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terça-feira, 19 de abril de 2022

D. Duarte, por Rui de Pina



O retrato em palavras é relativamente sucinto e vem no capítulo III da Crónica d'El-Rei D. Duarte (1391-1438), de Rui de Pina. E diz assim:

"... e portanto é de saber que El-Rei D. Duarte foi homem de boa estatura do corpo, e de grandes e fortes membros: tinha o acatamento da sua presença mui gracioso, os cabelos corredios, o rosto redondo e algum tanto enverrugado, os olhos moles, e pouca barba; foi homem desenvolto e costumado em todalas boas manhas, que no campo, na côrte, na paz e na guerra a um perfeito Príncipe se requeressem: cavalgou ambas as selas da brida e de ginêta melhor que nenhum do seu tempo: foi mui humano a todos, e de boa condição: prezou-se em sendo mancebo de bom lutador, e assim o foi, e folgou muito com os que em seu tempo bem o faziam: foi caçador e monteiro, sem míngua nem quebra do despacho e aviamento dos negócios necessários: foi homem alegre, e de gracioso recebimento (...) foi mui piedoso, e manteve mui inteiramente sua palavra como escrita verdade: amou muto a justiça: foi homem sesudo e de claro entendimento, amador de ciência de que teve grande conhecimento, e não por decurso d'escolas, mas por continuar d'estudar e ler por bons livros (...) no comer, beber e dormir foi mui temperado, e assim dotado de todalas outras perfeições do corpo e d'alma."

quarta-feira, 13 de julho de 2016

D. Duarte em versão inglesa


Foi com manifesta surpresa, e júbilo também, que, no penúltimo TLS (nº 5909), vi a informação da saída em versão inglesa do clássico da literatura portuguesa e de equitação "A ensinança de bem cavalgar toda  sela", composto pelo rei D. Duarte (1391-1438).
Escrito no século XV, foi editado apenas no século XIX. A obra, que em inglês tem o título de The Book of Horsemanship, foi traduzida por Jeffrey L. Forgeng, e editada pela Boydell & Brewer, recentemente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Polas ribeiras dum rio..."


No cofre-forte, que era biblioteca, não se encontrava Bernardim nem Sá de Miranda, mas havia Camões, Torga e Botto, os dois últimos em primeiríssimas edições. E, como jóia da coroa, um pequeno fragmento iluminado do índice do "Leal Conselheiro", manuscrito, muito embora D. Duarte nunca por ali tivesse andado, que ele era mais de Leiria e do Lis, de Belas e da melancolia.
Da ampla sala, por cima dos livros, víamos do Guincho, quase até ao Cabo da Roca, que se adivinhava: todo o horizonte largo era de mar. Bernardim dissera: "Hiasse polas ribeiras...". E, realmente, antes, tinhamos passado pela ribeira de Barcarena, com nevoeiro, a da Laje, por entre chuviscos, a de Caparide, e já se viam embrulhados em neblina os píncaros de Sintra. No regresso, passaríamos ainda pela ribeira das Vinhas, que mal se via da estrada.
Vegetação acachapada e rasteira que ia crescendo, gradualmente, até se ver Lisboa, onde as ribeiras engrossavam o Tejo, para ele se entregar ao mar, no fim de tudo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Retro (9)



Desta vez, os anúncios publicitários vinham no Magazine Bertrand, de Outubro de 1931 (nº 58), cuja publicação era mensal. A revista era de natureza cultural, mas também recreativa, e custava Esc. 5$00. Quanto a estes Lithinés du Dr. Gustin que, provavelmente, não deixaram memória, fez-me lembrar a "Água de Juventa" de que fala O'Neill, num poema dedicado a Manuel Bandeira, pela sua longevidade - nos seus 80 anos, creio. Tenho dificuldade, entretanto, em aceitar sequer a ideia de misturar água no vinho e não acredito na bondade profilática do conselho. O nosso rei D. Duarte, que costumava misturar água no vinho, antes de o beber, morreu com apenas 46 anos de idade. 

domingo, 31 de outubro de 2010

O dia dos 3 reis


Não, não são os Reis Magos. Mas, curiosamente, a História de Portugal conta com 3 reis nascidos a 31 de Outubro. O primeiro foi D. Fernando, nascido em 31 de Outubro de 1345. Na mesma data, mas no ano de 1391, nasceu D. Duarte, o Eloquente. E, finalmente, a 31 de Outubro de 1838, nasceu o rei D. Luís que veio a falecer em 1889. Foi o mais longevo, porque D. Fernando morreu com 38 anos, e D. Duarte com 47.