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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Aquisições recentes


Ando em maré de folhetos, porque eles têm aparecido em variedade e quantidade: entremezes, sermões, éclogas setecentistas, epicédios... Dum último lote, que triei, eles vinham muito manchados, mas com boas margens para encadernar. Escolhi uma Instrucção Pastoral do Bispo de Beja, Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), iluminista e mecenas, que escrevia muito bem, em português de lei. O opúsculo, de 22 páginas de papel encorpado, foi editado em 1792, para celebrar o futuro nascimento da infanta Maria Teresa de Bragança (1793-1874), primeira filha de D. João VI e de Carlota Joaquina. As últimas páginas do folheto intitulavam-se Preces na Expectação do Parto e incluiam orações orignais, para serem rezadas.



Do segundo folheto, de 8 páginas, pouco há a dizer. Não conheço o seu autor, Jacome Tenorio Francofin de Assis, que se intitulava Mestre em Artes, e se propunha, em filosofia barata, argumentar e elogiar as virtudes maiores dos portugueses da sua época, destacando o Juizo, como essencial nos homens, e a Formosura, imprescindível na mulher. O que me fez lembrar um conhecido dístico inicial, de um poema de Vinicius: As muito feias que me perdoem/ Mas beleza é fundamental... Politicamente incorrecto, nos nossos dias, há que dizê-lo...
O prefácio é, no entanto, curioso. Ainda com ressaibos barrocos e algo chocarreiro, no estilo:



Este último folheto foi impresso em 1763, na tipografia de Ignacio Nogueira Xisto (Lisboa). E houve, recentemente, um exemplar igual vendido no Brasil (Levy Leiloeiro), considerado "raro", que foi arrematado por R$ 210.
Não posso dizer que tenham sido caros, os dois folhetos aqui apresentados. Muito embora estejam ambos muito manchados de humidade.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bibliofilia 56 : 4 folhetos do séc. XVIII



Estes 4 folhetos do séc. XVIII (1742, 1793 e 1800), dois deles desencadernados, provavelmente, de uma mesma e velha miscelânea, custaram-me, ontem, menos do que o preço que daria por um daqueles volumes estridentes que a montra da Bertrand, no Chiado, ostenta nos seus vermelhos berrantes com letras douradas em alto relevo.
Pelos menos, aos folhetos ainda lhes encontro alguma estética, e 2 tem muito boa qualidade de impressão. Os versos do Epicédio, com um soneto final, feitos pelo Fr. António de S. Caetano, não terão grande qualidade poética, mas documentam uma fase post-barroca anunciando o pré-romantismo.
O único folheto sem data e sem autor (Malos male perdet...), embora com certeza da mesma época, é muito informativo. Enumera todos os possíveis santos portugueses , as virtudes de alguns dos nossos reis e fornece alguns dados económicos que passo a transcrever, da pg. 20, com alguma actualização ortográfica:
"...El-rei Dom Afonso Henriques edificou 150 templos, & deixou no tesouro oitocentos & vinte mil cruzados em moedas de ouro. El-rei Dom Sancho quinhentos mil cruzados, & mil, & quatrocentos marcos de prata. El-rei D. Pedro oitocentas mil peças de ouro, & quatrocentos mil marcos de prata, & muitas moedas de ouro, & joias de grande preço. El-rei D. Manuel, & El-rei D. João o Terceiro tinham sempre na India, Africa, & outras partes vinte mil soldados, & mais de trezentos navios de toda a sorte, sem se valerem de aliados, nem de Principes estrangeiros, antes aos tais mandaram por muitas vezes socorrer; & em tempo Del-rei D. Manuel havia tanto ouro em Portugal que recusavam os homens, que lhe pagassem suas dividas em moedas de ouro finissimo, & queriam antes prata..."
Mesmo descontando algum possível exagero, quanto a Marinha e Finanças, bons tempos eram estes!...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Curiosidades 27 : Folhetos e afins, anos 50


Eram baratos e populares, estes folhetos e os voluminhos com capas coloridas e canções em voga, nas páginas interiores. Vendiam-se pelos quiosques e havia nos comboios (Campanhã e Sta. Apolónia), antes de partirem, vendedores que passavam nas carruagens a apregoá-los. Eram de publicação semanal, em papel de muito fraca qualidade. Os folhetos traziam histórias de dramalhões, grandes amores infelizes, mas também aventuras do faroeste, ou outras. São edições feitas no Porto, como se pode ver pelas capas. Mas também os havia, de Lisboa.
O livrinho de canções, com Grace Kelly na capa, que se mostra na imagem, tinha a letra de várias canções, em moda, como por exemplo:
- Quien Será - Pedro Infante
- El Pequeño Ruiseñor - cantado por Joselito
- Fado Rock - interpretado por Artur Ribeiro
- Um Só Amor - Amália Rodrigues
- Marusela - com letra de E. Bonagura e interpretado por Renato Carosone
- Besos - cantado e tocado pelo Trio Odemira; entre vários outros de nomes desconhecidos, hoje.