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terça-feira, 16 de abril de 2019

A arte de rebaixar a Arte


Sabe-se que Rembrandt foi um dos pintores europeus que mais se auto-retratou.
Não conheço, nem sei da qualidade mental do sr. Taco Dibbits que, ao que diz o TLS, será o director do Rijksmuseum de Amesterdão. Onde, até 10 de Junho de 2019, estará patente uma grande exposição (All the Rembrandts) sobre a obra do pintor holandês.
Mas aquele sr. director deve ser um homem propenso a afirmações ambíguas ou infelizes, e o seu pensamento deve puxar-lhe, intrinsecamente, para o chinelo. Bombástico, afirmou tonitroante - também segundo o TLS - que Rembrandt terá sido "o primeiro Instagrammer" (sic). Qualquer dia, e se não o calam de vez, ainda é capaz de dizer que Van Gogh foi o primeiro autor de "selfies"...
Irra!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Do que fui lendo por aí... 22


Com os anos, fui resumindo, pragmaticamente, as leituras que vou fazendo, em dois tipos: as que me enriqueceram e aquelas que me fizeram perder tempo. No primeiro dos casos, está Campo Santo, de W. G. Sebald (1944-2001). Não só é um livro, apesar de póstumo, bem pensado e bem escrito, estimulante pelas reflexões que nos provoca, mas também pelas muitos informações culturais que nos fornece.

Desde várias descrições, algumas das quais históricas, sobre a Córsega, a obra aborda também a literatura alemã do pós-guerra, assim como as repercussões psicológicas do conflito nos alemães que por ele passaram. O livro fez-me também vir a conhecer a pintura de Peter Weiss (1916-1982), que tem um quadro, provavelmente, inspirado na célebre Lição de Anatomia, de Rembrandt.


E foi, pelo menos, curioso saber que o médico representado no quadro se chamava Nicolaes Tulp. E o corpo exposto era o de um ladrão de Leyden, de nome Aris Kindt, que sofrera a pena capital. O que me permitiu concluir que a tela de Rembrandt se baseou numa realidade objectiva.
Pormenores e miudezas - dirão alguns. Eu acho que não.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Divagações 127


Era Harold Bloom que falava da angústia da influência, querendo dizer que nenhum artista se pode libertar, inteiramente, da herança de outros, por muito original e inovador que seja. E a afirmação tanto poderá servir para escritores, poetas, como para escultores e pintores. Mesmo para outros artífices de profissão mais modesta.
O tema insólito e anódino de uma carcaça de animal abatido, para consumo, que, aparentemente, não apresenta nem desperta grandes sentimentos estéticos, foi usado por dois pintores, muito diferentes, com um intervalo de quase 300 anos. Rembrandt (1606-1666) pintou o quadro (carcaça de bovino) entre 1640 e 1645; a tela de Soutine (1893-1943) foi executada (neste caso, a carcaça de um cavalo) em 1925.


domingo, 29 de outubro de 2017

Pinacoteca Pessoal 130


Contemporâneo e amigo de Rembrandt,  o pintor holandês Hercules Segers (1589-1638), filho de pais flamengos emigrados, teve algum sucesso profissional, em vida, mas, depois, a sua obra foi esquecida. Principalmente, porque não pintou muitos quadros, embora a sua obra gráfica seja extensa. Ele próprio comercializava os seus trabalhos, directamente. Mas muito do papel das suas gravuras, na sua fase de apagamento, acabou por servir para embrulhar sabão, pimenta, peixe, manteiga e outros produtos de alimentação... Sobreviveram, no entanto, cerca de duas centenas de obras.



As suas poucas telas espelham horizontes rasos e limpos, a perder de vista, nimbados, quase sempre, por uma luz crepuscular.
No final do século XX, a sua obra foi redescoberta e o talento, que lhe era próprio, reconhecido. É hoje considerado, por grande parte dos críticos de arte europeus, como um inovador, sobretudo pelas suas gravuras muito singulares, que antecipam a modernidade.



