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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Comic Relief (167)

 


Traduzindo o início do artigo (TLS nº6378): "Uma velha piada soviética diz assim: « Somente o futuro é certo: o passado é imprevisível»."

terça-feira, 31 de março de 2026

Do que fui lendo por aí... 75

 

Em 1885, dez pintores lisboetas abancaram em volta de uma mesa de cervejaria, enquadrados, já, para a posteridade. Eram jovens de menos ou pouco mais de trinta anos, em princípio de carreira, e em princípio de "escola" também, que começava a ser a naturalista, em descoberta pós-romântica do país - ou romântica ainda, necessária e fatalmente. O quadro destinava-se ao próprio sítio da reunião habitual. Abancados todos, menos um que, de pé, chapéu alto na cabeça e bengala sob o braço, como de propósito sai do quadro que ele próprio pintou, aliás - ou por isso mesmo.

José-Augusto França (1922-2021), in Malhoa & Columbano (pg. 21).

com agradecimentos a H. N.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Próxima leitura



Com alguma perplexidade, tenho de concluir que há duas figuras da história de França que exercem algum fascínio sobre mim: Charles de Gaulle (1890-1970) e François Mitterrand (1916-1996). Talvez até mais do que qualquer dos nossos presidentes da República Portuguesa.
Sabendo disso, um bom amigo meu, a quem agradeço, emprestou-me este Hors-Série (em imagem), a cuja leitura irei dar prioridade.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Recuperado de um moleskine (48)


 
O poema tem sempre de nos convencer primeiro, para gostarmos dele e o incorporarmos no nosso entendimento. Ainda que as palavras não nos sejam próximas. Pode até acontecer que desconheçamos o significado de uma ou outra palavra e que os possíveis sinónimos nos levem a dispersos e inconclusivos caminhos e motivos. Um esforço que teremos de fazer pela compreensão do todo, de forma a que o sentido ganhe uma dimensão pacífica de leitura pessoal ou subjectiva.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Do que fui lendo por aí... 74


 
Quase nada é estanque na vida. Nem os anos são isentos de sequência entre si. As leituras, por vezes, associam-se por influências. Ou sucedem-se. Do ano que passou para este que ainda agora começa, levo ainda comigo, para acabar de ler em 2026, este TLS, com uma bonita capa que reproduz um fragmento de uma tela do pintor francês Alfred Victor Fournier (1872-1924) - que encima este poste. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Do que fui lendo por ai... 73

 


"... Além disso, os insensatos massacres das tribos do Continente Negro pelos brancos não destoavam das próprias tradições dessas mesmas tribos. O extermínio de grupos hostis foi norma em todas as guerras entre os nativos africanos, que não foi abolida nem mesmo quando um líder negro veio unir as várias tribos sob o seu comando. O rei Tchaka, que no início do século XIX uniu as tribos zulus para formar uma organização extraordináriamente disciplinada e guerreira, não chegou na realidade a estabelecer uma nação de zulus. Conseguiu apenas exterminar mais de um milhão de membros das tribos mais fracas. Como a disciplina e a organização militar, por si sós, não podem estabelecer uma estrutura política, a destruição ficou como um episódio não registrado num processo irreal e incompreensível, que não pôde ser aceito pelo homem e, portanto, não é relembrado pela História humana. ..."

Hannah Arendt (1906-1975), in Imperialismo, a expansão do poder (pg. 103).

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Do que fui lendo por aí... 72

 

De vez em quando, não desdenho frequentar estas obras de coscuvilhice nobre, para arejar de outras leituras, e que nos trazem quase sempre algumas curiosidades e informações fidedignas, ao invés dos vendilhões Cury, ou até Dan Brown, mesmo o seu prosélito luso orelhudo locutor...
Depois de lido o livro, fiquei a saber algumas novidades sobre D. Manuel II e seus derriços, bem como sobre o seu tio Afonso que foi o último vice-rei da Índia (portuguesa), bem como o derradeiro Condestável de Portugal. E não foi pouco...

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Do que fui lendo por aí... 71

 

"A linguagem busca constantemente impor o seu domínio sobre o pensamento. Na corrente de pensamento, ela gera remoinhos, aos quais chamamos «perturbações mentais», e aqueles bloqueios que dão pelo nome de obsessões. Todavia, a interferência, a incessante «turbação das águas» são também aquelas da criatividade. Nesta ondulação da maré, o acto de pura concentração, a tentativa de purgar a consciência das suas ficções vitais, das alucinações lúcidas de desejo, intencionalidade ou medo são, como já anteriormente fizemos notar, extraordinariamente raros."

George Steiner (1929-2020), in  Dez Razões (Possíveis) para a Tristeza do Pensamento (pgs. 33/4).


Nota pessoal: para quem, como eu, não se dá lá muito bem com a filosofia, este livro de ensaios, de George Steiner, é um manancial de reflexões singulares e irradiantes, que nos levam até longínquas paragens...

