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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Apontamento 184

A notícia de dois assassinatos recentes, em Portugal, um tentado e outro consumado por um adolescente de 14 anos, sobre a mãe, autarca de Vagos, enquanto o primeiro perpretado sobre um octogenário, pela filha de 40, mas falhado numa pessoa de alta craveira social, permitem-nos concluir que os desnortes mentais estão a subir na escala populacional do país. Enquanto por aí fora também os desgovernos se acentuam na chefia de nações que outrora tinham sido bem geridas e com equilíbrio sensato.
Para não falar dos descendentes de vítimas que se transformaram em carrascos de outros povos, em menos de um século, fazendo jus ao dito bíblico do Velho Testamento que estipulava "olho por olho, dente por dente".
Realmente, parece que o mundo não tem conserto e, ter esperança em melhoras, só por ingenuidade mental.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Apontamento 183: não sirvas a quem serviu ...

 

Por entender que me assiste uma dupla razão para falar da emigração portuguesa – esquecendo uma imigração voluntária em contraciclo – não posso, no dia de hoje, deixar de manifestar o meu profundo desagrado perante a falta de humanidade, discernimento e completa ausência de aprendizagem dos emigrantes portugueses.

Com o devido respeito, uma grande parte saiu, por necessidade, mas carente de uma educação básica que o país lhes negou ! Se alguma educação, formação profissional ou cultura adquiriram, foi no país de acolhimento que, graças a uma abertura de espírito de muitos, ajudou para que o objectivo, essencialmente capitalista, também tivesse uma face humana.

Remete para a imagem para recordar a recepção de um imigrante português na Alemanha.

Obviamente não pretendo passar uma esponja sobre muitas adversidades, atropelos e explorações espúrias.

Mas, é por tudo isto, de experiências marcantes em terras alheias que não entendo o sentido de voto dos emigrantes/eleitores, sobretudo na Europa.

Então, se o Estado Novo era tão bom para os pobrezinhos, como diz agora um partido de extrema-direita portuguesa, por que motivo fugiram tantos portugueses ou foram saltar a fronteira em condições abomináveis ?

E, agora, “amiguinhos” vão eleger os sucedâneos dos abutres e carcereiros da altura ?

Enfim, a educação e formação que receberam, pais, filhos e descendentes, passando de uma miséria de condições de vida, e habitação indigna, para uma condição humana relativamente civilizada, não permitiu desenvolver um pensar crítico sobre os verdadeiros agentes da construção democrática?

Bem sei que a vida é feita de opções! Votar em quem pretende – de forma ínvia – cortar as conquistas da democracia e da liberdade, limitando também a vivência civilizada dos emigrantes portugueses no centro da Europa, manifesta uma enorme ignorância, falta de virtude e, sobretudo, incapacidade de mostrar que aprendeu alguma coisa na vida.

Parece que não aprenderam a viver em liberdade depois da Ditatura !

Com enorme pena minha, porque trouxe comigo a DEMOCRACIA, bem superior da Humanidade, custa a aceitar esta deriva acrítica, acéfala e desumana. Tanto em Portugal como na Europa.

Post de HMJ

domingo, 1 de setembro de 2024

Apontamento 175: Democracia - Um desafio permanente

 

Estou convencida, olhando para a imagem de Friedrich Ebert, Presidente da República de Weimar (1919-1925), que, no dia de hoje, nos unia uma forte convicção de que a DEMOCRACIA é, apesar de tudo, um bem supremo, mas nunca uma conquista como dado adquirido.

Verifica-se hoje, pelas eleições nos Estados de Turíngia e Saxónia, antigos domínios pró-soviéticos do partido único SED, que os fantasmas antigos não dormem.

Post de HMJ

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Apontamento 171: É preciso recordar - 17.6.1953

A imagem acima faz parte de um conjunto de documentação sobre o levantamento popular, a 17.6.1953, na então designada República Democrática Alemã (RDA), contra a ditadura do partido único SED, subsidiária do Partido Comunista da URSS.

Convém deixar claro que a ocupação dos territórios no leste da Alemanha surgiu no final da II Guerra Mundial, em que as forças vencedoras da guerra dividiram o país em 4 zonas de ocupação, como se vê na imagem seguinte.

Ora, apenas a parte ocupada pelas forças soviéticas entrou num processo de segregação e divisão política, social e cultural, impedindo a saída dos seus habitantes para as zonas integradas na República Federal da Alemanha, assim como viagens para fora do país.

