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sábado, 27 de abril de 2019

Retratos (22)


Chamemos-lhe Columbina S., embora ela se assemelhasse mais a uma coruja e tivesse, de rosto, uma assimetria de faces morenas muito pronunciada. De altura bastante baixa, o tom de voz era bem colocado, forte, e dava-lhe vulto, logo no início das conversas. E, apesar de feia, era uma sedutora de simpatias, pelo menos. Cordata, habitualmente, tinha porém um grande sentido de humor - muitas vezes, e com vontade, me ri com ela, às bandeiras despregadas, de coisas que ela me contava ou comentava, num agudo sentido de humor, que possuía intrinsecamente. Sexagenária, era também solteira, mas nunca me pareceu infeliz. No fundo, sempre achei que ela estava de bem com a vida que levava.
Não lhe sabia a profissão, nem o Manuel, meu subordinado, que ma tinha apresentado, mas sei que se dedicava a alguns serviços burocráticos que ia prestando com gentileza a alguns amigos e conhecidos: certidões, preenchimento e entrega de IRS, procurações e quejandos. Nunca cobrava contas nem facturas, mas todos a recompensavam do seu trabalho, naturalmente e bem. Creio que era disso que vivia e das rendas de umas duas ou três casas modestas que possuía na linha de Sintra. Foi assim que uma parte do meu grupo de trabalho foi entregando a Columbina os seus papéis e documentos do IRS, para ela os ir levar às Finanças. Eu próprio também o fiz, durante 3 ou 4 anos.
Não me recordo já dos pormenores, mas sei que a dada altura o Pinheiro recebeu, em casa dele, uma multa do Fisco, por falta de declaração do IRS. E a multa não era pequena. Sucessivamente, mais multas foram chegando a mais 4 ou 5 elementos da empresa que tiveram de pagar coimas elevadas, para a época. Preocupadíssimo, dirigi-me às Finanças, mas, felizmente, tudo estava em ordem quanto a mim. Columbina S. tinha entregado a minha documentação e a do Manuel, apenas. O resto levou descaminho total. E a senhora nunca mais apareceu pela zona - não mais soubemos dela.
Plagiando Eça, eu comentaria para concluir: singularidades duma sexagenária morena... 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Apontamento 75: Logros e outras iniquidades




1 - A moda “vegan” e “bio” parece querer descer da classe média alta, apostando em atrair o “povinho” para as excelências do puro e natural. Assim, como na imagem acima, as grandes lojas de desconto já dedicam semanas inteiras aos produtos biológicos.
Não sei como convive a consciência cívica bio com o facto de a soja contribuir para a destruição da floresta amazónica ou os tais espinafres ou brócolos alemães terem de viajar centenas de quilómetros para chegar às mesas dos clientes portugueses.
Basta lembrar os incautos que temos leite tão bom aqui perto e que, pelas excelências do clima em Portugal, temos hortaliça e legumes frescos, de produtores próximos, nos mercados ao pé da nossa porta.

2 – Chegado o final do ano, encarregou-nos a anterior Luizinha das finanças de verificar o nosso registo das despesas “on-line” para poder ter alguns tostões de descontos.
Pergunto: o que farão os velhinhos e/ou mentecaptos informáticos ? São cidadãos de segunda, sem direito aos abatimentos previstos na lei ? E já agora, o que se fará às 200 e tais criaturas com um milhão de dívidas ao fisco ?

Post de HMJ