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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Pinacoteca Pessoal 161


Alemão de origem judia, o pintor Felix Nussbaum (1904-1944) chegou a ter grande sucesso público nos anos 20 e início dos 30 do século passado, até que a ascensão do nazismo, em 1933, determinou a sua fuga, com a mulher, pela Itália, Bélgica e França. Vindo a ser preso pelas autoridades de Vichy.


A fase inicial da sua obra, entre o expressionismo e o surrealismo, parece incorporar ténues influências de Chagall e Chirico, para gradualmente vir a assumir uma personalidade própria que culmina na tensão dramática dos seus últimos quadros, pintados no campo de concentração de Auschwitz, onde veio a ser assassinado em Agosto de 1944.



O auto-retrato, em imagem inicial, é de 1943 e representa o pintor exibindo o seu bilhete de identidade de judeu. A penúltima tela (Triunfo da Morte) e a final, com uma cena de Auschwitz, são quadros pintados no último ano da sua vida (1944).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Pinacoteca Pessoal 160


Nascido em Kiev, o pintor Vitaly Tikhov (1876-1939) cedo demonstrou uma especial atracção por temas marítimos e por banhistas femininas de fina execução, que por vezes fazem lembrar Renoir. Recentemente (2011) o seu quadro Banhistas, em leilão, alcançou o alto preço final de 17 milhões de rublos.


A partir dos anos 30, no entanto, incorporou na sua obra pictórica temas caros ao realismo soviético de propaganda do regime vigente na U. R. S. S.. Perdendo assim alguma da sua originalidade natural.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 159


O checo David Cerny (1967) já por aqui apareceu (1/9/2013), com uma sua escultura singular.
Este gigante sem pés (como lhe chamam, popularmente) personifica Franz Kafka (1883-1924) e foi executado, por Cerny, em 2014. A escultura ocupa uma zona frequentada pelo escritor de O Processo, que trabalhava, como advogado, numa companhia de seguros, nesta parte do centro histórico da cidade de Praga.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 158


É reconhecido que a pintura inglesa começa a ganhar personalidade própria e a libertar-se de influências continentais a partir do século XVIII. Nesta medida, William Hogarth (1697-1764) é um dos grandes pintores britânicos dessa época.


Gravador e ilustrador reconhecido pela qualidade dos seus trabalhos, mas também pelo seu lado satírico, truculento com que criticava os costumes, a sua forte auto-confiança permitiu-lhe ser respeitado e temido e desafiar os poderes constituídos, desde a Justiça até à Igreja.


Da sua vasta obra é de destacar a série Marriage À-la-Mode, constituida por 6 telas e executada entre 1743 e 1745. Bem como o retrato insólito e realista de 6 dos seus criados.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 157


Edward Collier (1642-1708), como ficou conhecido na Inglaterra e está legendado na Tate, ou Edwaert Calyer, como foi baptizado em Breda, pertence ao período mais importante da pintura flamenga. Emigrou para a Grã-Bretanha em 1693, onde veio a falecer quinze anos mais tarde, em Londres.

Notabilizou-se sobretudo pelos temas de Vanitas e Trompe l'oeil que ocupam uma boa parte da sua obra e que eram muito apreciados pelas classes aristocráticas inglesas.
Anote-se, como curiosidade que, no último quadro, está representada uma edição coeva dos Essays de Michel Eyquem de Montaigene (1533-1592).

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Pinacoteca Pessoal 156


Filho natural de Carlos V e de uma jovem flamenga, de nome Barbara Blomberg, D. Juan de Áustria (1545-1578) era, por isso, meio-irmão de Filipe II de Espanha. Foi considerado herói e o grande vencedor da batalha de Lepanto (7/10/1571), ocorrida sete anos antes da sua morte, pela peste. O seu magnífico túmulo, que se conserva no Escorial (Panteão de Infantes), foi executado em mármore de Carrara por Giuseppe Galleotti, sob desenho e modelo de Ponciano Ponzano.