Sou ainda testemunha, de um episódio ocorrido nos anos sessenta do século passado, em que a passagem da BRD para a cidade de Berlim, através da auto-estrada, se fazia com controlo rigoroso na fronteira da BRD para a RDA.

Não tenho memória de ter visto alguma restrição ou impedimento de circulação da população residente nas zonas assinaladas e de ocupação dos seguintes países: UK/USA e FRANÇA.

Da separação das duas Alemanhas consta, ainda, a construção do Muro de Berlim, em 1961, separando, definitivamente, a convivência da população da cidade com raízes tanto de um lado para o outro. [ver: https://www.stiftung-berliner-mauer.de/en/berlin-wall-memorial]

Como facto mais recente, porventura mais presente na memória dos cidadãos europeus, temos os levantamentos populares na antiga RDA que, desta vez com êxito, levaram à reunificação da Alemanha.

Ao que parece, passado 71 anos da revolta de 1953 e 35 anos após a queda do muro na sequência de levantamentos idênticos, a população actual e residente não se identifica com o espírito democrático que unia os revoltosos de então.

E como consta de um livro recente publicado na Alemanha, o entendimento de democracia não coincide nas duas zonas antigas de ocupação BRD e RDA. A estrutura totalitária da SED e os braços da URSS deixaram a sua marca e, segundo consta, de forma definitiva.

 Post de HMJ

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Apontamento 169: A IN-civilidade de gentinha rica

 


Num apartamento “chique a valer” na Rua António Maria Cardoso, mais propriamente no edifício construído nas antigas garagens da sinistra Pide/DGS, encontra-se um apartamento de LUXO em epígrafe.

Sucede, no entanto, que os actuais residentes, de civilidade ZERO e certamente ignorantes do local, até demonstram hábitos mais campestres, disfuncionais e de pouca noção da qualidade cívica para os apartamentos em causa.

Na imagem acima vêem-se duas janelas do último andar, onde, na janela aberta, costuma andar um cão, DE FRALDAS (!), a ladrar, porque, de facto, olhar para a Rua António Maria Cardoso, o que deseja é que alguém o passeie. Sem êxito de aliviar o desejo do animal por parte dos proprietários.

 E nós, vizinhança, a suportar um espetáculo “pimba” e degradante de pior espécie. Cão com fralda !

Nicles ! É a vizinhança dos “chungas ricos”, que levamos, continuamente com o ladrar do cão a reclamar o seu direito de sair a rua, certamente com a “merda” da fralda a incomodar.

Haverá aspecto mais incivilizado, disfuncional e aculturado numa Capital de um país da Europa ?

O Veterinário da Câmara o que faz ? Mesmo após esta denúncia ? NADA !

Afinal, os animais servem para quê ? Com fraldas a passear pela casa e ladrar para fora e incomodar a vizinhança ?

Até a opção de olhar para as fraldas provoca nojo !

Basta de decadência sem regras, nem fiscalização !

Post de HMJ

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Apontamento 167: Desengano de alma

 


[queda do muro, 1989]

Acontece que existem assuntos que não nos largam, até nos invadem, infelizmente, a tranquilidade nocturna.

Um deles é a pretensa oposição alemã entre OSSIS [cidadãos dos territórios da antiga  RDA] e WESSIS [cidadãos residentes no território da antiga RFA].

Nos debates sobre o tema, sem nexos, considero-me completamente distante, porque não sou, nem tenho qualquer ligação familiar aos antigos domínios da RDA tutelados, de forma ditatorial, pelas «matrioscas» russas da SED.

Com efeito, encarava a oposição cívica das chamadas «populações de leste», que levaram ao fim da divisão, contra-natura no pós-guerra, do território da Alemanha, como manifestação sincera de querer viver em liberdade, sem o regime totalitário. No passado, tiveram medo do sucedâneo do KGB, hoje temem a AfD.

Ao que parece, e pelo desejo aparentemente manifesto nas opções pela extrema direita nos territórios da antiga RDA, continua um fundo «de camisas castanhas» não  eliminadas no tempo dos SED’s, juntando-se aos cidadãos carentes de uma outra vertente, moderna, de estado totalitário, a saber, os partidos de extrema direita.

