Jornalista e escritor respeitado, fundador do jornal "La Repubblica", em 1976, o italiano Eugenio Scalfari (1924) deu, recentemente, uma entrevista muito interessante a "Le Nouvel Observateur", por ocasião da saída, em França, da sua obra traduzida "Par la haute mer ouverte. Notes de lecture d'un Moderne". Passo a traduzir um pequeno excerto da entrevista, que me pareceu pertinente, embora discutível:
"...Hoje, os jovens abandonaram a leitura, mesmo a dos jornais. Eles comunicam através do som e das imagens. Todos os dias vemos adolescentes que andam com os seus auscultadores nas orelhas. Chamo-lhes, no final do meu livro, «os novos bárbaros». Não no sentido pejorativo, mas no sentido de que eles falam uma outra linguagem. Eles já não são como todas as novas gerações que contestavam os valores dos pais e dos avós, mas que conheciam esses valores. E que, por fim, acabavam por aceitar uma parte desses mesmos valores, e assim a evolução prosseguia. Não, os «bárbaros» actuais recusam-nos, mas sem os conhecer. Eles falam outra linguagem e começam do zero. Por isso não sabemos o que vai ser a civilização futura. É um enigma. ..."