Do pintor espanhol Juan Pantoja de la Cruz (1708-1778) existe também um bom retrato de D. Juan de Áustria, que, para cotejo de semelhança também, aqui, se reproduz.


quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 155


Sendo esta temática individualizada e dedicada, normalmente, a um artista da minha preferência, abra-se, por uma vez, a excepção para contemplar três pintores que, por mero acaso, foram incluídos, simultaneamente, num mesmo leilão da Sotheby's. Cronologicamente, Honoré Daumier (1808-1879) com a tela "Antes da audiência".

Segue-se Henri Fantin-Latour (1836-1904), com um seu auto-retrato. E, finalmente, o pastel-aguarelado de Paul Gauguin (1848-1903) representando uma jovem rapariga, pintado entre 1885 e 1886. Das três obras, e se eu tivesse que escolher apenas uma, era com esta última que eu ficava.



Agradecimentos a H. N..

domingo, 1 de setembro de 2019

Convergências


Hesitei se deveria ou não incluir na temática Pinacoteca Pessoal, do Arpose, estas duas obras de Rebecca Campbell (U. K., 1971) e optei por não o fazer. Creio que dentro de 4 ou 5 anos, se por cá ainda andar, talvez não as aprecie tanto como hoje.
Mas as pinturas servem para ilustrar dois factos concretos: 1) que há, no mundo, cerca de 300 variedades de raças de pombos, 2) que as pinturas em que aparecem bibliotecas são das mais procuradas e vendáveis no mercado da arte.
Os títulos dos quadros não deixam de ser originais. Se o primeiro foi denominado por Fancy that e é dos mais recentes (2012/3) da artista, o segundo chamou-lhe Rebecca Campbell The Explorer*, sugestivamente e a propósito.
Aqui ficam, neste primeiro Domingo de Setembro, para apreciação dos visitantes. Espero que gostem.


* para eventual satisfação da curiosidade, posso informar que o título do livro, que o esparramado leitor consulta, é: The Atlas.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Pinacoteca Pessoal 154


Creio que terá sido o historiador de arte britânico Kenneth Clark (1903-1983) quem, em 1936, a propósito de uma exposição de pintura surrealista, designou para essa escola alguns precursores. Referindo, para o efeito, entre outros, os nomes de Bosch, Giovanni di Paolo e Agostino Veneziano. Bem como de Goya.


Se Agostino Veneziano (c. 1490-c. 1540) é conhecido sobretudo pela sua extensa obra de gravador, provavelmente, foi pela sua gravura Lo Stregozzo, ou The Carcass como a nomearam os ingleses, pertencente ao acervo do British Museum, que Clark se inspirou e fundamentou para a sua tese.


Quanto a Giovanni di Paolo (1403-1482), pintor italiano, quero crer que o Salvamento de um náufrago por S. Nicolau de Tolentino poderia ter sido um dos quadros que Kenneth Clark tinha em mente para fazer a sua polémica afirmação.
No domínio da Arte, tudo são meras hipóteses e nenhum artista está isento de dívidas. Quero eu dizer: de influências.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Pinacoteca Pessoal 153


Nascido a 5 de Março de 1938, em Montpellier, a obra do pintor francês Vincent Bioulès, sobretudo a partir de 1970, por um seu lado, que eu chamaria camaleónico, tem o condão de me parecer convocar outros nomes de pintores do passado, numa assimilação actualizada de técnicas e estilos, alheios. Vêm-me à ideia, ao ver as suas telas singulares e aparentemente ingénuas, os nomes de Seurat, Dufy e até mesmo Chirico. E fico-me por aqui, para não parecer excessivo e injusto...