O pouco contacto que tive com pessoas da antiga RDA, depois da abertura, e já em Coblença, na RFA, ensinou-me, de facto, que os anos do SED deixaram marcas indeléveis nas pessoas.

Presenciei, numa cena pouco comum de ser impedida de entrar numa casa familiar, embora acesso combinado, por uma pessoa que se impunha como guardiã do aposento durante as férias dos donos.

Nos meus contactos cívicos, com familiares, amigos e estranhos, concluí que nunca me tinha deparado com este misto de provincianismo, sobranceria e falta de noção de trato.

Aliás, muitas das «destrezas provincianas» sempre as atribuí a Angela Merkel, motivo pela qual nunca a apreciei.

Graças à educação recebida, e embora crescida numa aldeia da cidade de Colónia, nunca me reconheci, nem identifico, com ademanes provincianos, característicos dos «malandros da CDU» que pretendiam dominar as almas. Fui assim, pelos contactos hipócritas na juventude, que não me apanharam no «Desengano de Alma».

Post de HMJ

sexta-feira, 31 de março de 2023

Apontamento 153: Quem não se sente, não é filho do boa gente

 

Ora, os que pretendem falar da habitação, sem preconceitos, mas com os pés assentes na realidade, convinha partir de uma reflexão racional, caso contrário entramos no universo do engano, ledo e cego.

Então, aqui vai o relato da realidade.

Passado algum tempo depois de ter vindo para Portugal, sem nunca ter vivido em apartamentos ou casas alugadas, vi-me, de um dia para o outro e em finais da década de 70, por causa de uma velhacaria de pretensos candidatos a familiares, sem “eira nem beira” a chegar ao aeroporto de Lisboa vindo da Alemanha. Mudaram-me, durante a minha ausência, a fechadura e o resto faz parte da história pessoal.

Resta lembrar que, nos finais dos anos 70, o problema da habitação não era diferente do que se apresenta agora, embora por motivos diferentes.

Com efeito, consegui sobreviver, com tecto, devido a uma ENORME dívida que tenho para com os meus amigos.

Depois de amigos meus me irem buscar ao aeroporto e me comunicarem o facto insólito de estar sem tecto, acolheram-me em sua casa durante o tempo necessário para encontrar uma solução de autonomia.

Primeiro vivi num quarto, com os tarecos – que os velhacos me deixaram tirar – pagando 2/3 do meu rendimento, sobrevivendo, para o resto, à custa dos convites diários de – mesa e banho – dos meus amigos da frente, já que a senhora do quarto não tinha esquentador para aquecer o banho.

Através desses amigos da frente consegui uma casa razoável, onde vivi durante 30 anos, com todos os esforços perante um senhorio – daqueles que ainda não devem ter acabado – de uma falta de civilidade atroz.

O pagamento, em dinheiro, tinha que ser levado para a casa dele, distante da minha. O recibo era passado quando calhava, ao ponto de levar meses a conseguir o pagamento através de transferência bancária, já que o familiar que me acompanhava como testemunha do pagamento da renda nem sempre estava disponível.

Durante os 30 anos de locatária, - e com uma renda bastante acima dos 30 % do rendimento, recomendáveis - não houve nenhuma bemfeitoria por parte do senhorio. Se as diversas janelas de madeira aguentaram o tempo todo, foi graças ao meu cuidado e os conselhos do meu pai, já que o senhorio me levou, durante todo esse tempo, uma lata de 1 litro de tinta para pintar as janelas. Mais nada !

Ao reparar a canalização, gasta, solicitou o pagamento das obras, chegando ao cúmulo de levar uma sanita, VELHA e suja, para substituir a existente.

Obviamente, foi quando achei, e tendo conseguido outra autonomia de acomodação, que a postura sempre humilhante do senhorio tinha chegado ao limite.

Foi assim que me livrei de uma personagem tipo do nosso universo de senhorios – feito em grande medida de matreiros e malfeitores provincianos – que ainda hoje se levanta novamente.

Conto tudo isto porque a História se faz destes episódios, embora individual, marcam um determinado tempo. No passado, julgo o momento difícil foram os anos finais da década de 70 e, agora, temos o mesmo problema, cá como na Europa, da habitação.

Resta acrescentar que os meus pais, como senhorios numa pequena vivenda, nunca chegaram a velhacaria e humilhação a que fui sujeita para ter um tecto.

