Mostrar mensagens com a etiqueta Moinhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Moinhos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de outubro de 2018

Moinhos, jogos e brinquedos infantis


Cada vez gosto mais das coisas simples da terra. A começar por monografias, pela arte rústica (evito o povera, académico...), na sua autenticidade, o sabor auditivo das expressões regionalistas, os usos e costumes ancestrais que vão desaparecendo pelo alastrar das manchas suburbanas e pelo ermamento do interior português.
Há quem se aperceba deste meu gosto, com atenção amável e cúmplice. Como foi o caso do meu amigo AVP, que resolveu oferecer-me Os Moinhos e os Moleiros do Rio Guadiana (Edições Colibri, 2018), de Luís Silva, e Arca de Cangalhadas (Museu de Silgueiros, 2018), de António Lopes Pires. Ambos de âmbito etnográfico, regional.
O primeiro dos livros aborda, de forma especializada, as características dos 119 moinhos que bordejam o Guadiana (110, em Portugal, e 9 em Espanha). O segundo, de contos despretenciosos, usa-os no sentido de dar a conhecer jogos infantis, já pouco praticados, e brinquedos de rústica manufactura, que fizeram a alegria de crianças de antanho...
Leituras agradabilíssimas, que aqui venho agradecer a AVP.

domingo, 28 de abril de 2013

Os ventos e o moinho de Alphonse Daudet


A região de Fontvieille (França), aldeia de 3.600 habitantes, que está intimamente associada ao escritor Alphonse Daudet (1840-1897), é muito ventosa. Os seus naturais, e os das cercanias, conseguem distinguir e apelidar cerca de 30 tipos de ventos, dando-lhes nomes muito peculiares, tais como: Manjo Fango, Marin Miéjour, ou o Damo que é uma brisa suave, mas persistente, que faz levantar as saias das senhoras...
Na pequena aldeia existem 4 moinhos, sendo que um deles foi o que inspirou a escrita de "Lettres de mon moulin", e que é uma atracção turística para quem leu e gostou da obra de Daudet. Que ainda hoje é um livro muito apreciado pela juventude francesa. Bastará dizer que, em 2012, no quadro da operação "Un livre pour l'été" foram distribuídos, gratuitamente, 800.000 exemplares da obra, entre a população escolar, por iniciativa governamental.
Ora, e disto nos dá conta e notícia o "Obs.", o moinho de Daudet, construído em 1814, e que laborou incansavelmente até 1915, por dissídio entre o seu legítimo proprietário e a Câmara de Fontvieille, que o explorava turisticamente, encontra-se encerrado desde Dezembro de 2011. O dono alegou, ao tomar posse compulsiva do imóvel, a degradação a que a edilidade o deixou chegar; por sua vez, a Câmara acusa o proprietário de propósitos inconfessáveis...
Quem sofre são os entusiastas da obra de Daudet, que já não podem visitar o célebre moinho, por dentro.