Em 1970, Bioulès abandonou definitivamente a abstracção, iniciando uma nova fase de arte figurativa e, em conjunto com um grupo de artistas, fundou o grupo Support/Surfaces. Em 1982, integrou a Escola de Belas Artes de Nîmes como professor.
A sua obra desdobra-se sobretudo em motivos paisagísticos e retratos. Mas a arquitectura também aflora algumas das suas telas como fonte inspiradora.


E é por aqui que me lembro de Chirico...


quinta-feira, 11 de julho de 2019

Pinacoteca Pessoal 152


Não sendo excessivamente celebrado como pintor de primeira água, o inglês (Lionel) Maurice de Sausmarez (1915-1969) tem no entanto uma obra reconhecida por todos, como pedagogo, no domínio das Belas Artes. Foi professor na Universidade de Leeds e, mais tarde, na Byam Shaw School of Arts (Kensington, Londres). A sua obra pictórica não é extensa, nem muito inovadora, mas é de boa qualidade.


Foi grande amigo dos pintores Peter Sledge e Bridget Ryley (1931), esta última uma das mais importantes artistas da Op Art inglesa. Com eles viajou e viveu, episodicamente em Itália e na França, o que talvez explique alguma influência residual do Cubismo nas obras iniciais de Maurice de Sausmarez.


Quase exclusivamente figurativo, o seu legado inclui algumas notáveis naturezas mortas, de que eu gostaria de destacar o quadro Dead Tree.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Pinacoteca Pessoal 151


Nascido na Baviera, o pintor alemão Christian Schad (1894-1982) estudou arte em Munique mas, sendo um pacifista declarado, no princípio da I Grande Guerra, fixou-se na Suiça (1915) para escapar à incorporação e não ter de combater. Viria a acompanhar o Dadaísmo, através das suas amizades, integrando-se mais tarde na escola denominada de Nova Objectividade. 
Maioritariamente um retratista, bem sucedido, conseguiu  que as suas obras não fossem destruídas pelos nazis. A sua época mais prolífica data dos anos 20, sendo classificada, por alguns estudiosos de arte, naquilo que viria a chamar-se Realismo Mágico. O seu auto-retrato, que encima o poste, foi executado em 1967. O retrato do Doutor Hausten, que hoje integra o Museu Thyssen-Bornemiza, de Madrid, é de 1928.



Ao acervo do Museu de Berlim, pertence o retrato (acima) do escritor Ludwig Bäumer, pintado no ano de 1929. Enquanto o expressivo e realista quadro "Operação ao Apêndice" se encontra na Lenbachhaus, de Munique.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

Memória de um Pintor (quase) desconhecido


Uso pela segunda vez como título, deste texto (a primeira vez foi num jornal), palavras de Mário Dionísio (1916-1993) que, sugestivamente, ele usou para dar nome a um livro de poemas que publicou em 1965.
Plagiando-o, faço-o para expressar os trabalhos baldados a que me entreguei para tentar descobrir elementos biográficos do pintor, de origem húngara, Attila Mendley Vetyemy (1911-1964?), que se terá radicado em Portugal, no início dos anos 30 do século passado.
Não sei se teria ascendência judaica, o que explicaria talvez a sua migração. Sei que teria tido o favor do regime estadonovista, que lhe permitiu expor numa colectiva da Sociedade Nacional das Belas Artes, em 1936, mostra que contou, na inauguração, com a presença do ministro das Comunicações. 
Também ilustrou com xilografias alusivas, um livro de Silva Tavares, publicado pela A. G. U.. Pintor de paisagens e naturezas mortas, Vetyemy terá calcorreado Portugal e produziu prolificamente. As suas telas, que nunca vão muito caras, aparecem, por vezes, em leilões.
Tem muitos quadros sobre Lisboa, particularmente de Alfama, do Porto, Leiria e Guimarães.
É desta última cidade que, por razões objectivas, reproduzo uma pequena tela do Largo da Colegiada, ou de N. Senhora da Oliveira. De que gosto, especialmente.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pinacoteca Pessoal 150


A poeta e crítica britânica Hilary Davies (1954) escreveu, a propósito de uma exposição retrospectiva de Dorothea Tanning (1910-2012), na Tate Modern, que era impossível ficar indiferente à obra-prima Ilha dos Mortos (1886), do pintor suiço Arnold Böcklin (1827-1901), desde que o observador tivesse sensibilidade e consciência estética. O pintor teria influenciado a pintora, pelo menos, na sua vocação de se dedicar à pintura.