São lições para a vida e, por isso, saúdo VIVAMENTE, toda a iniciativa do Governo para impor regras a um universo abusivo de proprietários, maioritariamente e culturalmente pouco recomendáveis.

O Jornal DIE ZEIT faz uma boa análise da situação da habitação em Portugal:

https://www.zeit.de/politik/ausland/2023-03/portugal-wohnungsnot-zwangsvermietung

 Post de HMJ

 

domingo, 19 de março de 2023

Apontamento 152: Quando a ignorância é atrevida e ressabiada

 


[património da CML]

Os problemas que afectam a população no seu bem-estar básico – alimentação, habitação, saúde e educação – resultam, como parece óbvio, de uma estratégia de desestabilização concertada e que afecta, para além de Portugal, um vasto conjunto de países da Europa.

No entanto, e contrariando algumas opiniões menos esclarecidas, até na liberal Alemanha existe o preceito legal de limitar a existência de casas devolutas ao máximo de TRÊS meses, prazo a partir do qual serão aplicadas multas – até pesadas – aos prevaricadores. Por experiência própria tenho conhecimento de uma fiscalização eficaz, até no caso de o proprietário requerer o imóvel para uso próprio, devendo ser bem justificado o pedido e tornado efectivo a ocupação do espaço para fins habitacionais.

Ora, em vários estados da Alemanha e, como é sabido, não existe nenhum com governos marxistas, até na populista Baviera se aplica o preceito legal.

Pronuncio-me apenas de acordo como meu dever de cidadania para intervir, num jornalismo cada vez menos racional, objectivo, informado e cumpridor das suas funções cívicas e éticas.

Post de HMJ

sexta-feira, 3 de março de 2023

Apontamento 151: « Naquele engano de alma, ledo e cego”

 


É pena que as máximas, dos antigos, como, neste caso dos versos tirados de Luís de Camões, acima reproduzidos, não encontrem mais ecos na sociedade civil, sobretudo na comunidade habituada, ainda, a leituras de elevação.

Quando uma apreciação e orientação racional do quotidiano escasseia, cada vez mais, fica o campo minado para qualquer pretenso “cientista”, “nutricionista”, e quejandos, para tentar infantilizar, ainda mais, a débil capacidade de pensamento sobre a capacidade, o “dever/saber”, de orientar o quotidiano, do ser humano, da família, das crianças, usando a própria cabeça, a memória e experiência familiar. Vergonha teria a minha mãe de lhe negar a sua superior capacidade de orientar a vida familiar ! 

(A exclamação é apropriada para recordar a sua memória humana).

A anulação vertiginosa dos hábitos e saberes antigos, em detrimento de um preenchimento publicitário vergonhoso do vazio, é de uma força avassaladora sem limites, nem freios da sociedade civil e democrática.

As páginas electrónicas são a imagem, sem filtro, do caminho de menorização e dependência mental a que o Capital está disposto a mudar o rumo da Humanidade.

Espanta, pois, que o pretenso movimento VEGAN, se renda a estes enganos – ledos e cegos – como a compra de produtos BIO (!), vindos da América do Sul, kivi da Nova Zelândia, soja do Brasil, etc. etc. Nem falar de bananas que, até, se compram de melhor sabor vindos do mais próximos, i.e. da Madeira.

Para assinalar o perverso da tendência BIO, sucede que a Praça de Sobreda, com produtos essencialmente nacionais e próximos, se situa junto de um LIDL, Estes, com produtos vindos do fim do mundo – com toda a carga dos aviões– mas BIO ! Não será pela diferença de preços dos produtos que as pessoas compram, em detrimento,  do nacional do Mercado Municipal pela grande superfície. 

Confesso NÃO ENTENDER !

Cambalhota última, de um “cientista alimentar” alemão, anunciando em parangona que a bebida de leite da vaquinha – que ando a tomar há décadas, com proveito e gosto todos os dias – até provoca, vejam lá, quebra de ossos na idade. Grande trambolhão nas minhas orientações médicas do profissional e médico de família da Aldeia.

Então, vamos todos beber SOJA, para contribuir para a desflorestação do Brasil, do aumento do carbono com o importação por aviões ? Assim seja, para aumentar a estupidez humana !

