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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Regressos


Mesmo que nos custe, depois, subir de novo os degraus até à superfície, com a idade, há uma tendência, maior ou menor, para descer à cave. Ver os estragos causados pelo tempo, inventariar o que se salvou e, com sorte, reviver a surpresa de alguma coisa esquecida que nos traz boas recordações. A memória tem destas coisas e, com a velhice, há o fascínio de se fechar o círculo, ou de tentar compreender melhor o que se passou. Reavaliar o tempo. Dizia José Gomes Ferreira que "viver sempre também cansa", expressando a sabedoria da experiência.
Pois acontece que, anteontem, no meu alfarrabista de referência, fui encontrar, inesperadamente, um pequeno molho ( 12, 15?) de fascículos das "Aventuras do Capitão Morgan" (Leituras Antigas I, de 24/5/2010, aqui no blogue), em muito bom estado. Uma leve emoção veio-me à cabeça, e à pele. Vi-lhes as capas sugestivas, com atenção afectuosa, como se fosse menino. E como o preço era justo, escolhi 6 deles. A memória funcionou bem, porque quando cheguei a casa verifiquei que apenas um era repetido, em relação aos que eu tinha e lera há mais de 50 anos.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Leituras Antigas I : As Aventuras do Capitão Morgan

Esta colecção das "Aventuras do Capitão Morgan" (que penso não ter nada a ver com Emílio Salgari) era composta, pelo menos, por 81 números e foi das minhas leituras predilectas, aí pelos meus dez anos. Era muito difícil de encontrar, pelos anos 50, porque iniciara a sua publicação no início dos anos 40 (1943/4?) e já tinha deixado de publicar-se. A sua editora era a Empresa Literária Universal (Rua da Hera, 17 - Lisboa) e tinha representante ou distribuidor no Porto: Jornal Divulgação Comercial, na Rua da Cruz, 161. As capas dos livrinhos eram muito sugestivas e, normalmente, algo agressivas quer nas imagens, quer nas suas cores berrantes. Os "fascículos", que mal livros se podiam chamar, tinham, meticulosamente, 23/24 páginas, anúncios diversos no final ou na contracapa, e o preço de venda era de 2$00 (dois escudos), mas comprei muitos a 1$50, ou porque estavam em saldo, ou porque os adquiri em alfarrabistas pouco importantes do Porto, e em quiosques. Lembro-me, perfeitamente, onde comprei o primeiro exemplar: na Póvoa de Varzim, na Tipografia Camões (?). Procurei-os depois incessantemente e consegui reunir 36 livrinhos. Trancrevo o final do nº 53 ("A Caminho de Granada"): "Os Irmãos da Costa não vieram, não se produziu nenhum milagre, e no entanto, ler-se-á na próxima narração, como os nossos heróis e Flor dos Bosques saíram triunfantes deste vespeiro, como Henrique Morgan dizia com tanta razão."
Vi, há dias, na net, o voluminho nº 20 das "Aventuras do Capitão Morgan" ("No País dos Celestes") à venda por euros 3,50.