O quadro, referido acima, de Böcklin foi inspirado no cemitério inglês de Florença, onde estava sepultada a sua filha Maria, e que ficava nas proximidades do seu estúdio, na cidade italiana. O tema da morte é recorrente na obra do pintor suiço e está reflectido, de forma impressiva e flagrante, até no seu auto-retrato, de 1872, que o artista intitulou: Auto-retrato com a Morte tocando violino.

Considerado um simbolista, Arnold Böcklin aproximou-se dos românticos na fase final da vida, mantendo-se fiel, no entanto, à sua especialidade de paisagista e ao seu gosto por temas mitológicos.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Pinacoteca Pessoal 149


Eu creio que o trabalho de ilustrador de livros terá que ser, maioritariamente, de pendor figurativo. Mais ainda se os desenhos se destinarem a um público infantil. Fatalmente, esses artistas não ocuparão uma primeira linha, na arte da Pintura e, muitas vezes, serão desvalorizados pelos estudiosos de Arte.
O conhecido e respeitado especialista de arte Kenneth Clark, por exemplo, subvalorizava a obra de gravador e ilustrador de  William Blake pelas pequenas dimensões das suas gravuras, para as obras de poesia que editou...
A menos que essa actividade de ilustração tenha sido secundária e uma pequena parte, acessória, da obra do artista - estou a lembrar-me de Botticelli e do seu trabalho para A Divina Comédia, de Dante.



O pintor e ilustrador norte-americano N. C. Wyeth (1882-1945) tinha isso em conta, quando disse: Painting and illustration cannot be mixed - one cannot merge from one into the other.
Isso, no entanto, não obstou, excepcionalmente, a que a sua obra não tenha vindo a integrar, com o tempo, alguns museus americanos e seja considerada, hoje, de grande qualidade, a par dos trabalhos do seu confrade e contemporâneo Norman Rockwell (1894-1978), que também ilustrou muitas obras literárias.


Wyeth colaborou na ilustração de mais de uma centena de livros, muitos deles sobre o Oeste americano como, por exemplo, O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper. E eu gosto particularmente do poster Ore Wagon (1907), com um pormenor do condutor da diligência. Ou desta serena paisagem que, em 1934, N. C. Wyeth pintou sobre a zona marítima da Costa do Maine.
Ainda que conservador na execução dos seus trabalhos e pouco inovador, os seus quadros não deixam de ter um estilo e uma qualidade muito própria.

domingo, 17 de março de 2019

Pinacoteca Pessoal 148


Descendente, pelo lado paterno, de uma família russa, John Robert Cozens (1752-1797) nasceu e faleceu em Londres. Foi com o pai, que também era pintor, que aprendeu os rudimentos iniciais da sua profissão. E foi como paisagista que se distinguiu, temática que constitui quase exclusivamente a sua obra.

Alguns historiadores de Arte consideram que terá influenciado Turner e Constable, sendo que este último pintor inglês o admirava, considerando-o o maior paisagista de sempre. Cozens deslocou-se, pelo menos, duas vezes ao continente europeu, tendo pintado alguns quadros com motivos paisagísticos da Suíça e de Itália.

A quietude melancólica e o lirismo suave dos seus quadros, não fariam prever o desequilíbrio nervoso que o atingiu nos três últimos anos da sua vida.
J. R. Cozens está representado em vários museus britânicos e no Rijksmuseum de Amesterdão.