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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Desabafo (38)


As gentilezas da democracia e a complacência em relação às artes não dão, seguramente, muito bons resultados.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Democracia e isenção


Louve-se o equilíbrio da Legionella, que tanto se amerceia das instituições do SNS, como do particular CUF-Descobertas. O democrático vírus é insensível à lisonja e à corrupção nacional. Honra lhe seja!

domingo, 1 de outubro de 2017

Els Segadors

Estou sobretudo contra os métodos repressivos de Madrid que dificultaram a expressão livre dos catalães se pronunciarem democraticamente, em referendo. Ao contrário dos escoceses que se puderam exprimir livremente, para não referir o Kosovo ou a separação da República Checa, da Eslováquia... Na Europa, aparentemente democrática, não se imaginava esta musculada repressão sobre a Catalunha.
Além disso, Els Segadors é um hino lindíssimo, vibrante e emotivo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Gentilezas da democracia


A notícia vem no jornal Público de hoje.
E eu não faço a menor ideia do que os médicos e anestesistas pensarão deste reality show previsível e futuro, que vai ser permitido e obrigatório a partir do fim do ano de 2017.
Insere-se, aliás, neste exibicionismo despudorado que enxameia as redes sociais e os programas pimbas da televisão mais rasca. Ou no metralhar feroz e acrítico das selfies que o turismo pindérico popularizou pelas ruas da cidade, constantemente.
E será que também se poderão tirar fotografias, nesses blocos operatórios? Só nos faltava mais esta...

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril


Nunca a evolução da Humanidade foi no sentido, sempre o mesmo, de progresso da democracia, ao longo dos tempos. Houve sempre altos e baixos: desvios e recentragens, em relação ao objectivo. E será que esse é um desígnio essencial dos homens? (Retórica, há que fazer, honesta e humildemente, a pergunta.)
Por outro lado, é extremamente difícil dizermos coisas novas sobre importantes acontecimentos do passado que, todos os anos, em cerimónia evocativa, se repetem. Mas seria também imperdoável não fazermos nenhuma referência à data. Pese embora que essa data possa ser inócua, emotivamente, para quem a não viveu.
Optei, assim, por uma fotografia de Alfredo Cunha, no Terreiro do Paço, em que o Passado se apresenta formal, servil ou obediente, respeitador, reverencial (à direita) e o Futuro se anuncia, mesmo que momentaneamente, pela figura simples, pedestre, atenta e liberta de Salgueiro Maia (à esquerda).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

As gentilezas da democracia


Teve pouca divulgação mediática, pelo menos por cá, e ainda menos repercussão comentada, a notícia de que as autoridades italianas tinham decidido mandar tapar uma parte das estátuas de nus, em Roma. Este pudor gentil e amorável, muito caridoso e cristão, destinava-se a não chocar S. Eminência, o presidente do Irão, na sua visita à capital italiana, quando passasse por esses locais.
O incauto e não informado turista, que por lá andasse, haveria de pensar que se tratava de mais uma instalação ou intervenção do artista búlgaro Christo (1935) que, no passado, já tinha embrulhado o Reichstag, em Berlim, e a Pont-Neuf, em Paris. Porque, se estivesse ao corrente das verdadeiras razões, teria de concluir que o ditado "Em Roma, sê romano!" deixara de fazer qualquer sentido. Graças às gentilezas italianas da democracia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Curiosidades 49


Será mais uma das gentilezas da Democracia, falar da criação de mais emprego, no momento em que se sabe que não o haverá, no futuro. E, se isso for utilizado, por estratégia eleiçoeira, mais criminoso se tornará esse facto. Indesculpavelmente condenável.
Se a Revolução Industrial trouxe braços humanos, durante mais de um século, da Agricultura para as cidades, a Tecnologia, ultimamente, vai abatendo postos de trabalho, inexoravelmente. Não sei se o facto, em si, é positivo, mas sei que é essa a realidade e o futuro. Não vale a pena ignorá-lo.
Com a Revolução Industrial foram criadas muitas novas profissões. Uma das mais ignoradas é a dos Knocker-up, de que Dickens fala, no seu prólogo a The Great Expectations (1860). Até cerca de 1920, foi uma profissão rentável e muito útil, nas zonas fabris da Inglaterra. Aos Knocker-up, eu chamar-lhes-ia, em português, Despertadores humanos, sem ironia. Eram pessoas que, de manhã cedo, iam, pelas ruas dos bairros operários, acordar os trabalhadores, para que eles não faltassem ao trabalho, nas fábricas. Usavam meios sonoros para despertar os dorminhocos: canas altas para bater nas janelas e até instrumentos de sopro, algo estridentes. Não abandonavam os locais, até que os operários assomassem à janela, estremunhados, ou à porta de casa. Recebiam, por semana, uns quantos pence pelo seu trabalho.
Mas isso foi no tempo em que cada vez havia mais empregos. Não é o caso, seguramente, hoje em dia, nem no futuro mais próximo...



