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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Apontamento 130: Instrução




Pese embora o aumento da escolaridade obrigatória, constata-se uma degradação acentuada no que se refere a uma instrução básica, ferramenta essencial para uma realização pessoal digna desse nome.

A minha constatação, não sendo recente, encaminhou-me, desde sempre, para obras com o tema genérico da “ensinança”, desde os “espelhos dos príncipes”, “tratados sobre a educação dos nobres” até aos “vademecuns” como o acima reproduzido.

Confesso que sempre aprendi imenso. Do livrinho de Francisco José Freire, e recordando um verso de Luís de Camões, sobre o seu “discreto secretário”, ficamos, pois, a saber que uma das principais perfeições do secretário é, como não podia deixar de o ser, a “observância do segredo”.

Passando das qualidades às imperfeições, não deixei de reparar nos defeitos da prolixidade, sobretudo olhando ao panorama que nos rodeia no quotidiano.

Assim, explica o autor o defeito da prolixidade: “Chamo prolixidade a huma certa vastidão, e grandeza de Cartas, que dizendo pouco em muitas palavras, causa fastio a quem lê. Livra-se por tanto o Secretario de amplificações, digressões, e de outras semelhantes, e fastidiosas locuções. Fuja de multiplicidade de textos, e authoridades: e busque sempre ser breve, com tanto que naõ tire a energia ao conceito, de que usa na sua Carta.”

Sublinhei, portanto, os conselhos de superior sabedoria do autor, muito recomendáveis a escrevinhadores actuais, aduzindo que ele associa a prolixidade à “escuridade no dizer” e, claro está, à ignorância“, quão grande defeito seja em hum Secretário.”

Post de HMJ

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Apontamento 128: Cartinhas para aprender




A gravura reproduzida é retirada do livro Medidas del Romano que, além do extenso texto explicativo, apresenta muitas figuras, bem mais de 60 imagens. Embora o impresso não se enquadre, pelo número de fólios, na classificação de “Cartinha”, a edição cumpre, todavia, o seu objectivo de ensinamento.



Assim, o título do livro sublinha que é uma edição  com muitas “figuras muy necessarias a los officiales que quieren seguir las formaciones delas Basas/Colunas/Capiteles / y otras pieças de los edifficios antiguos.”


Como se vê, o livro não interessa apenas aos que se dedicam à História do Livro, alargando a intenção própria de aprendizagem a outras camadas de interessados.


A obra integral, publicada em 1542, na cidade Lisboa, em casa de Luís Rodrigues, faz parte do acervo da BNP RES, 6082 P, podendo ser apreciada, em cópia digital, através do acesso da BND, purl.pt/15281.

Em mais uma geminação com MR que, falando de cartilhas, me fez lembrar estas Medidas del Romano e as imagens belíssimas.

Post de HMJ

sábado, 5 de outubro de 2019

Apontamento 126: Achados


Curiosamente, foi numa feira dedicada ao livro, na Rua Anchieta, em Lisboa, que encontrei a caixinha reproduzida acima.

Encantei-me tanto com a embalagem como com o conteúdo. Já não se aplicará no objecto inicialmente previsto, mas estes pequenos botões fazem falta em qualquer caixa de costura.

Nas blusas e camisas deve ficar "chique a valer", como se dizia, em tempos, aqui pela zona do Chiado. Pena é que se tenham de substituir os botões todos anteriores para ficar tudo igualzinho.

Bom Domingo !

Post de HMJ

domingo, 29 de setembro de 2019

Apontamento 125: Recordar



Do meu tempo de estudante na Faculdade de Letras de Lisboa ficaram algumas, não muitas, boas recordações de Professores, com letra grande. Os que reuniam qualidades intelectuais e humanas não abundavam, mas encontrei-os tanto na área da Literatura, como em História e, igualmente, nas disciplinas de Linguística.

O Professor Ivo Castro merece o destaque, sobretudo pelo seu saber e distinção com que nos introduzira na História da Língua. Sabia-o também ligado a trabalhos científicos sobre “espólios”.