Então, em que ficamos com os pretensos BIOS, disfarçados de uma nova ordem melhor do Unvierso ?

post de HMJ

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Apontamento 150: Não baixar a guarda

 



Passam, hoje, 90 anos sobre a tomada do poder pelo NSDAP na Alemanha e o apelo é para o cidadão se manter vigilante. Recordaria, a propósito, o imperativo categórico e a responsabilidade cívica de cada cidadão para evitar uma catástrofe semelhante.

Post de HMJ

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Apontamento 149: O início de uma bela aventura culinária

 


Na banca da nossa preferência encontro, com alguma frequência, hortaliça a que não resisto, ou pela raridade ou pelo óptimo aspecto. Desta vez foi a beringela da imagem acima, porque não me lembrava tê-las visto raiadas.

Que fazer com ela ?

Veio-me à memória um prato grego, ou turco, que em tempos vi fazer em casa da minha irmã, tendo ajudada nas várias fases dos preparativos, que, aliás, são um pouco demoradas.

Na biblioteca dos livros de culinária encontrei, num belo exemplar de Die echte Jeden-Tag-Küche [ou seja, a Verdadeira Culinária Quotidiana], a receita do dito prato, chamado Mussaca.

Lá me aventurei e o resultado foi quase igual à fotografia do livro de Sabine Sälzer, como se pode ver:

Apesar de iniciais dúvidas por parte da companhia do repasto, parece que a Mussaca conseguiu convencer o mais céptico.

Post de HMJ

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Apontamento 144: Uma Vergonha para a Humanidade

 


Lembram-se do slogan que se dizia - e agora certamente - com muito mais propriedade: "Comprava uma carro em segunda mão a este homem ?" Agora bem se vê quem lhe compra os carros !

A vergonha maior desta criatura é o facto de se declarar partidário de um partido de paz e concórdia na Europa e entre os homens. Além disso, esqueceu-se - POR COMPLETO - das memórias que recebeu, com certeza como eu, de familiares que viveram a II Guerra Mundial.

É pena que Olaf Scholz tenha que engolir mais este sapo, guloso e oportunista, sem nenhum sentido de responsabilidade e muito menos de razão de estado. 

A reprovação da sociedade amante da paz e concórdia na Europa é que lhe fará o último julgamento. É pena haver mais um socialista a perder o respeito dos cidadãos, que se calhar - pretensamente - dizia defender.

Post de HMJ

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Apontamento 142: Investigações recentes

Na sequência do Apontamento anterior com o número 141, com data de 22.6.2021, em que aguardávamos o envio do Gutenberg-Jahrbuch de 2021 [= Anuário de Gutenberg], já tivemos ocasião e tempo para ler o conjunto das contribuições deste ano.

Acontece, no entanto e como em todas as publicações do género, que os artigos nem sempre concitam o nosso interesse, parcial ou totalmente. No entanto, como a organização dos artigos se orienta tanto por épocas como por temas, encontramos sempre, sobretudo na secção dedicada às investigações sobre o Livro e a Imprensa dos século XV e XVI, algo que nos prende a atenção.

 


Sucede, contudo, que, na secção acima referenciada, surgiu este ano um artigo interessantíssimo, de um investigador italiano chamado Riccardo Olloco, dedicado ao estudo dos tipos romanos, usados em Veneza no século XV. O interesse da investigação de Riccardo Olloco prende-se, sobretudo, com a abordagem minuciosa e metódica bem como com o registo visual do parque gráfico em uso, lançando as bases para uma micro-análise das várias sortes que nos enchem a medida da nossa curiosidade.

E como cereja em cima do bolo, ficámos a conhecer a tese de doutoramento do investigador italiano, publicada em 2019.

 Ora, esse tesouro de investigação nos chegou ontem com algum atraso, mau grado os péssimos serviços de algumas empresas de entregas, tipo dpd’s e companhias, que nem sabem ler correctamente as etiquetas com as moradas.

O que interessa, agora, é que chegou e aqui fica a imagem do livro que, certamente, me irá encher o universo dos “meus murganhos” nos próximos tempos.

Por fim, fica a notícia da editora italiana, dedicada a publicações ligadas ao estudo das letras, juntando, para o efeito, os marcadores que acompanhavam o livro.

 

LAUS DEO !

Hmj

domingo, 16 de agosto de 2020

Apontamento 138: Hipocrisia






A hipocrisia, o fingimento e a dissimulação são, na sua essência, vícios humanos que revelam, sobretudo, falta de carácter e, quiçá, capacidade de discernimento.

