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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Divagações 204



O Vaticano, na sua infinita ou eterna sabedoria, procura sempre emendar a mão ou sequenciar alternativas, para contentar todos os fãs, quanto a pontífices.
Veremos o próximo. O cardeal Tolentino -  parece-me - está fora da corrida.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Deferências e gentilezas


De uma forma geral, a clássica nomenklatura nacional reagiu, na net e redes sociais, incomodada ou despeitada (invejosa?, mas quem, inteiramente laico de espírito, quer ser cardeal, hoje em dia?). Eu próprio, me lembrei de Dantas, a propósito de Tolentino.
É evidente que não tenho nada contra ele. E a única vez que o vi, ao vivo, foi na Estefânia, a comprar Pastéis de Chaves numa loja gourmet. Se calhar, para levar para Roma e presentear Francisco e a sua cúria vaticana, altíssima e celestial.
Não muito diferente dum tal Martins que, mestrando na Aberta, nunca se esquecia de mimar as suas professoras, antes das aulas, com bolinhos doces, comprados amorosamente na Cister (ali, próxima), e com carinhosos vocábulos a acompanhar a oferenda. Foi assim que ele chegou a Real, na nossa pequenina república das letras. Lembre-se o povo: com papas e bolos...
Chegar a cardeal no enclave do Vaticano, sempre é outra louça - e desculpem-me a bisbilhotice pequena, porque ainda estamos na silly season. Ou assim parece...

domingo, 1 de setembro de 2019

Deus seja louvado!


Júlio Dantas (1876-1962) está de parabéns.
A sua obra A Ceia dos Cardeais (1902) já tem um elenco suficiente para poder ser representada, no Vaticano, por actores profissionais e autênticos.
Almada deve estar a morder-se de raiva, no Inferno, ao saber disso...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aqui há dez anos


Arrumos de época própria, fazem-me deparar com um JL do período de 25 de Julho a 7 de Agosto de 2001 (a primeira data gralhada na capa). É o nº 804, do ano XXI. Dá para ver a efemeridade das coisas e o eco amortecido ou sepultado do que terá sido "importante", aqui há dez anos atrás - não vale a pena correr pela moda muito presente e demasiado actual... Dos best-sellers de ficção (10) passo a referir os 5 mais vendidos (alguém se lembrará deles?):
1 - Gaby Hautmann: "Um amante a mais ainda sabe a pouco" (Quetzal).
2 - Edith Wherton: "Sono Crepuscular" (Asa).
3 - Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxton: "A Sacerdotisa de Avalon" (Rocco).
4 - Luísa Castel-Branco: "Luísa" (Oficina do Livro).
5 - Brian Gallaghr: "Marido Infiel" (Presença).
As duas notícias em destaque, neste JL, são: "Os 5 anos da CPLP: Balanço e Perspectivas" e a atribuição do Prémio Camões a Eugénio de Andrade, com testemunhos e artigos de Eduardo Lourenço, Arnaldo Saraiva e José Tolentino Mendonça. O JL traz ainda 3 poemas inéditos do Poeta. Transcrevo um deles que não sei se terá tido inclusão e posterior impressão em livro. Tem como título "À beira da água" e está datado da Foz do Douro (27. 8. 2000). Segue:

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

domingo, 21 de novembro de 2010

Sobre a Memória : 2 pontos de vista


1. " A chuva, especialmente para uma criança, contém cores e cheiros distintos. A chuva de Verão no Tirol é impiedosa. Tem uma obstinação taciturna, fustigadora, e apresenta-se com carregados matizes de verde-escuro. À noite, tamborila como ratos em cima do telhado ou imediatamente por baixo deste. Até mesmo a luz do dia se impregna da sua humidade. Mas é o cheiro que, ao cabo de sessenta anos, permanece comigo. A couro ensopado e caça pendurada. Ou, por vezes, a túbaras fumegando sob lama encharcada. Um mundo transformado em couve cozida. ..."
George Steiner (1929), in Errata : revisões de uma vida.


2. Calle Principe, 25

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou

José Tolentino Mendonça (1965), in Baldios.