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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Do que fui lendo por aí... 71

 

"A linguagem busca constantemente impor o seu domínio sobre o pensamento. Na corrente de pensamento, ela gera remoinhos, aos quais chamamos «perturbações mentais», e aqueles bloqueios que dão pelo nome de obsessões. Todavia, a interferência, a incessante «turbação das águas» são também aquelas da criatividade. Nesta ondulação da maré, o acto de pura concentração, a tentativa de purgar a consciência das suas ficções vitais, das alucinações lúcidas de desejo, intencionalidade ou medo são, como já anteriormente fizemos notar, extraordinariamente raros."

George Steiner (1929-2020), in  Dez Razões (Possíveis) para a Tristeza do Pensamento (pgs. 33/4).


Nota pessoal: para quem, como eu, não se dá lá muito bem com a filosofia, este livro de ensaios, de George Steiner, é um manancial de reflexões singulares e irradiantes, que nos levam até longínquas paragens...

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Citações CDLXXIX



"De acordo com a hipótese avançada pelo filósofo Jerry Fodor (1935-2017), em 1975, os processos mentais têm uma estrutura linguística. (...) Memórias, sentimentos, pontos de vista políticos e mesmo respostas fisiológicas, até certo ponto, são definidos pela linguagem. Por exemplo, a amnésia infantil - a incapacidade para lembrar acontecimentos dos primeiros anos de vida - resulta, ao que se crê , parcialmente, da ausência de linguagem, nos tempos iniciais da existência."

Anna Aslnyan , in Speaking in Tongues (TLS nº 6280).

quinta-feira, 9 de março de 2023

Ideias fixas 75


Essas luminárias catequistas, que andam por aí afanosamente a tentar reescrever a História (como se isso modificasse o passado...) e a policiar a linguagem de agora, como se de novos inquisidores investidos se tratassem, raramente dão pelo seu rídiculo e falta de racionalidade.
Alguma vez se terão apercebido da enorme incoerência de, nos Estados Unidos, por exemplo, se poder dizer black, mas não negro, e, em Portugal, não se dever usar preto, mas ser permitido e conveniente utilizar a palavra negro?
Não lembra ao diabo, esta cegueira mental destes puritanos de pacotilha...

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Citações CDXXXI



O policiamento da linguagem é uma diminuição da nossa liberdade.

J. Pacheco Pereira (1949), in Grande Entrevista (RTP, 13/4/22).


Nota pessoal: aconselho a audição integral (na RTP) desta entrevista que tem, como pano de fundo, a censura em Portugal, feita a propósito da exposição temática actualmente na ex-sede do DN.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Citações CDLVII



O grande inimigo da linguagem clara é a insinceridade. Sempre que há um espaço entre os verdadeiros objectivos e  os fins declarados efectivamente, o autor socorre-se instintivamente de longas e exaustas palavras (...) Mas se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também corrompe o pensamento.

George Orwell (1903-1950), in  Politics and the English Language (1946).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Recuperado de um moleskine (18)


É natural que adaptemos o nosso discurso, ou linguagem, ao interlocutor que temos pela frente. O diálogo pedagógico, por exemplo, de um professor, perante crianças no início da idade escolar, será necessariamente diferente e mais simples, do que aquele que poderá ser praticado numa aula universitária. Isto, no que diz respeito ao discurso oral.
Quanto à palavra escrita, duas hipóteses se abrem: ser o texto dirigido a um grupo bem definido e caracterizado, ou a um público mais vasto, desconhecido e indefinido. Nesta última hipótese, e sendo o texto ambicioso, poderá uma parte desse público auto-excluir-se, pura e simplesmente. Por vontade ou por incompreensão.
Em poesia, isso acontece também. Por exemplo, eu excluo-me de uma grande parte dos poemas de Paul Celan. Talvez por incompreensão inata de um universo, para mim, impenetrável. As mais das vezes, nem sequer pressentido. E assumo esse facto com humildade e sinceridade intelectual.