A recordação agradável das suas aulas contribuiu, pois, para adquirir o livro acima reproduzido. Recordo-me também de ouvir falar, na altura, do “legado” do Dr. Leite de Vasconcelos. Assim, para além do interesse na matéria abordada, fiquei a saber mais sobre os “papéis” do Dr. Leite na Faculdade de Letras de Lisboa.

Já conhecia o restante espólio, sobretudo alguns dos livros da sua biblioteca depositados no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém.

E assim se fecha um ciclo, ficando o livro junto da “sua”  Etnografia Portuguesa, e recordando a figura deste “velho magro e meão”, nas palavras de Vitorino Nemésio.


Post de HMJ

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Apontamento 124: Manifesto do SNS - CODA



Cansada, confesso, de todo o coro da direita a falar do declínio do SNS, disfarçando as suas responsabilidades enquanto Governo, sucede que, no dia 13.4.2019, encontrei um artigo que acima se reproduz, parcialmente.

Com uma visão objectiva, de profissional conhecedora do funcionamento de dentro, vi, finalmente, um esclarecimento claro e acessível. É pena que o senhor bastonário – ao que parece em representação de médicos – não tenha a mesma clarividência, nem sentido cívico, para transmitir aos utentes uma visão desapaixonada, desígnio que se esperava dele, mas em vão, como temos visto pelas suas prestações paupérrimas.

O restante artigo da Drª Isabel do Carmo pode ser lido, certamente, na versão “on-line” do Público de 13.4.2019. O corte do texto final não foi intenção minha, mas surgiu por imposição do espaço disponível para a digitalização do artigo.

Sublinho, no entanto, que censurei, por imperativo cívico e democrático, a cara do senhor Cavaco e Silva, que acompanhava o artigo. E mais não digo por decoro, palavra que não costuma sair bem da boca de hipócritcas.

Post de HMJ

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Apontamento 121 : Manifesto



[Juramento de Hipócrates, para recordar]

Olhando para as manifestações dos últimos tempos, sempre me pergunto onde toda esta gentinha andou, descansada, durante o tempo de “troicas e pafunços”. Depois, fixando bem o olhar nas figuras que aparecem nos écrans televisivos, não consigo calar a minha aversão profunda à falta de dignidade de criaturas que se dizem pertencer a profissões como médicos, professores, etc. Convenhamos, o respeito profissional não é um valor adquirido, nem se reclama, resulta, antes de mais, do cumprimento do dever inerente.

Querendo manifestar-me, hoje, em plenitude pelo SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (SNS), confesso que há muito me incomoda aquela figura que se intitula Bastonário da Ordem dos Médicos, porque, do seu juramento profissional, pouco ou nada o cidadão comum vislumbra.

Atacando, quase diariamente o SNS, sem nenhuma proposta concreta para a solução dos problemas, pergunto para onde o senhor bastonário, sendo médico, como diz, vai enviar a grande maioria dos utentes do SNS que não têm seguros de saúde, nem outros subsistemas como a ADSE ? 

Relativamente a CUF’s, Hospitais de Luzes, etc., e sem pretender questionar, publicamente, a qualidade profissional de algumas pessoas, sucede que o “povinho” anda vislumbrado e enganado com o aspecto de “centro comercial” das ditas unidades privadas, dos profissionais, mais novos, na maioria dos casos, mas  todos formados em Universidades Públicas.

Senão vejamos. O tempo de marcação, para consultas, exames, etc., depende do seguro ou subsistema. Do SNS recebo uma carta em casa com o dia aprazado. O tempo de espera, no dia da consulta, NÃO é inferior ao de qualquer consulta em Hospitais públicos.

Numa consulta na CUF, esperei mais do que o razoável. Passou-me à frente uma pessoa que veio depois, sem mais explicação. Depois de questionar o médico pela demora, senti que não gostou do reparo e o atendimento foi mais ou menos gélido. Fiquei, para uns meses, com uns  óculos, que não me têm dado nenhuma confiança, mas que terei que usar pela quantia paga pelas lentes. Dito isto, dispenso, mesmo como beneficiária da ADSE os serviços da CUF, na parte da Oftalmologia.

