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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ainda Vergílio Ferreira, sobre Maluda


Não sendo uma Pintora que me atraia, especialmente, praticou uma pintura que espelha uma alegria recatada e de luz e, nisso, estou com ela perante a Vida. Maluda (1934-1999) morreu cedo (e mal) e penso que não o teria merecido. Vergílio Ferreira fala dela, discretamente e com ternura, em "Escrever", sem lhe referir o nome - isso basta, como prova de respeito e estima. Diz ele, assim, na página 111:
" 170 . Está sentada numa cadeira de rodas. Tem as pernas cortadas pelos joelhos. E entretanto a morte vai-a trabalhando no que lhe resta ainda vivo. Havia uma operação a retalhar essa morte, mas os médicos hesitam no receio de lhe ajudar o trabalho. E enquanto o fim não vem, ela pinta. E ri com os amigos. E inventa festins para celebrar com eles a alegria que perdura. Breve talvez tudo acabará. Mas como o apóstolo, ela poderá perguntar ó morte, onde está a sua vitória? E a morte levá-la-á, enfim, mas acabrunhada de vergonha e de silêncio."

segunda-feira, 8 de março de 2010

Memória 16 : Ruy Cinatti



Ruy Cinnatti nasceu em Londres, a 8 de Março de 1915, estudou em Lisboa, doutorou-se em Oxford e veio a falecer, em Outubro de 1986, na capital portuguesa. Era um apaixonado por Timor onde viveu alguns anos e que lhe mereceu três livros publicados. Sobre S. Tomé e Príncipe editou também: "Lembranças para S. Tomé e Príncipe". No posfácio ao seu livro de poemas "Sete Septetos" (1967) escreveu: "...Por agora, firmo-me no que está acontecendo. O mistério envolve-me. A poesia é a autobiografia do poeta ou do nómada em escala de partida: o seu cântico. O homem, porém, não pode convencer-se da sua invulnerabilidade, para que, sobretudo, o poeta não se tome demasiado a sério e cristalize... E Deus lhe valha..." Do seu livro "Nós não somos deste mundo" (1941) são os versos:

"Gritam todos : venham!

E os outros : tenham!

Aqueles que estão comigo

Sonham. Não querem, nem partem,

Encantados..."


P. S. : Para o J. S., em Cambridge, que faz hoje anos.