Mas também pela sua perspectiva visual das paisagens e por uma atenção muito própria às coisas da Natureza. Representado no Rijksmuseum (Amsterdão), Hercules Segers foi objecto de uma exposição recente no Metropolitan Museum, de Nova Iorque.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pinacoteca Pessoal 97


Considerado um dos mais prolíficos e apreciados retratistas ingleses, o pintor Jonathan Richardson (1667-1745) dedicou-se também à poesia e escreveu sobre Arte, com conhecimento de causa. Coleccionava desenhos dos grandes Mestres do passado e, à data da sua morte, tinha reunido um acervo valioso de mais de quatro mil obras que, parcialmente, foram vendidas em leilão. Tirando Rembrandt, é, talvez, o pintor europeu que mais se autorretratou. Obcecado pelo tempo, todas as suas poesias manuscritas tinham data e, muitas vezes, a hora em que as escreveu. Retratou, em métodos clássicos, uma boa parte das personalidades do seu tempo. Como por exemplo o poeta Alexander Pope, de quem era amigo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Tempos cruzados


Ora acontece que, no mesmo dia, me foi dado folhear um catálogo interessante de uma casa leiloeira lisbonense e, logo a seguir, ler um artigo esclarecedor sobre as razões que obrigaram o pintor holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) a ter que vender a sua casa e leiloar grande parte do seu recheio, nomeadamente, de pinturas suas, de Holbein e de outros artistas consagrados - para grande mágoa pessoal.
O catálogo português, que vi, permitia supor, pela casa que albergava algumas preciosidades, na linha de Sintra, que pertenceria a uma família com grandes posses mas que, por motivos de herança e/ou da crise que nos atinge a todos, se vira obrigada a leiloar: Botelhos, Pomares, Dordio Gomes, Josefas, para só falar de pintura portuguesa...
E não pude deixar de pensar naquelas tias da Linha de Cascais que, segundo Queiroz Pereira referiu, à noite, fazem bolos para vender, de manhã, aos restaurantes da zona. Como me recordei que, ainda não há muito tempo, uma sobrinha delas, dizia que ia para a Comporta "brincar aos pobrezinhos".
Ao menos, a ruína de Rembrandt devia-se, não à má gestão, mas às consequências da guerra anglo-holandesa (1652-54) e ao declínio económico da Holanda. As "malhas que o Império tece..." - como diria Fernando Pessoa.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Imaginação e notável iniciativa


Com base na, impropriamente chamada, obra "Ronda da noite", de Rembrandt, esta performance que surpreendeu positivamente os clientes de um centro comercial holandês. A AVP, os meus agradecimentos mais cordiais.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Caravaggio e o "chiaroscuro"


Em Montpellier, no Museu Fabre, mas também em Toulouse, decorrem exposições com o título de "Corps et Ombres" (Corpos e Sombras), até 14 de Outubro de 2012. Iniciado por Leonardo da Vinci, o "chiaroscuro" atingiu o seu desenvolvimento pleno na obra de Michelangelo Morisi da Caravaggio (1571-1610), tendo Georges de La Tour e Rembrandt como continuadores mais importantes. São estes pintores, os mais representados nas exposições referidas.
Diz o povo que "mais vale cair em graça do que ser engraçado", e Caravaggio nunca me caíu muito em graça, não impedindo esse facto de eu o considerar um dos grandes da pintura europeia de sempre. A sua vida sempre "à margem", a morte misteriosa, identificarem-no como "pintor e assassino" e a sua genialidade, no conjunto, contribuíram para a lenda e atracção que provoca. De algum modo, como Villon, Verlaine, Rimbaud, noutro patamar da Arte - a Poesia. Ser "artista maldito" tem algumas compensações...
Dito isto, o "chiaroscuro" que preside às exposições faladas acima. E reforçando a exemplaridade dele, na obra de Caravaggio, vale a pena citar um biógrafo (que não consegui identificar) que refere: "Levou tão longe o seu método de trabalho que não punha nunca ao ar livre e ao sol nenhum dos seus modelos, mas encontrava maneira de os colocar na penumbra dum quarto fechado somente iluminado por uma luz que descia do tecto incidindo sobre a parte principal do corpo e que deixava o restante espaço na sombra, de maneira que a violência do chiaroscuro reforçasse o conjunto". Como se pode comprovar, aliás, no quadro em imagem, intitulado "Mulher lendo a sina".

para MR e JAD, aficionados da obra de Caravaggio. E também para Margarida Elias, por óbvias razões.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O prazer da água


Vai o poste em diagonal, por várias razões. Nestes dias de canícula, a água fresca bebida, ou onde mergulhamos o corpo, tem um prazer natural e desmedido.
E creio que este quadro célebre de Rembrandt, que se guarda no Louvre, com o título de "Betsabé no banho", pintado em 1654, espelha bem, e como nenhum outro que eu conheça, esse prazer simples e reconfortante do corpo sentindo a frescura da água. É essa física alegria íntima que Rembrandt conseguiu transmitir ao rosto do modelo, de forma imperecível e exemplar.

para c. a., exemplificando.

domingo, 12 de junho de 2011

Adagiário XLII : quintilha


Até aos quarenta
Muito bem eu passo;
Dos quarenta em diante
Ai a minha perna,
Ai o meu braço.