Outro tanto, talvez pior pelo pagamento onoroso que sobrou para o SNS, posso testemunhar no caso de umas ecografias, cujo relatório dos serviços da CUF levantou dúvidas a uma amiga médica e à nossa, competentíssima e atentíssima, médica de família da Unidade de Saúde Familiar. O encaminhamento para o Hospital de S. José, para além de consultas de especialidade, levou à repetição das ecografias no respectivo Hospital, e confirmou, depois de várias diligências e resultados, que o “textinho” inicial do senhor Dr. médico da CUF revelava algumas “fragilidades de interpretação”. Sobrou, para mim, a chatice de repetir o mesmo exame inicial, na CUF, num prazo de 6 meses, i.e., mais dinheiro em caixa para os privados. Depois, foi no SNS que me atenderam, LIVRES de enganos de contabilidade espúria, sobrando para o Orçamento do Estado os “jeitinhos” dos privados no aparente atendimento “amigo do doente” dos Hospitais Privados.

Tenho pena de o SNS não ter a capacidade para atender o maior número de exames que os privados utilizam para captar o doente, indevidamente. O tempo de espera não compensa, e os resultados não convencem, na maior parte dos casos.

Como dizia um amigo nosso noutro dia: que nos livrem da ideologia de infantilização e envergonhada compaixão para com o doente e velhinho, fazendo dele um ser amorfo e ridículo, sem dignidade própria, como anda por aí nas ruas de Lisboa: “ o pó-pó para o vô-vô”. 


PS: Por conhecimento próprio e recente, aconselho o Senhor Bastonário a ter mais tino nos seus ataques, porque o serviço medico prestado aos doentes, designadamente, na Alemanha não é melhor, nem de maior confiança,

 Post de HMJ

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Apontamento 117: Introdução da Receita Médica electrónica, na Alemanha




Lembram-se da “vaquinha voadora” ? Pois, agora, ainda sem sair do Centro de Saúde, já “cá canta”, como dizia a outra, a Receita Médica electrónica no meu telefone móvel. António Costa, na imagem acima, deve ter falado deste feito, do seu Governo, ao Ministro de Saúde alemão, de nome Jens Spahn.


[Spahn plant Einführung des digitalen Rezepts, in: Der Spiegel]

Certamente, saindo, bastante apressado, como dizem ser seu estilo, de um encontro com o Primeiro Ministro António Costa na sua recente deslocação a Berlim, o Ministro alemão não hesitou e convocou uma conferência de imprensa para anunciar que “planeia a introdução, para 2020 [sic], da receita médica electrónica” na Alemanha.

É a notícia, hoje, em vários jornais da Alemanha. Ou seja, ganhou, mais uma vez David frente ao Golias.


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Apontamentos 114 : Vergonha



A imagem de Karl Marx, numa praça de Chemnitz, naquela que foi a SUA cidade designada no tempo da SED (de Honecker e companhia), não se enquadra, de todo, com o LUMPEN que, na Saxónia, pretende inverter os seus princípios e valores.

A responsabilidade por essas imagens vergonhosas de uma Alemanha Lumpenlândia, cujos cidadãos esclarecidos não se levantam, em peso, contra uma crescente minoria de chungaria – à semelhança de outros países que toleram este tipo de subversão totalitária – tem nomes.

Aos partidos políticos – como a CDU e a Linke – se devem pedir as maiores responsabilidades na inação perante o avanço deste tipo de gente, sem princípios, educação e moral.

Que venha o Senhor Kohl para explicar bem, aos “ossis” a “queda do muro”,  já que a sua pupila Angelina se tem mostrado incapaz de "educar" os seus antigos amigos, antes, enquadrando-se, perfeitamente, no verso de Almada Negreiros: “o génio de Fernando Pessoa manifesta-se em não se manifestar”.

