Mostrar mensagens com a etiqueta Lucas Cranach. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lucas Cranach. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Pinacoteca Pessoal 178



Não fora HMJ, e eu não teria dado por por este pintor renascentista singular que tem o nome de Hans Kemmer (1495-1561), alemão provavelmente de Lübeck, e que foi identificado e referenciado em tempos recentes. Ao que parece, terá acompanhado Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), entre 1515 e 1520, e, provavelmente, com ele terá aprendido o ofício. Muito bem, atrevo-me a dizer.




O St. Annen-Museum, de Lübeck, no próximo dia 24/10, inaugura uma exposição com obras de Kemmer (poucas conhecidas) e Cranach, numa mostra comparativa, que se prolonga até 6/2/2022.

domingo, 12 de novembro de 2017

Lembranças de Londres (por entre Filatelia e Arte)


Faço, quase sempre, uma boa, embora demorada, digestão feliz das viagens que empreendo. Ainda que viajar me seja cada vez mais desagradável, pelo desconforto físico e mental das partidas e chegadas, das malas a carregar e dos processos burocráticos que lhes estão associados. Mas também pelo balbuciar inepto e inicial das primeiras frases gaguejantes em língua estrangeira, quando vou para fora de Portugal.



O dia (17/10/17), razoável para um Sol londrino, intermitente, não estava, de modo nenhum destinado à Arte, porque o tinha previsto para vir a ser consagrado a prosaicos assuntos de Filatelia. Dois números de rua, na Strand, me ocupavam o espírito: o nº. 399 (da Stanley Gibbons) e o 99, que ainda devia albergar o Stamps Centre, onde, em 1976, eu tinha comprado, afortunadamente, a um comerciante de origem polaca, um belíssimo lote de selos clássicos portugueses, por 50 libras. Mas, e como diz o povo, "o homem põe e Deus dispõe."



Saí na estação de Embankment e, atravessando uma rua transversal, dirigi-me para a Strand, paralela. O número 399 foi fácil de encontrar. Lá comprei o último Stanley Gibbons Stamp Monthly, com um interessante estudo sobre as emissões de selos do reinado de Jorge VI, e saí à procura do número 99, que sempre pensei ser no mesmo lado da rua, por também ser número ímpar, como acontece em Portugal. Não era, era quase em frente, mas só o vim a descobrir muito mais tarde, depois de passar pelo retrato do português Helder Macedo, no meio de vários outros professores ilustres, em fotografia de corpo inteiro, nas vitrines do King's College, e de ter visitado uma maravilhosa exposição na Somerset House.



Mas vamos por partes. Depois de calcorrear a Strand até ao fim, desenganado de encontrar o Stamps Centre, na volta, pelo outro lado da rua, por mero e feliz acaso deparei-me com um anúncio discreto, no passeio, a informar sobre uma exposição de pintura subordinada ao tema promissor de Da Renascença ao Impressionismo, na Courtauld Gallery que, integrada na Somerset House, ocupava seis salas, com pinturas esplêndidas de grande qualidade, e que iam de Cranach a Monet, passando por Gauguin e Van Gogh.



Tenho de confessar que nunca, em tão breve espaço de instalações, eu vi reunidas tantas obras-primas. O Adão e Eva, de Cranach, que iniciava a mostra, embora numa tábua pequena, era de uma perfeição admirável. Nunca também pensei lá encontrar  uma das versões de Os Jogadores de Cartas, de Cézanne, e, muito menos, uma variante primeira (?) de Le Déjeuner sur l'Herbe, de Manet, aparentemente inacabada e ainda algo incipiente. Mais O Balcão, de Renoir, um auto-retrato de Van Gogh e vários Degas. Só o quadro de Cranach, deixou-me fascinado, em frente dele, por uns bons cinco minutos de alumbramento e prazer...