agradecimentos cordiais a ms.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Desabafo (5)


A antiguidade é, realmente, um posto - como costumava dizer-se na tropa, no tempo em que a frequentei.
O que quer dizer que instala normalidade, ordem, precedências, calma. A chegada ao poder, ou chefia, do partido Trabalhista britânico, do sr. Corbyn, não causou perturbação de maior na velha Álbion, a não ser ao fogoso milionário católico e palestrante sr. Blair (que, recentemente, muito cristão, até pediu desculpa pela invasão do Iraque...).
O velho socialista ortodoxo, Jeremy Corbyn (1949), nem sequer perturbou o sono régio da augusta senhora Isabel II. Mas por cá, e por coisas menores, algumas forças políticas andam desgovernadas, histéricas e descontroladas. Realmente, não há nada como uma velha democracia: é um sossego. Nada a enerva ou perturba. Razão tinham os militares...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sobre democracia


Seria estultícia argumentar que o povo não comete erros políticos. Comete e, por vezes, até erros graves. O povo reconhece-o e paga por isso, mas comparados com os erros que têm sido cometidos por todos os tipos de autocracias, esses erros do povo acabam por ser insignificantes.

Calvin Coolidge (1872-1933).

domingo, 28 de junho de 2015

De Saramago, 4 pontos de reflexão


Para lembrar os 5 anos sobre a morte de José Saramago (1922-2010), o antepenúltimo jornal Expresso (13/6/2015) publicou um texto, que andava inédito, do Nobel português. O texto fora lido em Sevilha, no ano de 1991, e dele retirei alguns excertos que me pareceram mais significativos e bons pontos de partida para uma reflexão pessoal. Seguem:
- Como sempre aconteceu desde o começo do mundo e sempre continuará a acontecer até ao dia em que a espécie humana se extinga, a questão central de qualquer tipo de organização social humana, da qual todas as outras decorrem e para a qual, mais cedo ou mais tarde, todas acabam por concorrer, é a questão do poder, e o principal problema teórico e prático com que nos enfrentamos consistirá na necessidade de identificar quem o detém, de averiguar como chegou a ele, de verificar o uso que dele faz, os meios de que se serve e os fins a que aponta.
- Também insistentemente se afirma que a democracia é o menos mau sistema político de todos quantos até hoje se inventaram, e não se repara que talvez esta conformidade resignada com uma coisa que se contenta com ser "a menos má" seja o que nos anda a travar o passo que porventura seria capaz de conduzir-nos a algo "melhor".
- Efectivamente, dizer hoje "governo socialista", ou "social-democrata", ou "democrata-cristão", ou "conservador", ou "liberal", e chamar-lhe "poder", é como uma operação de cosmética, é pretender nomear algo que não se encontra onde se nos quer fazer crer, mas sim em outro e inalcançável lugar - o do poder económico -, esse cujos contornos podemos perceber em filigrana por trás das tramas e das malhas institucionais, mas que invariavelmente se nos escapa quando tentamos chegar-lhe mais perto e que inevitavelmente contra-atacará se alguma vez tivermos a louca veleidade de reduzir ou disciplinar o seu domínio, subordinando-o às pautas reguladoras do interesse geral.
- Num mundo que se habituou a discutir tudo, uma só coisa não se discute, precisamente a democracia. Melífluo e monacal, como era o seu discurso retórico, Salazar, o ditador que governou o meu país durante mais de quarenta anos, pontificava: "Não discutimos Deus, não discutimos a Pátria, não discutimos a Família". Hoje discutimos Deus, discutimos a pátria, e só não discutimos a família porque ela própria se está a discutir a si mesma. Mas não discutimos a democracia.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Apontamento 68: Grau Zero de Democracia



A miséria mental – e passe a cacofonia – da imagem acima tem andado a perturbar o meu espírito. Se por um lado sinto uma revolta profunda perante este “grau zero da Democracia” que estes CIDADÕES nos pretendem ensinar, porque ainda se arrogam o direito de mandar ler o que, certamente, muitos antes dele já compreenderam, julgo, por outro, que qualquer escrito sobre semelhante gentinha não merece o meu esforço. Mas há dias em que a náusea intelectual é superior ao pragmatismo.