Acrescento eu o seguinte. Se os “ossis” não gostam da democracia dos “wessis”, ou seja, da Constituição da Alemanha, têm bom caminho. Sugiro, pois, aos cidadãos da Saxónia desavindos que emigrem para a Polónia, a Hungria ou outros países quejandos em deriva Lumpenlândia.

Aos cidadãos sérios, civilizados, que constituem, certamente, a maioria, não resta mais do que levantar-se, DIARIAMENTE, EM PESO, e de viva voz perante semelhante escumalha.

A mim, fica-me uma VERGONHA PROFUNDÍSSIMA perante espectáculos tão degradantes.

Post de HMJ

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Apontamento 110: Em louvor da Arquitectura




Sempre gostei da descida para a Trafaria, preparando a vista, na estrada íngreme entre o campo e o mar, para esta imagem, à beira Tejo, olhando para Lisboa.

Mas, também, sempre achei uma terra mal cuidada quanto ao edificado. São erros passados de semear, sem estratégia, nem saber de arquitectura, torres desmesurados no meio de casinhas, pobrezinhas, de pescadores.

Junto ao rio havia uma farmácia, antiga, cuja traça sempre me encantou e que, há algum tempo, se foi degradando, como se vê pela imagem.


Recentemente, numa visita à Trafaria, porque também tem uns restaurantes recomendáveis, vi que a “minha” farmácia ganhou uma nova cara. Laus Deo. Em vez de a deitarem abaixo, está a ser recuperada como outras casinhas.


Espero que a Câmara de Almada e a sua Presidente tenham um olhar atento e aproveitem a oportunidade para fazer renascer a Trafaria, recuperando o edificado paupérrimo com saber, qualidade e gosto.


Post de HMJ

domingo, 14 de janeiro de 2018

Apontamento 109: Uma boneca "Käthe Kruse"


Na profusão de bonecada que, actualmente, enche a casa e os quartos das crianças, será, certamente, difícil de imaginar qual o objecto que sobreviverá na memória visual da pequenada.

Entre ursos e bonecas não chegou ao número dez, retendo na memória, ainda, cerca de cinco bonecas que já não fazem parte do meu universo, espalharam-se, algures, na voragem do tempo. Em casa guardo uma boneca, que já teve a sua apresentação no ARPOSE, e o meu urso, velhinho, com as patas e as mãos remendadas.

Ora, uma boneca da marca “Käthe Kruse” era, na minha infância, o supremo desejo, inalcançável. Nas visitas às lojas de brinquedos, lá mirava as bonecas, feitas de pano, com cabeça tipo louça e cabelo natural. Era objecto para casas abastadas. A marca registada tem o nome da actriz e produtora de bonecas Käthe Kruse (1883-1968) que, depois de fazer os bonecos para as suas filhas, iniciou a sua produção em 1911.

Mas, como há dias de sorte, ganhei, na recta final da minha vida, uma boneca destas, que aqui se apresenta:




Durante a recente estadia na casa da  minha amiga, ela abriu o seu velho baú e mostrou-me uns vestidos de bonecas, para escolher e levar o que quisesse. Depois dos vestidos veio a sua colecção de bonecas. Algumas partidas, outras bem guardadas. Lá espreitei e vi a boneca “Kathe Kruse”. À pergunta se eu queria a boneca, quase não houve contenção de delicadeza na minha resposta.

Assim veio a boneca para Portugal. Tem ca. de 39 cm e o número 2/7777 gravado na planta do pé. Lavei-a, com muito cuidado, com água morna e sabão CLARIM, avivando-lhe a cara com óleo de amêndoas doces. Um dos sapatos, como se pode ver pela imagem abaixo, foi preciso colar depois de limpo com o mesmo sabão e cotonetes.



Depois, vesti-lhe o fato antigo da minha outra boneca. Falta apenas encontrar umas meias, umas cuecas e uma outra blusinha para condizer com a saia que trazia, toda bem feitinha pela mãe da minha amiga.


