aconteceu, também, a mim...
Nos últimos dias, o meu Alfarrabista de referência, colocou à venda, sobre uma mesa comprida, largas dezenas (talvez uma centena) de catálogos de leilões de livros, com as capas amarelecidas ou acastanhadas pelo tempo. Uma boa parte tem os preços finais de cada lote. Os leilões das bibliotecas de Delfim Guimarães ou de Virgínia Rau, constam. Feitos por Arnaldo Henriques de Oliveira, que eu ainda conheci a leiloar, numa sala esconsa e inóspita da sede dos Amigos dos Hospitais, ao Principe Real.
Procurei, como é meu hábito, alguns autores do meu afecto. Consegui encontrar, num leilão dos anos finais da monarquia ( 1907 ou 1908), a venda da segunda edição (1614) das Obras de Sá de Miranda. O lote foi arrematado por 2.700 réis. Nesses catálogos, largamente manuseados, havia também Francisco Manuel de Melo, Camões, Garrett, Herculano... Um mundo, que passou de mãos, talvez com alegria, efémera.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Livros Antigos


Será, com certeza, uma das jóias da coroa a ser disputada no próximo leilão da Sotheby's, em Londres, a 28 de Novembro. A almoeda é composta por livros antigo da Europa Continental, da Rússia e Manuscritos.
O exemplar, em imagem (Novo Testamento em Latim e Grego), foi impresso em Alcalà de Henares, no ano de 1514. É, por isso, um post-incunábulo, e tem uma estimativa de venda entre 7.000 e 10.000 libras inglesas.