Sempre me dei bem com cortadores, a começar pelo Zé Bento, dos meus tenros anos vimaranenses. Nessa altura eram marchantes, como no Norte se dizia. Depois apareceu-me o Simões, o Farinha, o Abílio - tudo boa gente e amável para comigo. Profissionais de gabarito, sempre gostei de os observar a desmanchar uma peça de carne de novilho ou as longuíssimas lombadas de porco.
Precisos no corte rigoroso, iam falando sempre, sem falhar a pontaria.
Hoje no Mercado, com o meu presente fornecedor, falámos de etnias, ele que ainda tinha parentes anteriores de Pontevedra e um avô palavroso e algarvio; eu que, ao que sei, venho de minhotos retintos. Tudo isto, enquanto ele me aviava de entrecosto para uma feijoada e de umas tiras fininhas de peru para um strogonoff, que há-de vir à mesa, lá para o final da manhã.
E, entretanto, eu ia-me lembrando de alguns quadros de Soutine...
E, entretanto, eu ia-me lembrando de alguns quadros de Soutine...

