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domingo, 8 de outubro de 2017

Divagações 126


As relações entre os seres humanos poderiam ser simples, lineares e claras. Nem sempre o são. Complicam-se com os afectos, o dinheiro, a emulação profissional, as redes de poder. Um homem sozinho pode ser mais forte do que um homem acompanhado: porque não tem de partilhar e acertar as decisões em conjunto, por um só diapasão, a que nem sempre se dá por inteiro.
Se não subscrevo a afirmação de Sartre que o inferno são os outros, também não advogo, ingenuamente, a tranquila paz solitária do ermita, sujeita a alumbramentos celestiais despidos da mais dura e crua realidade. Porque há o sal grosso que faz parte da vida, e que nos faz agarrar, embora com angústia, e talvez suor e sangue, ao cerne amoroso de viver, na esperança de dias melhores.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dos Avós


Dos Avós, não me reza a história. Maternos se foram antes de eu ter vindo, e dos paternos, não me lembro, embora me pareça que a Avó, por pouco me foi coeva, e consta de uma fotografia amarelecida e pouco nítida, posando junto a uma fonte monumental, talvez do Bom Jesus, em Braga.
Recordo-me, sim, de uma Bisavó silenciosa, à cabeceira de uma mesa grande e natalícia. Mas é uma recordação neutra, inexpressiva, que não me suscita emoções de maior.
Não foi desagradável, no entanto, antes pelo contrário, que ontem me tivessem lembrado que já o sou. Através de fotografias de um Ser pequenino, e de um vídeo, onde pernas e braços tenros se mexem, desconfortados. Nesta sequência expectante e misteriosa de sangues que se vão projectando, naturalmente, para o futuro, que é um país distante, aonde não chegaremos de todo. Por aí se vai fazendo a fragilíssima eternidade dos homens...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Adagiário CCLXV



Não há almofada mais macia do que uma consciência tranquila.

Provérbio francês.

sábado, 15 de julho de 2017

Descartáveis (2)


Esta, que encima o poste, é a vera imagem do ursinho de peluche, que foi tema do primeiro Descartáveis, aqui no Arpose, ontem. Não é boneco de luxo, bastaria que não tivesse olhos de vidro (como tinha o meu antigo Tinzinho dos pés rombos) para não lhe conceder lustrosa genealogia e pedigree. Mas a história conta-se breve, e já.
Cerca de 8 horas depois de eu o ter descoberto junto de um contentor de lixo, HMJ teve que sair à rua. E o bichinho continuava lá, abandonado. Pelos vistos, as crianças, aqui das redondezas, têm os quartos cheios de brinquedos. Quando regressou, quase 2 horas depois, o ursinho permanecia no local e, então, HMJ trouxe-o para nossa casa.
Embora cansado, o animalzinho estava em razoáveis condições: apenas um braço apresentava ferimentos ligeiros e a cabeça estava incompletamente cerzida ao tórax. Foi-lhe dado banho, secou ao Sol e, agora, apresenta-se refeito das agruras e salvo da ignomínia e abandono por que passou. Até já tem uma pré-dona, próxima e futura...

Quanto à ex-professora passada, aposentada e desgrenhada (de que também falei no Descartáveis 1), hoje não a vi na esplanada do Café. É que, ao sábado, não há aulas na Escola e ela não teria colegas jovens, e no activo, para aconselhar, de forma tribunícia e doutoral...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Os tempos do Tempo


O tempo que decorre, pessoal, e o tempo que demora (objectivo) são matérias distintas.
Às vezes temos pressa, e o tempo não se compadece de nós, mantendo o seu vagar; outras vezes, gostaríamos que ele se demorasse um pouco mais, durasse, se não eternamente, que nos viesse a acompanhar, generoso e benevolente, num ritmo comum.
Para nos sentirmos, simplesmente, bem.


para a Hanna, recém-chegada.

sábado, 27 de maio de 2017

A haver


A experiência de cada um é, o mais das vezes, uma transmissão utópica, difícil de concretizar, nobre vontade votada ao fracasso e abandono, quase sempre. Os filhos, sorriem com gentileza ao recebê-la, mas preferem a sua própria aventura humana, liberta de constrangimentos e regras antigas, familiares. É, muitas vezes, preferível doá-la a estranhos parentes, que não chegaremos a conhecer. Pode vir a haver, com eles, uma afectuosa e estranha afinidade. Improvável, se pensarmos que o sangue é a única identidade possível, ao longo do tempo que parece ser interminável, nesta obscura e pobre caminhada humana. A fé pode assistir ao presente, talvez de forma ingénua. Não devemos, dela, desistir, no entanto, mas usá-la de maneira persistente, teimosa e objectiva. E deixar testemunho. Mesmo que não sirva ao futuro. E, assim, apesar de tudo, eu vou, por isso, continuando a escrever...

para a Hanna, que há-de vir.