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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Divagações 198

 

HMJ saboreia à minha frente a romã que, pacientemente, descascou. Quase me apeteceu provar alguns daqueles bagos rubis tão bonitos.
Conheci várias senhoras que, pela beleza do fruto, lhe poupavam o escalpe e as deixavam mumificar (ou apodrecer) na fruteira. Como disse John Keats, e agora por palavras minhas: "Um momento de beleza é uma alegria para sempre."

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Muito breve


Há umas pequenas flores, entre azul e lilás, na varanda a leste, que são como algumas borboletas cuja vida é breve: duram apenas um dia - abrem com o Sol nascente, fecham e morrem ao anoitecer.
Ilustram como a beleza é frágil e efémera . Morrem, assim, na juventude. Quase como Rimbaud. Ou, antes, como Keats, que afirmou, em verso: "A thing of beauty is a joy forever..."

sábado, 12 de outubro de 2013

Divagações 57


Se um poema breve pode provocar, num leitor atento, um coup de foudre instantâneo e fulminante, um extenso poema, se for bom, é como uma flor que se vai abrindo, lentamente, e nos vai conquistando, pouco a pouco, pela sua beleza. É o caso, por exemplo, de Anabase, de Saint-John Perse, ou do fragmento inacabado de  Endymion ("A thing of beauty is a joy forever..."), de John Keats.
Li, hoje, para alguém muito jovem, e em voz alta, o poema Tabacaria, de Fernando Pessoa. Eu próprio fui sendo envolvido nos seus versos, apesar de já o ter lido muitas vezes. E o poema envolveu, também, a juventude de quem o ouviu. Mesmo que o Dono da Tabacaria (com maiúsculas iniciais, no original) seja Deus (como alguns sugerem), não é por isso que este longo poema de Pessoa nos conquista. Algo de mais profundo se insinua, apesar do dramático final:

                                                                      "..., e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."

sábado, 19 de janeiro de 2013

Grafologia, caligrafias e outras considerações avulsas


Há vidas que são uma única e só hesitação. Outras, que se pulverizam em fragmentos inúteis e se perdem em pequenos nadas, sem fim à vista. Outras, ainda, de uma coerência a toda a prova, que parecem uma recta perfeita, em direcção ao infinito. Numa pulsão que ignora os obstáculos e os empecilhos.
Parece que, quem tiver acesso a um poema manuscrito de Keats, poderá ter a impressão de que os versos teriam sido escritos na véspera, tal a beleza caligráfica e a linearidade fresca e limpa da escrita do poeta inglês. Sabe-se quanto a escrita (pequeníssima) de Agustina é críptica e difícil de ler - era o Marido que passava, à máquina, os manuscritos. A de Vergílio Ferreira era poupada, ocupando todo o espaço das folhas de papel. Proust (ver imagem) era muito desarrumado a escrever.
E, ao que dizem, Hitler raramente escrevia à mão (até o testamento foi dactilografado), tentando decerto evitar futuras análises grafológicas à sua caligrafia.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Favoritos XLIV : John Keats


O poeta inglês John Keats nasceu em 1795 e morreu, com 26 anos incompletos, a 23 de Fevereiro de 1821. No início do seu poema incompleto Endymion, escreveu:

Um momento de beleza é uma alegria eterna:
O seu encanto cresce; nunca mais se apagará
No vazio; e havemos de guardá-lo para sempre
Num lugar secreto, como um sono cheio
De sonhos felizes, vivo, no seu leve respirar.
(...)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Seamus Heaney (1)


Seamus Heaney, poeta irlandês (como insiste em ser considerado) de língua inglesa, completará, no próximo dia 13 de Abril, 71 anos. Em 1995, foi agraciado com o Nobel de Literatura. O seu discurso de Dezembro desse ano, em Estocolmo, é um documento humano, muito vivo e interessante em que percorre a sua geografia sentimental, os seus afectos e experiências. A sua infância e adolescência passadas numa quinta do norte da Irlanda onde o barulho dos cavalos, no estábulo junto à casa, se misturava com as vozes das pessoas; fala da chuva sobre as árvores, nos ratos do celeiro, nas vozes dos locutores da BBC que, na infância e na sua invisibilidade radiofónica, lhe pareciam "divinas"... Refere Keats, Yeats, Hopkins para vir a centrar a sua intervenção, quase no final, na poesia. O seu discurso, na Academia Sueca, termina assim:
"... A forma do poema, ou por outras palavras, é decisivo para a força da poesia fazer aquilo que é e sempre foi a sua credibilidade: o poder de persuadir aquela parte vulnerável da nossa consciência da sua legitimidade, a despeito da evidência do fingimento que existe à volta dela, para nos lembrar que somos perseguidores («hunters») e coleccionadores de valores, e que a nossa própria solidão e angústia são credíveis na medida em que são, também, o que há de mais autêntico no ser humano."

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Música e Poesia I


Há duas razões, pessoais, para este "post": a primeira é um verso de Keats, no início do seu poema incompleto "Endymion" - "A thing of beauty is a joy for ever (Um momento de beleza é uma alegria eterna)"; a segunda razão é o facto referido de que o Papa Pio XII, ao morrer, pediu para ouvir este "Allegretto" da 7ª Sinfonia de Beethoven. Jorge de Sena refere o caso num dos seus poemas, também.