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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Feiras


A palavra feira tem, à partida, um reflexo interior de oportunidade. Seja ela de gado, velharias, galináceos, livros ou vinhos, retinem-me, normalmente, no cérebro, campaínhas inefáveis, para não dizer celestiais. De fundição mourisca, judaica ou aciganada, elas fazem sentir o seu timbre.
Quanto a feiras, a minha maior desilusão foi a de S. Mateus, em Viseu. Andei anos desejoso de a conhecer, até que, há cerca de 10, por lá passei e me desiludi para sempre - um barrete aciganado de roupas e sapatos...
Feiras medievais, que hoje se fazem por todo o lado, também dispenso, embora tenha amigos embevecidos por elas que, sempre que podem as frequentam com religiosa devoção histórica. Mas eu já ando farto de ficção pindérica, disfarçada de literatura, como a que aparece pelas livrarias dos aeroportos, para contentar o vulgo pouco exigente.
Em tempos juvenis, às Terças-feiras e aos Sábados, já fui um assíduo cliente da Feira da Ladra, a Santa Clara, não prescindindo de subir a rua do Forno do Tijolo, por 2 alfarrabistas que lá havia pelo meio, mais uma loja repleta de discos de vinil que eu gostava de ver. E, por vezes, comprar.
Por agora, limito-me, quando me dá jeito, a frequentar aos Sábados, na rua Anchieta, a feira de livros dos pequenos alfarrabistas, alguns deles amadores. Se uns têm preços altos e irrealistas, outros são mais comedidos. E foi lá que adquiri, a preço razoável, estes três Luis Sepúlveda, recentemente. Que é também dos poucos autores de alguma qualidade que também aterram e aparecem nos escaparates dos aeroportos, no meio da tropa fandanga do costume.


domingo, 15 de junho de 2014

A Feira da Ladra, há 60 anos


"Gente de Alfama, da Graça, de S. Vicente, ali se reúne, aos sábados à tarde. Vai-se lá dar um giro, respirar o rio, mandar cantar os cegos. Chama-se ainda àquilo «Feira da Ladra». Lá se encontram - todos o sabem - coisas do arco-da-velha. Criaturas, bichos, objectos... Montes de antiqualhas, um ror de cobres e marfins e de ferros azinhavrados, em cima das mesas, à escolha; imagens bentas; deuses de meio palmo, hindus e chins; candeeiros a granel e bosques de fatos vazios dançando ao sol nas tendas dos algibebes; cachos de boinas encarnadas; cães lazarentos roubando bolos dos tabuleiros de acaso... Há polícias bojudos, vendedores de gravatas, de canetas e de outras coisas menos confessáveis, amola-tesouras, carrinhos de gelados, ciganos de grenha comprida, escuros e ariscos; soldados e parolos; cabazes cheios de alperces (lá vai uma francesinha decotada, de olhos azúis que começam a rir antes da boca, mordendo um pêssego, a buscar e a filmar imagens coloridas, no meio de um torvelinho de miúdos, pelos quais distribui o resto dos frutos que comprou). Um «aldrabão» pernóstico, rodeado de absortos curiosos, encarece a virtude de um emplasto capilar. Estou no mundo da singeleza. ..."

Urbano Tavares Rodrigues, in De Florença a Nova Iorque (pg. 74). 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quotidiano simples e cru (não aconselhável a almas sensíveis)


Se seguirmos pela rua do Arco de Cima, havemos de chegar a uma praça vazia. O relógio de S. Vicente já bateu o meio-dia, há muito. O homem, de rosto muito desgastado pelas  rugas da vida, sentado na mesa da esplanada, lê, anota a lápis, e comenta, em voz alta, para o vizinho gordo e indiferente, o jornal desportivo, da primeira à última página - há quem passe a vida nisto, e seja feliz...
A feira que, às terças e sábados, é da Ladra, está vazia, mas a Praça é acariciada por uma luz outoniça e amena de morna brandura. A Márcia ciranda atenta e agradece, de cada vez que nos serve. Vai ter férias, mas não tem dinheiro junto que lhe dê para ir ao Brasil. Entretanto, há um crápula - leio no jornal - que se demitiu da CGD, incomodado com as Finanças.
Pela fotografia, vejo que engordou bastante: está nédio e luzidio - parece um porco. E está inchado de importância balofa. Volto a perguntar: por onde andarão as FP-25? A matança dos leitões também pode ser antes do Natal.

domingo, 9 de outubro de 2011

Notas de Viagem 2

Numa área de 35 ha, do lado direito do Reno, em Bona, Alemanha, existem as várzeas do Reno [= Rheinaue] que, como se vê pela imagem, convidam a olhar a paisagem com as sete montanhas [=Siebengebirge] ao fundo. À semelhança de outras cidades alemãs, como este ano em Coblença, organiza-se, periodicamente, a chamada "Bundesgartenschau", ou seja, uma mostra federal de jardins. Para o efeito, procede-se à requalificação de determinados espaços públicos, deixando para o futuro belíssimos jardins como demonstra o exemplo acima, implementado, na cidade de Bona, no ano de 1979.
Contudo, a nossa visita das várzeas renanas tinha um outro objectivo. A saber, conhecer o que é considerada a maior e melhor feira da ladra [= Flohmarkt] da Renânia. O evento realiza-se, de Abril a Outubro, no terceiro Sábado do mês, espalhando-se pela várzea.


Tive a honra de ser convidada por aficcionadas e "profissionais" do evento, participando nos preparativos da visita que apenas se aconselha a pessoas de "boa" condição física. E foi assim. Levantar às 5 da madrugada, vestir roupa e calçado cómodo, tomar um rápido pequeno almoço, pôr a mochila às costas e ala. A mochila, inicialmente vazia, apenas com um pouco de café e uma sanduiche, serviria para se ir enchendo de artigos cobiçados e comprados.



De facto, a variedade e a quantidade da oferta é avassaladora. Passei o tempo a pensar na reduzida mala de viagem e, sobretudo, nos rídículos 20 kg que poderia levar no regresso a terras lusas !

P.S. As fotos foram retiradas da Internet, uma vez que me esqueci de levar máquina própria, com imensa pena minha.

Post de HMJ