1 – Registei, com alguma divergência de leitura dos preceitos legais em vigor, que o Palácio de Belém passou a ser sede de campanha para as próximas eleições LEGISLATIVAS;

2 – Nas suas atribuições que, aliás, o PR tem usado com largueza de mão e não de espírito, uma das condecorações futuras será para um Markus Kerber, teutónico. Alguém saberá o que fez para o país ???

3 – Cabendo ao Provedor de Justiça providenciar, atender, remediar o acesso desigual dos CIDADÃOS –  e é este o plural CERTO – parece que o actual titular se enquadra nesse “grau zero”, anémico, sem actuação própria, aguardando no seu poiso, enquanto o CIDADÃO não reclamar e vir a sua pretensão recusada por uma qualquer Directora de Serviço. Que será de uma imensa minoria de CIDADÃOS, sem prática, nem acesso à Internet, impossibilitados de introduzirem “as facturinhas para descontar no IRS” ??? Quem os defende ??? A Senhora Directora de Serviços da AT, para quem o Provedor de Justiça manda reclamar pela ÓBVIA desigualdade perante a Administração Pública, tão distante dos “info-excluídos” e da realidade do país?

4 – Faltava uma benesse cratiana no seu esforço de repor o estudo da cultura clássica aos pequenos – porque de “pepino” se aprende, sem dúvida. O problema é a falta de mestres.

Dou graças à luz do dia que me desvia, entre outras, destas misérias. E a revolta intelectual levou-me a ler outras misérias, que julgava ultrapassadas, como o “Processo de Damião da Góis na Inquisição” – citado de memória para obrigar a pesquisas.

 Post de HMJ


terça-feira, 8 de julho de 2014

Apontamento 49: O descrédito nas siglas



Nunca apreciei, verdadeiramente, o uso de siglas sem o devido desenvolvimento para que o leitor comum, sem ser especialista numa determinada área, compreendesse o que se ocultava através de poucas letras. Confesso que o abuso das siglas acompanha bem a tendência geral do discurso político-financeiro na sua tentativa de afastar e enrodilhar, com linguagens pretensamente esotéricas, embora cada vez mais pobres de substância, o cidadão até à exaustão e ao afastamento do essencial, i.e., o de participar activamente na vida democrática do país, seja ele qual for.

Contudo, a educação – familiar e institucional – transmitia, desde cedo, algum respeito por “grafemas” que, à partida, não nos diziam nada: ONU, EU, UNESCO, etc. O processo próprio de crescimento, físico e mental, lá foi enriquecendo a “paleta do mundo”, nem sempre com a mesma consideração inicial, porque o aperfeiçoamento e a autonomia do pensamento a isso obriga. Outras siglas, aparentemente anódinas como a OCDE, revelaram-se, definitivamente e como o FMI, em agentes ao serviço de entidades e estratégias que nada devem ao essencial da Democracia e da Humanidade.

De nada vale o Estado querer introduzir uma pretensa “cadeira ou disciplina” para explicar aos “jovens” o mundo financeiro, quando, no fundo, se pretende esconder o essencial, i.e., o fim último de um discurso tortuoso, enrodilhado e cheio de siglas.

E, se alguma dúvida restasse, tivemos hoje uma prestação exemplar. Veio o Secretário-Geral da OCDE, em pessoa como na imagem acima, explicar, num “portunhol” indigente, as conclusões de um relatório encomendado pelo próprio Governo de Portugal, i.e., pago pelos contribuintes. Ora, o que se esperava ?

Basta a qualquer criatura do Ensino Primário usar o seu bom senso, e sem “saber de finanças” ou de “actos ilocutórios”, para perceber o alcance de um “sermão encomendado”.