E aqui está ela, a recém-chegada à minha colecção de bonecas.


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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Apontamento 99: Trocadilhos de ignorância


A propósito de uma alteração da Lei da Nacionalidade, surgiu hoje, numa estação da televisão uma velha questão, cheia de ignorância.

Ao que parece, nem toda a “gente”, e falo de jornalistas de estações públicas, já se apercebeu da diferença entre uma nacionalização – certamente dos Bancos, etc. – e uma NATURALIZAÇÃO, tal como diz a Senhora Ministra, e bem, relativa à intenção de alguém para adquirir a nacionalidade de um determinado país.

Não cabe neste espaço, e porque já falta a paciência para reproduzir tanto desvario burocrático, a “narrativa” do calvário, ou trabalho de Sísifo, a percorrer para levar a bom termo todo um processo de naturalização.

Foram meses de aventuras, despesas acumuladas, e episódios memoráveis. Só conto um por desfastio. Tal como se voltou a falar hoje, a lei prevê uma prova de “domínio da língua portuguesa” que, numa determinada altura, o pretenso candidato teria de prestar num serviço da Câmara Municipal da sua residência.

Perante o solícito funcionário camarário, destinado a passar o atestado do domínio da língua para poder aceder ao estatuto de cidadão nacional – para todos os efeitos legais, excepto o exercício do cargo de Presidente da República Portuguesa – respondi à pergunta inicial, dizendo, em vernáculo, que era eu a pessoa a ser examinada.

Passada a primeira reacção, algo estranha do funcionário perante o estabelecimento, normal, da conversa em Português, surgiu a pergunta sacramental: “ A senhora quer “nacionalizar-se”? Ao funcionário municipal respondi, na altura, que houve muita “coisa” nacionalizada, mas que eu não me candidatava a um processo de NACIONALIZAÇÃO.

Constata-se, portanto que, passadas décadas, continua a mesma confusão, ou ignorância, que leva um reputado jornalista a não distinguir entre NACIONALIZAÇÃO E NATURALIZAÇÃO.

Ao que parece, a Senhora Ministra, sabe bem do que fala quando refere a complexidade de todo um processo de NATURALIZAÇÃO. A quem o dizem !


«Francisca Van Dunem admitiu que as questões de nacionalidade "são muito complexas" e suscetíveis de gerarem "um ambiente de alguma dificuldade e compreensão" não só no público em geral como também nos próprios serviços que tratam destas matérias.» Expresso, 20.4.2017

Post de HMJ

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Apontamento 98: Bem-vindos à "Disneyland" portuguesa


Como é meu costume, gosto de jogo limpo, avisando os eventuais leitores para particularidades das minhas opções, neste caso de leituras.

Sucede que nunca apreciei os bonecos “Disney”, “minies” e companhia, assim como nunca engracei com “Barbies”, de trampa, ou outro tipo de bonecada de duvidoso gosto, tanto faz.

Também não fazem parte do meu universo infantil “discursos em forma de bola de chiquelete”, de construções reduzidas, antecipando o “jargão” cibernáutico actual.

Vem todo este palanfrório a propósito do efeito nocivo da globalização sobre as nossas cidades, impondo cópias, tiradas a papel químico, do submundo cultural.

Nas ruas da cidade alastram os bandos que espalham o seu ruído através de altifalantes, passeiam-se umas figuras tristes, que me fazem lembrar o “mundo Disney”, ou seja, um sonho americano, globalizado, de pacotilha, sem nenhuma referência cultural. O cenário da cidade continua a transformar-se num filme de horrores, com imagens iguais de qualquer país possível, sem nenhuma referência histórica, social e cultural concreta. Tanto se pode passar por este enquadramento no Sul como no Centro ou no Norte da Europa, tanto faz, apenas com a diferença do clima ameno em Portugal.

Convenhamos que a maior parte dos turistas não vem com intuitos culturais.

Acontece, no entanto, que a submissão a essas “hordas” nos modifica a nossa paisagem, ajudada por uma legislação que, lentamente, transforma o comércio local em “áreas turísticas tipo Disney”.



