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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Romances Velhos : O Conde Arnaldos



Os romanceiros peninsulares têm, por vezes, temas e versões semelhantes. Não é o caso, tanto quanto eu saiba, de "O Conde Arnaldos" de origem castelhana e anterior ao séc. XV. Provavelmente terá influências mouriscas e judias, pelo menos. Parece existir uma versão sefardita deste romance que é mais longa. Seja como for, é uma obra-prima de grande frescura e beleza lírica. Esperemos que isto não se perca, completamente, na minha tradução.

O Conde Arnaldos

Quem tivesse tal ventura - por sobre as águas do mar,
como teve o conde Arnaldos - na manhã de S. João!
Tendo na mão um falcão - à caça ia caçar,
e viu vir uma galera - que a terra queria chegar.
De seda trazia as velas - a enxárcia de um cendal,
marinheiro que a governa - dizendo, vem a cantar
que o mar posto em calmaria - os ventos fez amainar,
os peixes que andam no fundo - para cima os fez nadar,
as aves que andam no ar - pelo mastro as fez pousar.
Assim falou conde Arnaldos, - ouvíreis o que dirá:
- Por Deus te peço, marujo, - diz-me agora esse cantar.
Respondeu-lhe o marinheiro, - tal resposta foi a dar:
- Eu não digo esta canção - senão a quem me acompanhar.