O cenário hipócrita de alguns partidos políticos, apoiados, claro está, pelo Bastonário da Ordem dos Médicos e outros quejandos, não engana, nem deixa sossegado o cidadão,  profundo conhecedor da assistência à velhice, tanto a nível europeu como nacional, e indignado com o aproveitamento perverso da situação em lares espalhados pelo país.

Diga-se: basta de tanto aproveitamento e de tanta impunidade perante estes HIPÓCRITAS.

Não foi no tempo dos “pafunços” que se propagou a ideia, com justificação da  “troika”, como anteriormente o fez um Senhor Cavaco, que os velhos estavam a mais ? Houve algum registo de tantos lares ilegais espalhados pelos país, em vivendas sem nenhuma indicação por fora, disfarçando os antros de morte ?

Se o Senhor Bastonário dos Médicos desconhece o universo dos lares ilegais, devia estar calado em vez de fazer afirmações tolas como tem sido a sua postura. Pergunta-se, então, quem passa as certidões de óbito, frequentes, ocorridos nesses espaços inqualificáveis ? A certidão não terá a assinatura de uma pessoa com formação em medicina, havendo  a obrigatoriedade de reportar cenas e instalações inqualificáveis ? Quartos de dormir, de 16 m2, com camas ocupadas por mulheres e homens? É agora que o Senhor Bastonário dos Médicos e a dos Enfermeiros acordam para uma realidade há muito conhecida ?

E os partidos políticos -  CDS e PSD – ora muito incomodados, o que fizeram no tempo dos governos de Cavacos e Pafunços ? Andaram pelos subúrbios de Lisboa – e do Porto e pelo país fora – a identificar e registar os lares ilegais para terem agora alguma legitimidade para falar?

Aliás, já naquela altura era só começar a dar uma volta pelo país e, como último recurso, perguntar às pessoas da “terra”. Toda a gente sabe onde estão os chamados “lares baratos”, escondendo autênticas casas da morte.

No entanto, e com a autoridade de falar em causa própria, conhecendo uma boa e uma péssima assistência na velhice, é preciso desfazer a maior hipocrisia, a saber, a das famílias que, em primeiro lugar, são as principais responsáveis pelos cuidados escolhidos na fase final da vida do idoso. Parece que estão calados nem ratos !

Não vale a pena a pessoa enganar-se. A opção por uma boa assistência ao familiar idoso implica, em muitos casos, o desfazer da fortuna – móvel ou imóvel – acumulada pelo próprio ao longo da sua vida. A opção humanamente responsável é, de facto, que ela seja usada em seu benefício quando o idoso mais precisa de cuidados e que a família já não lhe pode proporcionar.

A hipocrisia é, sobretudo, de não falar dos familiares, como os primeiros responsáveis pela escolha e verificação das condições de assistência aos idosos.

Com todo este discurso perverso, digo que já não aguento tanta hipocrisia !

 Post de HMJ

terça-feira, 26 de maio de 2020

Apontamento 135: Retomar e Clarificar a Retrotopia




Tendo falado no livro de Zygmunt Baumann, Retrotopia, verifica-se que os pensadores actuais não ultrapassam o diagnóstico, acrescentando pouco ou nada àquilo que as pessoas esclarecidas retêm, elas próprias, deste fim de festa. Falta-lhes, certamente, coragem para tirar as devidas lições de tantos estudos citados, como é o caso do livro em epígrafe, evitando desta forma algum desencontro com os poderes estabelecidos.

Convenhamos, voltar atrás não significa regressar aos padrões miserabilistas, de bem-estar, saúde, educação e cultura dos anos 50 ou 60 do século passado, mas saber tirar lições de uma competência básica de vida e autonomia sã de pensamento. Passar do diagnóstico ao prognóstico implicava coragem e propostas claras para nos salvar destes padrões omnipotentes e neoliberais. Significava aliviar a população desta vertigem para dependências espúrias, suportada pela comunicação social e pela publicidade, no sentido unívoco de uma vida de consumo, sem qualidade, sem sentido, sem civilidade nem sustentabilidade.


Zygmunt Baumann, 1925-2017


Resultado deste enorme desencontro mental, para não chamar estado esquizofrénico, é o que acontece, neste momento, com as companhias aéreas. Aceitam elas, com o consentimento do poder (?) político, uma injecção de capital público, indispensável à sua sobrevivência, rejeitando, de todo, uma regulação em função dos fundos recebidos. “Não haverá melhor investidor”, como diria um jornalista do DIE ZEIT, sublinhando o enorme defraudamento dos contribuintes.

