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domingo, 16 de março de 2025

Sobre Dumas, pai, e a negritude



Filho de um jovem general de Napoleão Bonaparte e de uma escrava negra, ao escritor Alexandre Dumas (1802-1870), pai, nunca o preocupou demasiado o tom de pele escuro.Veio referido numa ípsilon (jornal Público, de 30/11/2002) que o escritor, questionado, uma vez, sobre a sua cor, por um jovem jocoso e brincalhão, irónico, ter-lhe-á respondido: "O meu pai era mulato, o meu avô um negro e o meu bisavô era um macaco. Como vêem a minha família começa onde a vossa acaba."

sábado, 1 de julho de 2017

Bibliotecas


Se pensar em bibliotecas, para empréstimo ou leitura de livros, não me vêm à ideia, em primeiro lugar, a opulência e enormidade da Biblioteca Pública de Évora, nem a munificência rica da BNP, em Lisboa. Nem sequer a liberalidade solta de peias burocráticas da Biblioteca da Ajuda. Modestamente, retorno a Guimarães, à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento onde, teria eu 16 anos juvenis, me puseram à disposição uma primeira edição de Francisco Manuel de Melo, seiscentista e rara, que eu folheei a medo e respeitosamente.
Para ser justo, irei ainda mais atrás, até a uma associação recreativa vimaranense que dava pelo nome de Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques, na rua Gravador Molarinho. Através de um amigo fiz-me sócio, teria pouco mais de 10 anos. Que, com uma magra mensalidade, me dava direito a um café por Esc. $70 e a partidas de matraquilhos a uma coroa. Também havia pingue-pongue, televisão grátis para todos os associados, e bilhar a 1$00. Num armário envidraçado, arrumavam-se quase duas centenas de livros, sobretudo de aventuras, que podíamos levar para casa.
Daí levei Os Três Mosqueteiros, Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone, do mestiço e grande escritor Alexandre Dumas (pai), pouco a pouco, para, empolgadamente, os ler em casa. E que foram, com mais 4 ou 5 títulos, os livros que li, na adolescência. com maior prazer, seguramente.
A associação recreativa ainda lá está, na rua Gravador Molarinho. E recomenda-se. Noutras roupagens, é certo.


Porque hoje é o Dia Mundial das Bibliotecas...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Duelos e Inspirações


Alexandre Dumas (pai) acabou o seu celebérrimo "O Conde de Monte Cristo", em 1844. Como decerto se lembra quem leu a obra, o herói dava pelo nome de Edmond Dantés que, ajudado pelo luso-indiano Abade de Faria, não só conseguiu evadir-se da prisão da ilha de If, como apoderar-se de um tesouro e vingar-se dos seus inimigos. Ora, cerca de 7 anos antes (1837), Pushkin tinha sido morto, em duelo, por um oficial francês chamado Georges d'Anthés. Coincidência, inspiração de apelido, que perpassou para Dumas?
Quatro anos mais tarde (1841), o também escritor e russo Lermontov havia de morrer, em duelo. O poeta eslavo Yevtushenko, com ironia, glosou o caso: "Os poetas na Rússia nasceram/ Com uma bala de D'Anthés no seu peito".
Saint-Beauve participou num duelo com o dono de um jornal, debaixo de forte chuvada, em 1830. Mas não se coibiu de abrir o guarda-chuva porque, segundo se diz, terá afirmado que não se importava de morrer, mas detestava ficar molhado... Também Marcel Proust participou num duelo, em 1897, tendo sobrevivido.
E o inglês Ben Jonson, em 1598, trespassou com a sua espada o actor Gabriel Spenser.
Não se pode dizer que tenham sido duelos meramente literários, porque alguns intervenientes acabaram por morrer...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Curiosidades 35 : o Abade de Faria


Quem tenha lido "O Conde de Monte-Cristo", de Alexandre Dumas (pai), lembrar-se-á, com certeza, da figura singular do Abade de Faria. Este clérigo e cientista (José Custódio de Faria), de origem luso-goesa, ao fazer-se amigo de Edmond Dantès, na Prisão-Castelo da Ilha de If, irá permitir ao herói do romance não só evadir-se, mas também vir a entrar na posse dum fabuloso tesouro. Essa riqueza possibilitará, a Dantès, exercer mais tarde a vingança sobre os seus três torpes inimigos (Danglars, Morcef e Villefort). Tudo isto foi a imaginação ficcionada de Dumas, em livro. Mas o Abade de Faria existiu, realmente. Terá nascido, em Goa, em finais de Maio de 1746, formou-se em Teologia e estudou Química. Veio a integrar um grupo de revoltosos que se propunham derrubar o poder português em Goa (Revolução dos Pintos). Descoberta a conspiração, o Abade de Faria refugiou-se em França, onde viria a estudar e aplicar a hipnose no tratamento de doenças nervosas. Exerceu funções de professor e capelão, vindo a morrer em Paris a 20/9/1819. O livro de Dumas, "O Conde de Monte-Cristo", um dos mais conhecidos e lidos do escritor, foi publicado em 1844.
Em imagem pode ver-se a estátua do Abade de Faria, em Goa, e a reprodução de duas páginas da adaptação a BD (brasileira) do romance de Alexandre Dumas (pai), de Janeiro de 1955 (Colecção Pequenina, nº 10).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cromos 15 : Os Filhos dos 3 Mosqueteiros




Era num tempo de predomínio dos chamados filmes de capa e espada, depois veio o Tarzan - início dos anos 50 do século passado. A colecção de cromos baseava-se na película homónima "Os filhos dos 3 Mosqueteiros" ("At Swords Point"), realizado por Lewis Allen, em 1952, com Maureen O'Hara e Cornel Wilde. Que, por sua vez, se inspirava nos romances de Alexandre Dumas (pai): "Os 3 Mosqueteiros", "Vinte anos depois" e "O Visconde de Bragelonne", que li, por essas alturas, emprestados de uma agremiação vimaranense, possuidora de uma biblioteca simpática. Aproveitando o sucesso do filme, a Editorial Bruguera, de Barcelona, fez imprimir a colecção de 154 cromos, com imagens-fotografias do filme, retocadas e coloridas à mão, mas de deficiente qualidade. A Agência Portuguesa de Revistas comprou os direitos, traduziu os textos e pô-la à venda em Portugal, em 1953, creio, sob o patrocínio do "Mundo de Aventuras". Vendia-se bem, em pequenos envelopes-surpresa com 3 cromos no interior. A caderneta custava Esc. 3$50, e os últimos 30 números, em falta, podiam pedir-se à Editora, mediante o respectivo pagamento. A minha colecção está completa.