Post de HMJ


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Apontamento 17: A deriva populista



Paul Klee, [Mundo em Ruínas]

Falam-nos, insistentemente, de uma maior complexidade no governo do mundo e dos países em particular, sem nos explicarem, com rigor, competência e responsabilidade, os motivos que levam os actuais "lideres" a ajoelharem-se perante o mundo financeiro.
Em vez de uma informação esclarecida sobre o "estado das nações", assistimos a uma imprensa cada vez mais acéfala ao serviço da voragem financeira, desviando a atenção do cidadão para um "pasto fácil", mas perigosamente populista. 
Um exemplo eloquente deste "desvario" é a fogueira que certa imprensa tenta atiçar relativamente aos povos do Norte contra o Sul, virando os trabalhadores do sector privado contra os do público, tentando quebrar a solidariedade e a estima entre novos e velhos, minando os fundamentos da Democracia ao atacar, sem princípios, os que exercem - ou exerceram - cargos políticos ou públicos, com dedicação e competência.
A última vítima destas "performances" lamentáveis e paupérrimas - como os recentes "briefings" do Governo - foi o anterior Presidente do Supremo Tribunal de Justiça que, pela idade e condição social, dispensa, de todo, o meu desagravo. Lamento, profundamente, este tipo de jornalismo que, ao ver a lista mensal de reformados da Caixa Geral de Aposentação, se fixou apenas na figura de Noronha de Nascimento, aposentado no limite de idade, i.e., aos 70 anos.
Com tanto "mundo em ruínas" - para seguir a imagem de Paul Klee - se os Maduros, Lombas ou outros quejandos não têm mais nada para dizer, pelo menos que nos deixem o silêncio da noite.

Post de HMJ

domingo, 13 de maio de 2012

Da janela do aposento 10: Democracia



As eleições deste Domingo, na Renânia do Norte-Vestefália, o estado federal com maior população, registaram uma perda de quase 8,5 % da CDU (de A. Merkel) e a vitória do SPD. Embora distante, tenho acompanhado, em visitas regulares, as preocupações dos habitantes de Colónia assim como observado as mudanças na cidade. Em conversas frequentes, são temas recorrentes e de alcance europeu a constatação do empobrecimento de uma parte significativa da população com pretensos ganhos (?) de competitividade a favor e ao serviço de quem ? 
Se o SPD ganhou, hoje, em todos os círculos da cidade do arcebispo de Colónia, assinale-se, então, que o quadro de influências mudou quando comparado com o vivido nos anos 60 do século passado. A aldeia de Merkenich (com resultados, hoje, de 39.3% para a SPD e 33,3% para a CDU) dividia-se, na altura, numa parte antiga e tradicional que contrastava com a parte nova, construída, sobretudo, com "forasteiros" - vermelhos e protestantes - que a fábrica da Ford, entre outras, e o pós-guerra trouxeram.
Quem dominava, politicamente, a facção tradicional, era, quase obviamente, o CDU, personificado por um cacique local, chamado entre dentes o "CDU-Lümmel" [= brutinho do CDU] e devido ao C [= cristão] do partido. O perfil da criatura terá, porventura, semelhanças regionais, nacionais e europeias com outros quejandos que se nos cruzam nos caminhos da política. De insignificante padeiro, tido como cábula, casou rico e passou a viver dos rendimentos do património imobiliário da mulher, designando-se como "privatier" quando se lhe perguntava a profissão (!).
Se a criatura ainda estiver viva e lúcida, não compreenderá, certamente, a mudança de sentido de voto de hoje na aldeia do seu antigo domínio.
Resta a suprema lição da democracia que tanto abate velhos como novos caciques.