A última notícia, de hoje, foi o encerramento do REI DAS MEIAS, no Largo Bordalo Pinheiro, para dar lugar a quê ? À falta de imaginação, mais um Hostal, certamente !

Como a memória é curta, e as eleições próximas, convém lembrar que a Lei do Arrendamento, que criou a base para tamanha razia no comércio tradicional, foi alterada em 2012. Pertence, pois, a responsabilidade a determinados pafunços, da fauna dos coelhos e galinhas cristas, gente aculturada nada e crescida em lugares distantes, feitos basbaques perante esta nova “Disneyland” à portuguesa.




Prefiro a sinceridade da mensagem do “antigo” Rei das Meias que, a partir do fim do mês, manda mais duas empregadas para trabalhar “para a Segurança Social”, como elas me confirmaram, de viva voz.

Post de HMJ

quarta-feira, 15 de março de 2017

Apontamento 97: Engano de alma ledo e cego



Ao contrário de algumas almas, perdidas, tresmalhadas ou enganadas, continuo a acreditar no Projecto Europeu, matricial e fundador, que não tem NADA a ver com os desbragados Junckers, nem com os penteadinhos Dijsselbloems. E muitos menos com os círculos de amigos merkelianos e schäublianos.

Aliás, são estes últimos que nos meteram, sobretudo no dia de hoje, num pesadelo centrado num pequeno país dos queijos, situado a Norte. Eu explico.

A desmedida atenção à Holanda, neste momento, apenas se explica pelo enfraquecimento da União Europeia, que se acentuou nos últimos anos, certamente, devido a prestações pouco credíveis.

A viragem à direita, na Europa, deve-se, contudo, a estas criaturas – por vezes até já votadas à memória curta – como Blairs e Barrosos, etc. - que utilizaram o lugar como trampolim para outros voos, denegrindo, por completo, o Projecto Europeu naquilo que tem de mais genuinamente democrático e de paz.

Não duvido que a matriz do sucesso da direita se junta aos “pafunços troikianos”, porque parece que os “excluídos” escolhem, por vias que o entendimento desconhece, os seus mais assanhados executores.

Também não tenho dúvidas de que a educação continua a ser  o único meio de elevar o bem-estar social, cultural e espiritual, embora duvido, cada vez mais, do apoio, nesta tarefa gigante, dos meios de comunicação social, frequentemente com objectivos muito diversos, duvidosos e pouco consistentes.

Post de HMJ

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Apontamento 94: Passeios por Lisboa - 5



Ao contrário de muita gente, faço parte de uma geração pós-guerra que crescera no meio de obras e numa tentativa de mudar um país em ruínas.

Com efeito, trabalhos e recuperação e manutenção do edificado, com os distúrbios óbvios para uma rotina estática, fazem parte de um ADN, de saudável espírito de conservação.


Olho, pois, para as obras na cidade de Lisboa com alguma curiosidade, sabendo que, na maior parte dos casos, o aproveitamento imediato será o turismo, com todos os defeitos de uma estratégia mal concebida para o “chunga” em vez de uma elevação espiritual e cultural.

Ouvindo os abencerragens da velha CIP, sugeria que se preocupassem com a qualidade e cultura dos “nossos empresários”, porque, no dia-a-dia, percebemos bem que eles nem sequer estratégia têm para além de alugar os quartinhos às escondidas da AT.


Resta-me uma consolação. Depois de os turistas debandarem para outras paragens, pelo menos ficam os edifícios recuperados, destacando a beleza da cidade. 

Post de HMJ

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Apontamento 93: Passeios por Lisboa - 4


Afazeres vários desviaram-me, por uns dias, de pequenos percursos citadinos. Por vezes, são desvios, alongando ou modificando o caminho normal. Hoje, por desfastio e numa tentativa de esquecer um contacto bancário desagradável, resolvi descer a Rua da Emenda e encontrei, a meio caminho, esta figueira, frondosa, no meio da cidade. Fiquei com simpatia pelo proprietário que, assim, resolveu embelezar a sua entrada.