Mas o que mais me surpreendeu, na verdade, foi uma escultura magnífica de Gauguin, para além do Nevermore, cuja obra eu pensava ser apenas constituída por pintura. O artista terá feito, em mármore, apenas duas esculturas. Uma do filho, Emil, e outra da esposa dinamarquesa, Mette. Foi esta última, de 1877, e única, que eu pude admirar na Courtauld Gallery, da Somerset House. Há um aspecto muito curioso no olhar da mulher. Normalmente - creio - na maioria dos rostos esculpidos, o olhar inclina-se para baixo ou está, no plinto que o suporta, à altura do olhar do observador visitante. No rosto de Mette, porém, o olhar dirige-se para cima, numa ascese que Gauguin quis, talvez, sugerir.




Só por esta escultura de Paul Gauguin valeria a pena eu ter entrado na Courtauld Gallery, da Strand, nessa manhã de  17 de Outubro de 2017, em Londres.

Comecei a tarde, já passava muito do meio-dia, a almoçar uma dose generosa de Fish and Chips, numa esplanada da Queensway. Que o Sol tinha aberto, esplendoroso, numa solidariedade alegre de beleza...

domingo, 13 de dezembro de 2015

Para a iconografia de Isabel de Portugal


Da casa real portuguesa, Isabel de Portugal (1503-1539), filha de D. Manuel I e D. Maria de Aragão, é porventura uma das figuras mais retratadas ou, ao menos, cujo retrato foi feito por pintores de maior qualidade. Culta, piedosa e de rara beleza, Isabel casou, em 1526, com Carlos V (1500-1558), tendo morrido de parto ao dar à luz o quinto filho, que nasceu morto. Três filhos lhe sobreviveram, sendo que o mais velho, Filipe II de Espanha, viria a ser rei de Portugal.
O seu retrato mais conhecido é, provavelmente, o que foi pintado por Ticiano, e que encima este poste. O casal régio foi também pintado por Peter Paul Rubens, e a tela pertence ao acervo dos duques de Alba. O terceiro retrato, do pintor inglês William Scrots, está num museu da Polónia. Há quem duvide que o quadro represente Isabel de Portugal. A tela, na minha opinião, acusa influências de Lucas Cranach, não deixando de ser uma bela obra.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Marcadores (5)


Estes dois marcadores de livros vieram de Antuérpia, mais precisamente, do Museu Mayer van den Bergh. E têm por motivo a obra de Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), um dos meus pintores de eleição. Representam, da esquerda para a direita, respectivamente, Sta. Catarina de Alexandria e Sta. Bárbara.

domingo, 10 de junho de 2012

À guisa de inventário, com questionário íntimo


A restolhada de pequenos pássaros calou-se pouco antes das nove, ainda a lua não tinha nascido. Mas, como fui ficando pela varanda, deu para ver que, nos estendais, não havia toalhas de praia a secar, nem pelos peitoris das casas, as bandeiras nacionais do tempo de Scolari - estamos todos um pouco emurchecidos (pela crise?)...
Que vai ficar do dia?
O chão lilaz atapetado por flores de jacarandá? As preciosas figurinhas de terracota de Machado de Castro? Cranach, revisitado? O alarme teimoso a tocar 4 vezes? O bacalhau com broa? Ou o crepe frugal? A conversa sobre orquídeas e limoeiros? Ou a música de Thomas Arne, que ouvi há pouco?
A memória há-de fazer a triagem, com o tempo: vou deixá-la sossegada, por hoje.
Na certeza, porém, que dois amigos ficam. E algumas palavras.

para quem sabe.

