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terça-feira, 10 de julho de 2012

Regionalismos minhotos (18)


Retirados da mesma obra que temos vindo a consultar, mais 7 regionalismos de que só conhecia o primeiro e o sétimo. Em imagem, um pormenor da bela e rústica igrejinha de Bravães, próxima de Ponte da Barca. E aí vão os regionalismos:
1. Melado - achacoso, molarengo, fraco.
2. Meruja - certa planta a que também chamam orelha de rato (que também não conheço).
3. Mestre-farelo - linguareiro, palrador.
4. Mijicar - fazer qualquer coisa vagarosamente.
5. Minhão - pessoa que tem os incisivos muito salientes.
6. Moitar - calar, não dizer nada.
7. Mojiganga - bonequice (fazer momices, brincadeira); coisa sem valor.

domingo, 18 de abril de 2010

Dia Internacional dos Monumentos : 1 opção



Por boa lembrança, colhida no Prosimetron onde sou "compagnon de route", comentarista frequente e amigo, aqui vai a minha escolha de entre o nosso vasto Património.
Um pouco perdida, a norte, à esquerda na estrada que segue para Ponte da Barca, pode ver-se uma pequena igreja. Rústica, simples, mas nobre nas suas linhas de construção. É a Igreja de São Salvador de Bravães, românica, que data do séc. XIII. O seu interior é simples e despojado, mas tem um encanto muito especial que, eu próprio, não saberia definir. Mas é de não esquecer e para visitar. Para lhe conhecer o interior há que pedir a chave a uma vizinha da freguesia. Que a irá abrir com contentamento, modéstia e algum pequenino orgulho regional e português. Não percam!

P. S. : para os meus amigos do Prosimetron.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A dieta do Ermita



Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), que foi, no século, conhecido por Agostinho Pimenta, era irmão de Diogo Bernardes e terá nascido em Ponte da Barca. O rio Lima, o Tejo e, finalmente, o Sado aparecem referidos na sua obra, mas é a Arrábida o cenário mais marcante dos seus poemas. Foi na serra que viveu os últimos anos da sua longa vida, e aí morreu a 14 de Março de 1619. Tinha vestido o hábito de capuchinho em 3 de Maio de 1560. Teria escrito poesias profanas, antes. Mas o que dele se conhece é, grandemente, de índole religiosa. A sua curta obra foi editada, pela primeira vez, em 1771. Em 1918, Mendes dos Remédios juntou-lhe o chamado "manuscrito conimbricense", o "manuscrito portuense" da Biblioteca Municipal do Porto, e fez publicar as "Obras de Fr. Agostinho da Cruz", em Coimbra. Em 1971, Aguiar e Silva, no seu livro "Maneirismo e Barroco na Poesia Lírica Portuguesa", expurgou ou pôs, em dúvida, algumas das poesias que eram atribuídas ao frade capuchinho. Mesmo assim, o que dele fica, dá para perceber a fina sensibilidade de Poeta que foi, e o seu ritmo fluído, original e intenso. Da elegia V ("Ao fim da vida") retiramos alguns tercetos, onde também fala de vários mariscos, entre eles as perceves que, julgo, pela 1ª vez aparecem na poesia lírica portuguesa:


"...Tudo me cansa, já, tudo me peja,
E pouco basta já para suster
O pouco que da vida me sobeja.

A praia tem marisco que comer
Ameijoas, berbigões na branca areia,
Que facilmente posso revolver.

A pedra que dos mares se rodeia,
Cheia de lapas pardas aparece,
De negros mexilhões inda mais cheia.

A vermelha santola não falece,
Outro com seu pé curto revirado,
Seu não, antes de cabra me parece.

E, quando se mostrar muito alterado
O mar, que seu marisco me defenda,
O bosque está daqui pouco afastado.

Quer suba a planta nele, quer se estenda,
Escolherei no ramo o mais maduro
Fruto sem dano alheio e sem contenda..."