Sem pretender fazer publicidade a um grupelho completamente execrável, que dá pelo nome de Ryanair, conspurcando com a sua postura rústica a imagem de uma país estimável como a Irlanda, vamos ter, com a mesma falta de coragem, uma Comissão da EU a ceder a estes “lobbies”, sancionando viagens de avião sem a obrigatoriedade de manter o devido espaço social de distanciamento (1,5 a 2,00 m), recomendado para os restantes espaços públicos.

A Retrotopia, ou uma outra racionalidade, começaria por um novo modelo, retomando a vertente intrínseca do Turismo, de cultura e civilidade, como via de conhecimento e convivência. A nobreza de viajar para conhecer nada tem a ver com as HORDAS que se preparam, nos confins dos seus tugúrios confinados, a embarcar, de qualquer maneira, rumo aos locais publicitados. Incompreensivelmente, os poderes políticos perfilam-se para acolher de novo os transeuntes indiferenciados em detrimento do valor supremo da saúde pública.

Oxalá que as pessoas, a troco de uns empregos precários e mal-pagos, não se arrependam de tanta liberalidade e de se subjugarem à publicidade enganosa.

Post de HMJ

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Apontamento 134: 8.5.1945



Berlim, Maio de 1945

Como portadora, ainda, de relatos de experiências vividas, cujas vozes se vão calando progressivamente, desejo apenas que a memória sirva para evitar desastres semelhantes.

Cabe aos vivos intensificar a vigilância e manter a defesa democrática dos supremos valores da Humanidade perante movimentações encapotadas de pretensos salvadores da pátria.

Post de HMJ

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Apontamento 133: Por uma nova racionalidade



Paul Klee

Há bastante tempo que se vinha aflorando, em tertúlia particular semanal nossa, que havia qualquer “fim de festa” no ar, sem se saber o que viria a seguir. De certeza apenas “a consciência da vida caótica que o capitalismo engendra”, singularmente expresso por José Gil no seu último artigo:

“Vivemos, neste momento, dois tempos diferentes, em simultâneo: o nosso presente da vida confinada e o tempo da espera que a pandemia acabe. Nem um nem outro, nem os dois sobrepostos, ajudam a agir. Alguns pensam que este período de isolamento deverá ser aproveitado para tomar consciência da necessidade de mudar de vida, recusando voltar à “normalidade”. A normalidade representa o tecno-capitalismo e a vida caótica que ele engendra. (...) Mas mais profundamente, ela mostrou, segundo muitos, a futilidade e o vazio da vida sem sentido em que os povos viviam antes da pandemia”.
José Gil, Público, 13.4.2020

O que se deseja, certamente e de uma forma lúcida, é que a humanidade regresse a uma outra racionalidade, porventura numa retrotopia, palavra que fixei com interesse. O livro de Zygmunt Baumann, com o título Retrotopia está a caminho. Restam, para já, as palavras do autor, ditas numa entrevista ao El País: “Mirar atrás para recoger no significa ir atrás no volver”.

Post de HMJ

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Apontamento 132: Máxima antiga - Não há duas sem três



Na Alemanha, no meu tempo de meninice existia uma máxima: “Wer A sagt muss auch B sagen” – a saber, quem “pronuncia A tem que dizer B”.

Ou seja, a questão fundamental é apenas de coerência.

Assim, não vale a pena a Chanceler – como nos idos da crise de 2008 – falar da solidariedade europeia e virar as costas quando se aproxima o passo seguinte – de A para B – a fase subsequente e determinante de abrir os cordões à bolsa.

Nisso, e é bem lembrá-lo, que estão os dois de acordo, Merkel e Schäuble. Como diria Vitorino: são “Farinha do mesmo Saco”.

Tenho muito pena, mas por cá ainda existem algumas boas almas encantadas com os discursos da Senhora Merkel, avaliação, aliás, que nunca partilhei. Sempre a achei profundamente provinciana, tal como o seu outro ideólogo, vivendo num mundo reduzido aos “cifrões”, universo particular do endinheirado germânico, promovendo a cultura de pacotilha. Bayreuth a quanto obrigas !