domingo, 8 de abril de 2012

As surpresas da memória no domingo de Páscoa


Não foram as madalenas de Proust, que o levaram à "procura do tempo perdido", nem por ser domingo de Páscoa me veio à memória o Pão-de-ló de Margaride que, no dia de hoje, se pode comprar em qualquer confeitaria de Guimarães, que se preze de o ser. Nem sequer me lembrei dos pequenos bolos arredondados recobertos a linhas curvas sinuosas de calda de açúcar, esbranquiçados por fora, amarelinhos e tenros por dentro. Não. Ao pequeno almoço, o que me veio à lembrança foi o paladar das cavacas duras e escuras por dentro, que eu detestava, mas que havia sempre na mesa pascal. Mas pelo lado mais simpático, porque eram feitas com imensas raspas de casca de limão. E foi esse o sabor que me veio à boca da memória, ao tomar o pequeno almoço. Como essa memória atravessou tantos anos e quilómetros, não o sei dizer.
Eu tinha, durante a noite, sonhado com a casa de Eça, em França. Acompanhava-me, logicamente, o meu amigo A. G. de S., estudioso da sua obra. Mas a tudo se acrescentou uma sardanisca (lagartixa) minhota que mais parecia o sapo de Lucas Cranach, que postei há dias no Arpose - foi uma transposição, decerto. Depois, no sonho, aparecia também alguém (feminino) que lavava louça na cozinha da casa francesa de Eça de Queiroz. Mas quanto a cavacas, nada. Por isso não havia antecedentes, para esse sabor que me veio à boca. Talvez a geleia de limão sobre a mesa, que HMJ fez, magnífica... Ou, então, o cesto de vime repleto de limões, que nos ofereceram, e que estava em cima do aparador. Talvez, por aí, me tivessem chegado as detestadas e duras cavacas pascais e vimaranenses, à memória, nesta manhã de Páscoa. Devo estar na pista certa...
Para o almoço, o tradicional anho, que já rescende no forno. Mas ainda tenho de escolher o vinho, porque ontem estava indeciso. Sinto-me inclinado para um Douro, talvez o "Quinta de la Rosa", sempre garantido como boa escolha para assados. E, para sobremesa, à falta do Pão-de-ló de Margaride, ainda há um resto do de Alfeizerão, gentilmente trazido e oferecido pelo H. N., sempre generoso. Só falta o compasso e o vinho fino para o dia ser completo. As cavacas de Guimarães, dispenso-as perfeitamente.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O sapo e a avareza


A identificação simbólica do sapo com a avareza, deveria ser um tema recorrente da época, porque Leonardo da Vinci (1452-1519), na recolha de uma lenda, e Lucas Cranach (1472-1553), através dum desenho, nos deixaram os seus testemunhos. O desenho de Cranach encima este poste. No seu fabulário (tradução de Virgílio Martinho, 1974), Leonardo da Vinci, sob o título de "O Avarento", escreve:
"De vez em quando o sapo estendia o focinho e comia uma pequena porção de terra.
- Porque é que estás tão magro? - perguntou-lhe um dia uma joaninha.
- Porque tenho sempre fome - respondeu o sapo.
- Mas se te alimentas somente de terra! - exclamou o gentil insecto. - Porque é que não comes até te fartares?
- Porque um dia - retorquiu o avarento em tom lúgubre - a terra podia acabar."

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pinacoteca Pessoal 15 : Giovanni Pietro Rizzoli


O que é que nos atrai numa obra de Arte? É sempre difícil justificarmos uma escolha subjectiva, com rigor. Mas este quadro que conheci há muito pouco tempo, e que nem sequer soube localizar, cativou-me. Talvez o tratamento pictórico da pele (embora inferior ao evanescente de Lucas Cranach), nos seus tons pálidos, a barriga ligeiramente descaída desta Madalena que lê, abandonada e arrependida, esta perfeição geral inacabada que quase parece, se fosse completa, o "bonitinho" dos Pré-Rafaelitas - mas não é.
Não será um pintor de primeira água, este Giovanni Pietro Rizzoli, provavelmente, da escola de Leonardo da Vinci, que viveu entre 1495 e 1549, em Itália. Inicialmente chamavam-lhe "Giampetrino". Deixou várias Marias Madalenas, que era um dos seus temas recorrentes. Mas nenhuma como esta, da imagem - creio.