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O próximo

 


Emprestado pelo meu bom amigo H. N., de um autor de que partilhamos o gosto, este será o livro que se segue, na leitura. O título é todo um programa...

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Outras gulas

 
A minha guerra constante é tentar não abrir mais frentes de leitura. Na mesinha de cabeceira, há um TLS e um livro já iniciado. Na mesa do computador, do lado direito, um jornal e dois livros já começados. E vão 5.
Pode concluir-se, com segurança, que a gula não é só aplicável ao comer.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Da leitura 62


Por aqui se hão-de ver algumas diferenças de dois celebrados realizadores do cinema italiano:

 


" A 9 de Maio de 1962 iniciam-se em Roma as filmagens de 8 e 1/2 de Federico Fellini (1929 -1993). Cinco dias mais tarde começam na Sicília as de O Leopardo, de Luchino Visconti (1906-1976). Ambos os filmes se acabam em Outubro desse ano. (...) Visconti programou tudo. Fellini deixa-se levar pelas circunstâncias. Tudo opõe Luchino Visconti e Federico Fellini. (...) No cenário de Fellini reina a confusão. Sem ruido este último perde a sua calma e a sua inspiração. Com Visconti, o silêncio é de rigor, e a sua equipa vive no temor de o pertubar."

Samuel Blumenfeld, in En 1962, l'apogée du cinema italien (Le Monde, 11 de Julho de 2025).

domingo, 27 de julho de 2025

Recomendado : cento e sete

 


Não é demais repetir que ando cansado da ficção, de há anos, não só porque grande parte do que é editado, em Portugal, é de fraca qualidade, mas também porque a vida a substitui de forma alternativa e, muitas vezes, excessiva. Viro-me antes para a história, poesia e para o ensaio. Não me tenho dado mal.
Tirando a prosa, as obras de Javier Marías (1951-1922), considerado o mais inglês dos escritores espanhóis, são muito do meu agrado. É o caso deste Literatura e Fantasma (1998), de que vou apenas na página 55 (das 296), mas cuja leitura me tem dado imenso prazer. Por isso aqui o venho recomendar.

domingo, 25 de maio de 2025

Do que fui lendo por aí... 69



Nem sempre a pequenez de um país o remete, fatalmente, para a sua insignificância diplomática ou para uma neutralidade política obrigatória. É isso que me vem dizendo a leitura (vou na página 107 das 592 totais) deste interessante livro, capa em imagem acima, que me foi emprestado por H. N., em boa hora.
Em abono dessa ideia inicial eu poderia também lembrar Cuba dos tempos de Fidel ou até mesmo a Coreia do Norte e o seu algo ridículo Kim Jong-un, presentemente.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Do que fui lendo por aí... 68



"Todos os franceses leram Maupassant, muitas vezes na sua adolescência. (...) Considerado como um clássico, ainda em vida, Maupassant é, com Dumas, um dos raros autores do século XIX que os jovens leitores podem devorar para seu próprio prazer." 

Alexis Brocas, in Édito (Les Classiques de Lire Magazine, nº 14).

domingo, 13 de abril de 2025

Números

 


No ano de 2024, as editoras portuguesas produziram cerca de 20.000 títulos para o mercado nacional. No presente ano de 2025 a média de venda diária foi de cerca de 35.000 livros,  no primeiro trimestre, em Portugal. O jornal Público informa-nos ainda que o género mais procurado foi a literatura infanto-juvenil que representou uma cota de 35,6% da venda total.

Pergunto eu; será que as criancinhas e os juvenis conseguiram ler tudo isto?!

quarta-feira, 5 de março de 2025

A ler



Curiosa, no bom sentido da palavra, a Isabel (blogue Palavras Daqui e Dali) perguntou, no seu último poste, por aquilo que andávamos a ler. O meu comentário ainda não foi publicado e, por isso, vou adiantando a resposta, por aqui. A tradução desta obra (capa em imagem) de Walter Benjamin (1892-1940) é de João Barrento. Vou apenas na página 32, mas espero que o livro me traga gosto e proveito.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Osmose 142

 



Tenho vindo a reler, de forma continuada, os textos em prosa de Eugénio de Andrade (1923-2005) que a Modo de Ler editou em Abril de 2011, com um competente e útil prefácio de Luís Miguel Queirós (1962).  A temática ganha muito lida em conjunto e sublinha, indirectamente, a mestria e qualidade da prosa do grande poeta.
Das suas palavras saem nítidos retratos com evocações singulares e comoventes de Pascoaes e Pavia, justas, embora talvez um pouco cruéis, de Botto e Homem de Mello, entre outras figuras que ele conheceu de perto.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Últimas aquisições (54)

 


Não comprei o livro sobre a biografia de Alexandre O'Neill há muito ( foi editado em Abril de 2024 ) e comecei a lê-lo há pouco tempo ( vou na página 61 ). O que foi entusiasmo antecipado, durou pouco. Da leitura, colhi uma impressão de desarrumo e, embora carreie alguma informação pouco conhecida, o texto, em si,  parece-me confuso. Não  recomendo a obra, por isso.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Mercearias Finas 201


