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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Citações CDXXVII


Quanto menos ideias as pessoas têm para expressar, mais elas falam alto.

François de Mauriac (!885-1970), in Le Feu sur la terre.

sábado, 23 de novembro de 2019

Escrever bem


Que queremos dizer quando dizemos: Fulano escreve bem?
Se é um dado adquirido e uma verdade insofismável que ninguém discute a qualidade da escrita do escalabitano Fr. Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho) ou de Camilo, outro tanto será arriscado afirmarmos sobre a ficção de Hemingway ou de Mann, porque, no fundo e na maior parte destes casos, os livros passaram pelo crivo de melhores ou piores tradutores, quando os lemos na versão nacional. E se Fiesta (The Sun also rises) ganhou, em português, pela pena de Jorge de Sena, também já li algumas traduções de Mauriac, por exemplo, de péssima qualidade...
Elegância, clareza, ritmo, a proporção equilibrada das frases são factores a ter em conta - creio.
Mas se prefiro, talvez, o estilo sucinto de Cardoso Pires na esteira objectiva de Hemingway, não deixo de admirar a construção poderosa e inteligente de António Vieira, que me faz lembrar Quevedo.
O resto terá de sentir-se mais por intuição advinda de uma longa experiência vasta de leituras. E se tivermos sentido crítico que, normalmente, não abunda por estas paragens lusitanas...

sábado, 15 de abril de 2017

Perdoar, segundo Cioran


Os outros acham que é normal perdoar aos seus inimigos. E eu bem gostaria de os ver seguir esses belos preceitos. Pode perdoar-se a um inimigo; mas, como dizia Mauriac, não podemos esquecer que lhe perdoámos. Não há nada menos puro do que o perdão.

E. M. Cioran (1911-1985), in Cahiers - 1957/1972 (pg. 853).

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Citações CXVII : François de Mauriac


O rosto de algumas mulheres, mesmo na maturidade, permanece banhado pela infância, e é talvez a sua eterna infância que fixa o nosso amor e nos resgata do tempo.

François de Mauriac (1885-1970).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os diálogos possíveis


As citações colhi-as no TLS (nº 5722), e são referidas na recensão a The 1.000 Wisest Things, de David Pratt (Robson, 2012), todas elas de homens célebres nobelizados. Em confronto imaginário, seriam:
1. Sartre diz para Camus - "Um caso de amor, uma carreira, uma revolução: estas aventuras em que embarcamos sem saber como vamos sair delas"; e Camus poderia contrapor: "Todas as revoluções modernas acabaram num reforço do poder do estado".
2. Ytzak Rabin para Arafat (prémios Nobel da Paz, em 1994): "Hoje vim trazendo um ramo de oliveira e uma arma. Não deixes o ramo de oliveira cair da minha mão"; e Arafat poderia ter respondido: "Tu não podes fazer a Paz com os teus amigos. Podes, no entanto, fazê-la com os teus mais desagradáveis inimigos".
3. Juan Ramón Jimenez disse: "Esquecer é uma virtude, a memória, um vício"; e Heinrich Böll poderia responder: "Uma sociedade sem memória, é uma sociedade doente".
Mas, para além destas diatribes de contraposição provocada, há, nesta recensão do TLS, alguns ditos de espírito bem interessantes, de que vou referir dois:
de Saul Bellow: "Um estrangeiro é sempre mais estrangeiro, em França.
François de Mauriac: "Eu só posso gostar e compreender o Inglês depois de ele ter morrido."

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A ressurreição de Georges Simenon


O recente ressurgimento de interesse pela obra de Georges Simenon (1903-1989) levou a que o jornal "Le Monde" lhe tivesse dedicado um suplemento de várias páginas, em 17/6/2011. Muito embora os livros, tendo Maigret como protagonista, continuassem a editar-se, regularmente, e a ter leitores fiéis, começou a aumentar o interesse pelos chamados romances "durs", três dos quais tiveram, em anos recentes, adaptações televisivas filmadas: "Les Innocents", em 2006, "Monsieur Joseph" baseado em "Le petit homme d'Arkhangelsk", em 2007, e a adaptação de "La mort de Belle", em 2009, sob o título de "Jusqu'à l'enfer", por Jacques Santamaria.
Também em Itália (com tiragens de 50.000 exemplares), na Suiça e Alemanha, a edição de obras de Simenon se tem intensificado através de novas traduções porque, como "Le Monde" refere, as antigas, em qualidade, deixavam muito a desejar. Nomeadamente 2 feitas, para a língua alemã, pelo poeta Paul Celan ("no melhor pano cai a nódoa"...). O filho de Simenon, John, estuda também a possibilidade de vir a publicar a correspondência pessoal do Pai, onde se incluem cartas de Fellini, Henry Miller, Mauriac e outros. Na França volta a publicar-se a sua obra completa, desta vez juntando no mesmo volume livros com os três  temas principais de Simenon: o policial (Maigret), o chamado romance "dur" e a autobiografia ficcionada.
Eu, que o tenho por autor de referência e cabeceira, há muito, gostaria de realçar algumas das suas obras da minha preferência, se possível a ser lidas em francês e no original: "Le chat" (1966), "Lettre à ma Mére" (1974), "Tante Jeanne" (1950), "La neige était sale" (1948). Mas o interesse e qualidade da obra de Simenon não se esgota nos 4 livros que acabo de referir. Não são, de todo, romances ligeiros, nem muito divertidos (para isso, ler "La maison des sept jeunes filles", de 1937), muitas vezes são até melancólicos ou pesados. Como diz Pierre Assouline: "Simenon se savait incapable d'être drôle." Mas a sua leitura, muitas vezes, também pode funcionar como uma vacina, tendente a um desejado reequilíbrio pessoal. Fica a recomendação.

para H. N., por óbvias razões.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

François de Mauriac, católico e pecador


Precisamente há 40 anos, François de Mauriac falecia em Paris, poucos dias antes de completar 85 anos: nascera em Bordéus, a 11 de Outubro de 1885. Algum tempo após a sua morte, vieram à luz pormenores da sua vida privada e pessoal que fizeram abalar a sua imagem de figura moral das letras francesas. Engajado num catolicismo socializante, "gaulliste" fervoroso, Mauriac recebera o Prémio Nobel da Literatura em 1952 ("Les grands romans vient du coeur."). Analista cirúrgico das paixões da alma, os seus romances estruturam-se na intensidade trágica dos conflitos humanos sem resolução, onde o bem e o mal - muitas vezes identificado pela religião - se digladiam, interminavelmente.
O Deserto do Amor, Thérese Desqueyroux, O beijo ao Leproso, traduzidos em português, são alguns dos seus romances mais significativos. E de que retenho memória; como ele dizia, "nous méritons tous nos rencontres. Elles sont accordées a notre destiné". Este determinismo, algo dramático ou fatalista, de espírito, que é uma das suas marcas romanescas, não excluía, porém, um sentido de humor agudo e brilhante. Poucos anos antes de falecer, disse: "C'est merveilleuse la veillesse... domage que ça finisse si mal.".