  [Foto de Sérgio Dias]

Descendo, a cidade deu-me a conhecer o Pátio do Pimenta, uma pequena reentrância ao fundo da Rua da Emenda. Espaço curioso e que tem um apontamento explicativo numa página chamada: Toponímia de Lisboa.
[https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/09/25/que-pimenta-deu-nome-ao-patio/]

O meu fito era visitar a minha peixeira do Mercado da Ribeira, comprando um peixinho para o almoço de amanhã. Não sendo freguesa frequente, sou, no entanto, recebida com toda a simpatia e profissionalismo, porque a Teresa sabe arranjar, e muito bem, uns filetes de pescada.

A volta pelas bancadas, comprando pão e azeitonas, deu para encher o olhar das flores e dos frutos em exposição. Depois, no Jardim de D. Luís, sentei-me junto de um quiosque para tomar um café. A “fauna humana” daquelas paragens é que não se recomenda !


E, como já vai sendo hábito, a subida do regresso é com o apoio do 758 da Carris.

Post de HMJ

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Apontamento 91: Cidades e Ambiente



Quando pensamos em diversos assuntos que nos apoquentam, tanto do ponto de vista dos princípios como nas suas implicações, frequentemente negativas, na vivência quotidiana, vale a pena não recusar a opção anterior de um determinado modelo de cidade. Em cima, uma praça no centro de Colónia, dedicada a Friederich Ebert, que se transformou, como se vê abaixo, num amontoado de pedra.



Recentemente, a praça do Toural, em Guimarães, sofreu uma remodelação semelhante. Tiraram o velho jardim, tão característico, embora datado, das cidades portuguesas, para implantar um “descampado” de pedra.

Servem os dois exemplos para não nos desviarmos do essencial. O mal de “ensaiar” a “Cidade do Futuro”, com arranjos duvidosos, não é nacional. Como não é o desvio de tempo e dinheiro nas obras públicas, como demonstra a “obra de Stª Engrácia” do novo aeroporto de Berlim.

No meio, sobra-nos sempre o dia-a-dia, em que o “arranjo” ao acaso, sem atender a questões elementares de um bom ambiente cívico – e civilizado – nos estraga a luz e a vista da cidade.

Comecei o dia bem, passeando por um bairro junto do Palácio dos Coruchéus e o jardim do Campo Grande.


 Acabei, e mal, na Baixa, com aquele enxame de turistas de chinelo, a olhar parvamente para umas foleirices – visuais e sonoras – sem que haja entidade que fiscalize e oriente a ocupação do espaço público por semelhante menoridade.

O mesmo sucede com a instalação de uma cadeia de “fast food”, conspurcando não só com publicidade as escadas do Metro como também as ruas com o lixo espalhado pelo chão.



E tal como os meninos, mal ensinados nas pretensas aulas de Ambiente, continuam a deitar todo o lixo no chão, o Mc Donald’s do Chiado não tem caixote do lixo dentro da loja e alega que a Câmara Municipal de Lisboa não permite colocar recipientes à saída.


Bastava recuar um bocado para recuperar a noção de educação cívica e civilizada para tornar o dia-a-dia mais agradável.

Post de HMJ, para maria franco, numa partilha de preocupação cívica e ambiental

domingo, 4 de setembro de 2016

Apontamento 89: Passeios por Lisboa - 3



Do último passeio pela Rua das Chagas e o Largo correspondente, ficou-me a vista de uma destas travessas que descem para a Rua do Elevador da Bica, subindo depois em direcção ao Miradouro do Adamastor. 

Ora, a canícula de hoje recomendava algum recato, não me atrevendo para lugares completamente desconhecidos. Comecei a imaginar os passeios e conclui que seria possível passar "debaixo" da sombra. encostando-me sempre a um dos lados do passeio. Assim foi. 

