A menina da caixa do pequeno supermercado citadino, loura por adopção e bem tratada, embora um tanto ou quanto perliquitetes, após passar o terceiro artigo pelo visor da caixa, perguntou-me:
- É só, meu amigo?
Era ainda manhã cedo e eu não estava predisposto para tanto afecto. Retorqui-lhe:
- Mas eu não a conheço de lado nenhum: é a primeira vez que a vejo. Um amigo demora anos a fazer!...
E ao recolher o troco, ainda acrescentei:
- Tem que ser mais rigorosa com a língua.
Mas não deixei de ficar com o resto da manhã estragada.
Embora ela me tivesse pedido desculpa.
Embora ela me tivesse pedido desculpa.