 
É uma das temáticas mais apreciada e procurada pelos bibliófilos, que me foi dado ver em leilões de livros, a de "Portugal visto pelos estrangeiros". Osberno, Beckford, o Príncipe Lichnowsky e a senhora Rattazi serão talvez alguns nomes com obras maiores e mais conhecidos, mas haverá muitos outros, ainda que secundários, que deixaram por escrito o seu testemunho importante sobre o nosso país e costumes.
Deste tema se ocupou, com afinco, persistência e interesse, J. A. Castelo-Branco Chaves (1900-1992) que fez editar e até traduziu muitas das obras sobre o assunto, algumas das quais se conservavam inéditas, pondo-as à disposição dos leitores potenciais. Entretanto, a revista Visão História, no ano passado, publicou uma antologia do tema em questão. Vou transcrever, sobre gastronomia portuguesa, o registo do médico naturalista francês Charles de Merveilleux, de 1723. 
Segue:

"Devo advertir os estrangeiros a serem muito circunspectos em aceitar convites de qualquer português, porque a retribuição lhes sairá muito cara, pois esta gente censura aqueles que os não obsequeiam à sua maneira. Assim, se é altura de haver perus, será necessário um peru para cada convidade, e vi frequentemente portugueses que, de uma assentada, comiam uma perdiz, um frango, uma galinha, sem por isso deixarem de fazer honras aos pratos restantes que enchiam as nesas. Em Portugal só se aprecia o assado e até a caça mais delicada excessivamente passada ou cozida, quase reduzida a pó. Um peru deve ser cozinhado de forma a poder ser partido com os dedos.
Usam comer o cozido depois do assado. As sobremesas preferidas são manjar branco, geleias, gemas de ovos revestidas de açúcar tal como em França o são com sumos. Os doces líquidos comem-nos à colher e num abrir e fechar de olhos ingerem uma libra deles. Em cima, bebem água e depois voltam a comer outras espécies de doces, Não sabem o que são saladas, cebolinhas e outros aperitivos. O melhor dos seus doces secos é, quanto a mim, a abóbora coberta. Gostam muito de framboesas e de groselhas, que não se cultivam em Portugal. (...) Raramente nos dão em Portugal copos bem lavados. A apresentação da mesa não é má, mas os portugueses ignoram as boas maneiras e servem os seus convidados com os dedos que acabam de meter na boca."

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Para uma silhueta de Maigret



Tenho vindo a ler, paulatinamente, um grosso volume, com mais de mil páginas, em que o francês Pierre Assouline (1953) se debruça sobre a vida e obra do belga Georges Simenon (1903-1989). Sendo um trabalho importante e original de análise e investigação, achei por bem vir a fazer uma pequena selecção do que fui lendo, e traduzindo algumas passagens mais significativas, que por aqui deixo registadas:




"Nome (Maigret) engraçado. Como o teria ele (Simenon) encontrado? Quando o pequeno Sim era jornalista na Gazette, um elemento da polícia de Liége chamava-se Arnold Maigret, mas nada indica que os dois homens se tivessem conhecido. Em Paris, um tal Julien Maigret, que acabava de passar quinze anos no Congo, prepara-se para assumir o cargo de primeiro director do Poste Colonial, emissora de rádio do império francês, em maio de 1931, ou seja dois anos depois de ter surgido o patronímico pela pena do escritor. (...) E Simenon descobrirá ainda mais tarde com boa disposição, lendo no inglês Sainte-Beuve de Harold Nicholson, que na página 201 um certo «M. Maigret, director da Segurança geral» teve uma intervenção nos acontecimentos ocorridos em 1855, se não há mais tempo!
Bem como há que confessar: que se ignora como este nome lhe veio ao espírito, ainda que se possa especular infinitamente sobre a relação entre a sua raiz (maigre) e a silhueta volumosa desta personagem com 110 quilos e 1,80 m. de altura.
Jules Maigret nasce para a literatura aos 45 anos, que é praticamente a idade com que morreu o pai de Simenon. Está casado, sem filhos, tal como Simenon a princípio." (Pgs. 207/8)



"Maigret não é um intelectual nem um cerebral: não pensa nem reflecte. Bastante inteligente, mas não manhoso, é um intuitivo e instintivo puro. Como uma esponja, absorve, impregna-se, penetra numa atmosfera para melhor compreender os mecanismos desse meio. O seu faro, ainda mais do que a sua capacidade de reflexão leva-o às mais audaciosas deduções. (...) É um homem de rituais. Vai ao cinema uma vez por semana. À tarde quando regressa a casa, entre o segundo e o terceiro andar, desabotoa o casaco para tirar as chaves do bolso. Embora saiba que Louise, a sua mulher, lhe abrirá a porta mesmo antes de ele meter a chave na fechadura." (pg. 209)

com agradecimentos a H. N., pelo empréstimo.