De facto, nesse mundo maravilhoso dos cifrões da Alemanha há dinheiro para muita coisa, até fortunas transformadas em fundações de apoio a bicharadas diversas, asnos e toda a parafernália de animais domésticos.

No entanto, o universo dos idosos, no limiar da pobreza, situa-se numa faixa de 25% da população. Haverá maior vergonha do que esta para um país considerado rico ? Quando se fala, contudo, de aprovar, com o apoio da CDU da Senhora Merkel, um pacote de Reforma Base Universal para os pensionistas, vamos a passos.

Convém, no meio disto, ler artigo de 6.4.2020, publicado pelo Público, do Ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz (SPD) e Heiko Maas (SPD), numa iniciativa conjunta saída em vários jornais da Comunidade Europeia. Tardiamente, depois do discurso indispensável, oportuno e urgente de António Costa.

Com particular necessidade da renovação do sentido último do “Imperativo Categórico” de KANT, nesta circunstância em que o mundo financeiro e global se afundou, espero que a Alemanha não se esqueça, mais uma vez, do profundo sentimento de humanidade de uma parte considerável da sua população que continua a estimar os valores essenciais. São eles que merecem o nosso apoio como povo do centro da Europa, abertos ao Mundo, humanos e solidários.

Infelizmente, são os menos esclarecidos que a imprensa coteja, designadamente toda a cáfila de forças de direita que se aproveitam da profunda ignorância que se instalou. Sinais do tempo.

Por último, e por razões substanciais, tenho muitas dúvidas sobre a excelência do sistema de saúde alemão quando comparado com o SNS, até por experiências desagradáveis recentes.

Por fim, continuo a batalhar pelo universo em que cresci, da União Europeia, de encontros culturais, humanos e apoiados, por políticas e finanças ao serviço da comunidade.

HMJ

quarta-feira, 11 de março de 2020

Apontamento 131: Observações 1



1936

Surgiu, recentemente, a hipótese de adquirir o livro acima reproduzido. O nome do musicólogo Santiago Kastner veio-me através de estudos dedicados à música antiga portuguesa. Por coincidência descobri, posteriormente à aquisição do livro, que a Universidade Nova de Lisboa lhe dedicou uma exposição no final do ano de 2019. Aliás, o catálogo da exposição, com coordenação de Manuel Pedro Ferreira, encontra-se disponível em formato pdf, oferecendo-nos mais informações sobre a sua vida e obra.
Ficam, apenas, os dados biográficos essenciais de Macário Santiago Kastner: nascido em 1908, em Londres, faleceu, em Lisboa, no ano de 1992, na cidade que ele escolheu como lugar da sua vida a partir de 1934. 

Da sua vivência em Portugal deixou-nos, para além dos estudos sobre a música antiga, observações curiosas sobre o país, a saber:



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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Apontamento 130: Instrução




Pese embora o aumento da escolaridade obrigatória, constata-se uma degradação acentuada no que se refere a uma instrução básica, ferramenta essencial para uma realização pessoal digna desse nome.

A minha constatação, não sendo recente, encaminhou-me, desde sempre, para obras com o tema genérico da “ensinança”, desde os “espelhos dos príncipes”, “tratados sobre a educação dos nobres” até aos “vademecuns” como o acima reproduzido.

Confesso que sempre aprendi imenso. Do livrinho de Francisco José Freire, e recordando um verso de Luís de Camões, sobre o seu “discreto secretário”, ficamos, pois, a saber que uma das principais perfeições do secretário é, como não podia deixar de o ser, a “observância do segredo”.

Passando das qualidades às imperfeições, não deixei de reparar nos defeitos da prolixidade, sobretudo olhando ao panorama que nos rodeia no quotidiano.

Assim, explica o autor o defeito da prolixidade: “Chamo prolixidade a huma certa vastidão, e grandeza de Cartas, que dizendo pouco em muitas palavras, causa fastio a quem lê. Livra-se por tanto o Secretario de amplificações, digressões, e de outras semelhantes, e fastidiosas locuções. Fuja de multiplicidade de textos, e authoridades: e busque sempre ser breve, com tanto que naõ tire a energia ao conceito, de que usa na sua Carta.”

Sublinhei, portanto, os conselhos de superior sabedoria do autor, muito recomendáveis a escrevinhadores actuais, aduzindo que ele associa a prolixidade à “escuridade no dizer” e, claro está, à ignorância“, quão grande defeito seja em hum Secretário.”

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