Post de HMJ

domingo, 29 de abril de 2012

Ainda 3 notas breves à morte de Miguel Portas

1. É singular e único que a morte e memória  de um Homem consiga congregar, livremente, num mesmo sentimento de pesar e homenagem, pessoas tão diversas que vão da Direita até ao extremo quadrante da Esquerda, ideologicamente.
2. Humaníssimos, inteligentes, emocionados os discursos de João Semedo, Francisco Louçã e Paulo Portas. O mérito não terá sido dos oradores, na homenagem no Teatro S. Luís, mas do Homem a quem se referiram - Miguel Portas (1958-2012).
3. A política nacional, e a de esquerda em particular, perdeu um dos seus mais lídimos representantes na res publica e no diálogo plural, generoso e leal das ideias democráticas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A segunda morte de Amílcar Cabral


Por alguma razão Amílcar Cabral (1924-1973) terá querido reunir, na luta pela libertação, a Guiné com Cabo Verde. Hoje vemos que, das ex-colónias portuguesas, Cabo Verde é porventura, como país soberano e independente, aquele que tem seguido um trilho mais exemplar pela democracia e legalidade.
E a Guiné-Bissau, por entre o narcotráfico e a arrogância e cupidez dos generais, nunca mais toma juízo. É uma tristeza esta telenovela de golpes de estado sucessivos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Democracia, política e liberdade


Dadas as pequenas diferenças, por vezes, entre partidos políticos que são contíguos, penso que, cada vez mais, se vota em função dos elencos que são propostos à eleição e, menos, pelas siglas partidárias. Uma figura ou um nome podem fazer a diferença, consoante o seu grau de credibilidade pública ou a confiança que, nessa pessoa, possamos ter. Daí também a aposta, maior ou menor, que os partidos políticos fazem em personalidades independentes e, por vezes, em nomes prestigiados fora do espectro partidário. Mas a vida desses independentes, nos grupos ou aparelhos políticos, nem sempre é fácil. Como escreve, hoje no "Público", Rui Tavares: "...Primeiro, o independente faz falta. Depois, o independente começa a não dar jeito. E, finalmente, abre-se a caça ao independente."
São óbvios e bons exemplos recentes, o caso de Teixeira dos Santos, independente integrado no governo PS, que foi vergonhosamente marginalizado, nos últimos tempos de governação, pelo Partido; e o próprio Rui Tavares que se viu obrigado, por questões de coerência e honra, a desvincular-se do BE, muito embora se mantenha no Parlamento Europeu, "duplamente" independente - justificadamente, aliás.
Do ponto de vista dos partidos políticos, a independência de um "compagnon de route" parece ser, ainda e só, um rótulo meramente formal para dar colorido ao cinzentismo habitual. No fundo, esperam que o independente alinhe sempre no pensamento único e na disciplina cega, e gregária. Pensar por si é crime, e não se recomenda.

Obsv.: a imagem foi colocada apenas em 23/6/11.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Democracia portuguesa e calão inglês


Por ignorância uns e, talvez, por má fé, outros, há quem diga que a verdadeira democracia, em Portugal, nomeadamente a parlamentar, só existiu, na verdade, a partir de 1974. Ora, manda a verdade dizer que ela se praticou, com ampla liberalidade, em finais do séc. XIX e, também, nos princípios do séc. XX. Não terá sido é, porventura, dentro dos moldes protocolares britânicos... E isto porque na obra "A Dictionary of Slang...", de Eric Partridge, o autor refere que a expressão "portuguese parliament", até aos anos 20 do século passado significava, em calão inglês: "grupo de pessoas que falavam, simultaneamente, sem se ouvirem umas às outras".

com agradecimentos a  A. G. de S..

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Democracia e Responsabilidade


No próprio dia das Eleições Presidenciais, 23/1/2011, fiz-me eco no Arpose ("As novas corporações: psicólogos e informáticos") das dificuldades, ridículas, que muitos eleitores não conseguiram ultrapassar para votar, decorrentes da dicotomia Cartão do Cidadão/ Cartão de Eleitor. É evidente, pelo menos para mim, que esta anomalia não se devia à eventual sobrecarga, mas à implantação de um programa informático desadequado da realidade previsível. O erro, até que me provem o contrário, deve-se à equipa de informática ( do Governo, ou não) que o implementou, com a incapacidade profissional e responsabilidade correspondente.
Ontem, o Ministro da Administração Interna pediu desculpas no Parlamento e anunciou a abertura de um inquérito, para apurar responsabilidades. Hoje, pelas notícias, soube que o Director-Geral da Administração Interna e o Director de Administração Eleitoral pediram a sua demissão em virtude dos erros e anomalias verificados nas recentes eleições. Até aqui, considero que houve um procedimento correcto, e que só honra a Democracia portuguesa.

Mas agora, pergunto: e a inefável equipa informática fica na mesma?