Voltei, então, à Rua das Chagas, porque me ficou, do último passeio, a belíssima e calma vista de uma Travessa, que é do Cabral, a descer do Largo fronteiriço à Igreja das Chagas.

Descendo, depois, pela Travessa (?) da Bica Pequena, descansei do calor no Largo do Stº Antoninho e, pouco depois, me encontrava na Rua de S. Paulo. O resto, subindo a Rua de Alecrim, de autocarro, já não tem história.

Post de HMJ, dedicado a Maria Franco

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Apontamento 87: Passeios por Lisboa - 2



Há algum tempo que me falaram do “baralho” em epígrafe. Eu explico. São uns cartões com sugestões de passeios por Lisboa, a pé ou de bicicleta. Na altura, fiquei com as antenas no ar, mas não perguntei mais. Estava com receios de ser mal interpretada, insinuando querer candidatar-me a um presente.

Recentemente, com as minhas passeatas por Lisboa, veio-me, novamente, a sugestão das ditas cartas. Hoje, lá as comprei e, sublinho, que não foi fácil. Mas não as utilizei ainda.

Estava, hoje, prevista uma incursão numa zona completamente afastada dos meus horizontes. Telheiras ! Para ver a nova livraria, com livros em alemão. O dia até convidava e lá fui, na ida de Metro, porque o regresso já o sabia de autocarro até ao Campo de Santana. A rua da livraria poucos conheciam, até vários taxistas não se descoseram. Teriam medo que pedisse a deslocação com um percurso tão pequeno ?

Sobre a livraria não me pronuncio, porque se dedica, sobretudo, ao livro escolar, certamente para abastecer a Escola Alemã próxima. Descobertas de livrarias, ultimamente, só uma. A Bittner, em Colónia.

No entanto, aproveitei a zona ajardinada à volta, no meio de umas construções de duvidosa estética. Lá estavam umas hortas.


Concluindo a minha volta, vi uma igreja com um nome fora do comum: Nossa Senhora da Porta do Céu.

Pouco a pouco, lá irei dar conta de alguns recantos que vou descobrindo nesta Lisboa, fugindo a tal “auto-estrada dos formigos forasteiros” que conspurcam certas zonas centrais da capital.

Post de HMJ

sábado, 6 de agosto de 2016

Apontamento 83: Desilusão



Embora correndo o risco de me repetir, sublinho que não acredito na inocência da criação literária, mas também não encontrei isenção nos campos da ciência ou até do desporto, tão em voga nos nossos dias.

Felizmente, pertenço ainda à geração dos praticantes de desporto, de diversas modalidades, nos vários graus de ensino, muito antes de entrarmos nesta “nova religião da actividade física”, com imposições de moda, formas de estar e pensar.

Assim, livrei-me deste novo “ente” todo-poderoso desportivo, e também não me obrigaram a jogar futebol, como não impuseram aos meus colegas masculinos a prática de “ballet”.

Dito isto, entendo que atrás de uma ideia salutar do desporto se instalou todo uma indústria, formas de vida unívocas, espiritual e material, que não aprovo nem pretendo alimentar.

E, no meio deste pântano, também se perverteu o ideal dos Jogos Olímpicos, tão em voga actualmente. No entanto, quem ler, com atenção alguns artigos, publicados no DIE ZEIT, sobre a matéria, concluirá que a pureza dos Jogos Olímpicos se desvaneceu há muito.


Bastou-nos, aqueles que como eu tiveram a tarefa de transcrever os escritos de Carl Diem – em epígrafe – o contacto com um dos obreiros do Comité Olímpico para perdermos a ilusão quanto à pureza do ideal dos Jogos Olímpicos, no passado, e, com maior razão, no presente.

Post de HMJ

domingo, 19 de junho de 2016

Apontamento 79 (bis): Abóboras


Vamos dar conta da evolução das nossas abóboras. Como se vê pela foto, a primeira flor cumpre o dito: "quem sai aos seus ..."

De facto, a mãezinha era uma senhora abóbora !

Post de HMJ, com os votos de um bom Domingo